No Brasileirão, 52 dos 60 times de futebol das séries A, B e C são patrocinados por bets
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
07/10/2024 às 16:13
Por Gabriel Hirabahasi e Talita Nascimento
Brasília e São Paulo, 07/10/2024 - Dos 60 times de futebol masculino que integram as séries A, B e C do Campeonato Brasileiro, 52 são patrocinados por empresas de apostas eletrônicas ou exibiram essas marcas em suas camisas ao longo deste ano, segundo levantamento do Broadcast Político . Deste grupo, as "bets" atuam como a patrocinadora master - ou a principal, aquela que aporta mais dinheiro - de 38 clubes.
O levantamento mostra como as empresas de apostas eletrônicas têm injetado recursos no mercado do futebol masculino neste ano. Na Série A, os dois únicos clubes que não contam com patrocínio de alguma "bet" são Palmeiras e Cuiabá. O alviverde paulista, porém, é patrocinado pela empresa Esportes da Sorte no futebol feminino.
Por questões contratuais, a maioria dos clubes não divulga publicamente os valores pagos pelas empresas. O valor anunciado oficialmente pelos times é de R$ 495 milhões e refere-se apenas a 11 clubes. Não é raro, porém, que os clubes que evitam divulgar os números anunciarem os patrocínios como "o maior da história do clube", como é o caso do Atlético-GO, patrocinado pela Blaze, e Fortaleza, patrocinado pela Novibet, por exemplo.
Alguns clubes, no entanto, enfrentarão um problema com a regulamentação das empresas de apostas eletrônicas a partir de agora. Das 22 "bets" que patrocinam os times de futebol masculino das Séries A, B e C, cinco não tiveram o registro autorizado pelo Ministério da Fazenda, e, portanto, não foram incluídas na lista divulgadas pelo governo na noite de terça-feira, 1º: Esportes da Sorte (que patrocina Corinthians, Athletico, Grêmio, Bahia, Ceará, Náutico, ABC e São José); Stake (Juventude); Betvip (Sport); Dafabet (Guarani); e Reals (Coritiba, Amazonas).
O maior impacto do ponto de vista de dinheiro investido é da Esporte da Sorte, que patrocina quatro clubes da Série A. A parceria com o Corinthians, inclusive, é a mais cara do futebol brasileiro. A "bet", investigada pela Polícia Civil de Pernambuco por suspeitas de lavagem de dinheiro, pagará aproximadamente R$ 103 milhões por ano ao alvinegro paulista para estampar sua marca na parte nobre do uniforme por três anos. O efeito, porém, tende a ser mais pesado sobre clubes menores e que dependem mais do dinheiro de patrocínio para se manter.
O Broadcast tenta contato com Esportes da Sorte e Dafabet. A Reals afirmou, em nota divulgada nas redes sociais, que está em contato com o Ministério da Fazenda e aguardando uma atualização sobre o assunto. "É fundamental destacar que cumprimos todos os requisitos desde a divulgação da primeira lista, sendo a décima terceira empresa a apresentar toda a documentação necessária. Estamos plenamente em conformidade com as normas do governo federal e fazemos parte da lista das Casas de Apostas do Sigap (Sistema de Gestão de Apostas)", disse.
A empresa direcionou, ainda, uma mensagem aos clientes, afirmando que "seu dinheiro está seguro e garantido em nosso site". A manifestação ocorre porque o governo brasileiro anunciou que os sites não autorizados serão derrubados a partir do dia 11 de outubro. Esse prazo de dez dias entre o anúncio da Fazenda e a proibição de atuação das "bets" tem o objetivo de permitir que os apostadores retirem seu dinheiro das plataformas.
A Betvip informou, em nota, que "é uma empresa brasileira regulamentada pela Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro). Nosso credenciamento garante que operamos em conformidade com todas as normas e exigências legais, assegurando uma operação transparente, segura e confiável". Na terça-feira, 1º, a Justiça Federal do Distrito Federal concedeu uma liminar (ou seja, uma decisão provisória) que suspende efeitos de três portarias do Ministério da Fazenda e autoriza o funcionamento em todo o País de "bets" credenciadas pela Loterj.
A equipe de suporte da Stake respondeu ao Broadcast: "Você não precisa se preocupar, estamos no procedimento da legalização e os nossos jogadores não ficarão na mão". Questionada se esse seria um posicionamento oficial, a equipe disse ser necessário entrar em contato com a assessoria de imprensa - o que já havia sido feito, sem sucesso até a publicação desta reportagem.
Há uma dificuldade de entrar em contato com essas empresas de apostas eletrônicas. Desde a última quinta-feira, 26, a reportagem tem tentado uma resposta de algumas empresas de apostas eletrônicas para checar informações sobre o registro feito junto ao Ministério da Fazenda. As tentativas foram feitas a partir de e-mails informados nos sites das plataformas e pelas redes sociais. No entanto, algumas delas (Dafabet, Betsat e Bet7K) não responderam às mensagens.
Prazo de retirada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo, 6, que a regulação das casas de aposta online deve ficar pronta na semana que vem. Lula afirmou ainda que não aceita que os recursos do Bolsa Família sejam usados para apostas: "Se não houver resultado com regulamentação, não tenho dúvidas de que acabaremos com isso", avisou.
O assunto ganhou espaço no debate sobre os jogos online depois de o Banco Central divulgar dados que indicavam que as bets haviam recebido R$ 3 bilhões de beneficiários do Bolsa Família em agosto. As empresas contestam os números.
O Ministério da Fazenda divulgou na última terça-feira uma lista com as empresas de apostas online que pediram à pasta autorização para operar no País. Desde esta data, apenas as bets que constam da lista estão autorizadas a continuar funcionando. As demais estão vetadas de oferecer apostas e permanecerão no ar até esta quarta-feira, dia 10, para que os clientes possam fazer a retirada dos seus valores. Mesmo após esse prazo, as empresas estão obrigadas a devolver as quantias, independentemente de estar fora do ar.
- No total, são 193 marcas de 89 empresas que estão autorizadas a operar nacionalmente. Além disso, há seis casas de apostas autorizadas pelos Estados do Paraná e do Maranhão a operar no limite de seus territórios. Outras sete, que foram credenciadas pela Loterj, o braço de loteria do governo do Rio de Janeiro, e estavam autorizadas a atuar nacionalmente por força de decisão judicial, tiveram a liminar cassada no sábado.

