Raízen (RAIZ4) há 41 dias abaixo de R$ 1: o que gigante de energia está fazendo para se reerguer?
Publicado por: Broadcast Exclusivo

Publicado por: Broadcast Exclusivo
Atualizado em
02/12/2025 às 12:03
Por Guilherme Naldis, especial para a Broadcast
As ações da Raízen (RAIZ4), uma das maiores companhias de açúcar e etanol do País, completaram ontem 41 pregões seguidos cotados abaixo de R$ 1, segundo levantamento da Elos Ayta.
Com a negociação na casa dos centavos, o papel corre o risco de ser excluído dos índices que integra - como o Ibovespa - e já pode ser considerado uma "penny stock", segundo os parâmetros da própria Bolsa.
O ativo apura desvalorização de 90% se comparado aos R$ 7,40 com que estreou na B3, em agosto de 2021. Segundo especialistas ouvidos pela Broadcast , a derrocada da companhia reflete uma combinação de dívida elevada, incerteza sobre capitalização e projetos que não entregaram o retorno esperado.
A Raízen possui quase R$ 50 bilhões em dívida líquida, o que faz com que grande parte do caixa seja gasto com despesas financeiras - isto é, pagamento de juros, multas e atrasos.
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o endividamento da empresa chegou a patamares alarmantes, o que, em um ambiente de juros altos, deixa tudo mais caro para manter a sua estrutura.
"Percebo que o mercado está cético quanto à capacidade de a empresa retomar lucratividade sustentável, diante de margens pressionadas no setor de combustíveis e de cortes em projeções de demanda", acrescenta.
Fruto de um investimento conjunto entre a Shell e a Cosan, a companhia também tem desapontado o mercado internacional. Na última quinta-feira, dia 27, depois de quase um mês de revisão, a Moody's rebaixou a nota da empresa.
A agência de rating retirou as classificações de emissores de longo prazo Baa3 da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A, que deixaram a categoria "investimento" e passaram a integrar a de "especulação".
"Não prevemos uma recuperação significativa no curto prazo, na qual a empresa retorne a indicadores de crédito mais adequados ao grau de investimento", afirmou a Moodys em comunicado.
Criada por meio de um investimento conjunto entre a Shell e Cosan, a Raízen prometia um futuro próspero, podendo alcançar um valor de mercado de US$ 12 bilhões. No dia de sua estreia na bolsa, em agosto de 2021, foi avaliada em US$ 14,3 bilhões.
Para cumprir as promessas ambiciosas, a companhia acelerou os gastos e a contração de dívidas. Em junho de 2025, somava dívida líquida de R$ 49 bilhões. No mesmo mês do ano passado, o montante era de R$ 31,6 bilhões.
O cenário da taxa básica Selic, que aumentou desde então, fez com que a situação da empresa só piorasse em razão dos juros cobrados sobre as dívidas.
Para combater a má impressão junto aos investidores, tem adotado algumas medidas para refrear a sangria dos papéis. Algumas delas foram a reorganização societária, corte de custos operacionais e de despesas administrativas, além da venda ativos não essenciais, como algumas usinas e plantações.
Para Angelo Belitardo, gestor da Hike Capital, as medidas podem melhorar a estrutura de capital e dar fôlego à empresa, o que, no médio prazo, poderia restaurar parte da confiança do mercado.
Porém, a reversão depende de fatores externos e estruturais, como a recuperação da demanda por combustíveis e etanol, melhora nas margens do setor de energia vinda da cana de açúcar e um ambiente de juros mais favoráveis.
"Se a desalavancagem avançar, os desinvestimentos forem concluídos e os resultados começarem a aparecer, existe chance real de recuperação do papel. Mas, enquanto isso não ocorrer, o risco permanece elevado e o mercado tende a manter cautela", afirma.
O Manual de Emissores da B3 diz, em seu 46° artigo, que as empresas cujas ações que passarem por mais de 30 pregões consecutivos negociadas abaixo de R$ 1 serão notificadas pela Bolsa.
Com isso, a Raízen deverá informar o mercado sobre os procedimentos, com cronograma, a serem adotados para reenquadrar a cotação dos valores mobiliários.
A partir daí, a companhia terá até seis meses para adotar as medidas necessárias para retomar as margens mínimas exigidas pela B3. Caso não o faça, pode sofrer sanções, como determinação de grupamento de ações.
Ainda assim, não existe uma regra que determine automaticamente a saída de um papel de índices, como o Ibovespa, caso se torne penny stock. A exclusão só ocorre caso a companhia não consiga se reenquadrar após os prazos dados pela Bolsa, que tende a ampliá-los, na maioria dos casos.
Invista com app Investimentos BB
Quer dar uma nota para este conteúdo?