Moody's piora perspectiva de rating do Brasil: e seus investimentos com isso?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos
Atualizado em
02/06/2025 às 11:37
Por Gustavo Boldrini e Patricia Lara, do Broadcast
São Paulo, 02/06/2025 - A agência de classificação de risco Moody´s mudou, em relatório na última sexta-feira (30), a perspectiva para a nota de crédito (rating) do Brasil de positiva para estável, alegando uma deterioração acentuada na capacidade do pagamento da dívida pública brasileira e redução de fatores positivos.
A Moody´s apontou a "rigidez" nos gastos obrigatórios do governo como um dos principais desafios do País na busca pela saúde fiscal, além do alto nível da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,75%, o que encarece os empréstimos.
"A capacidade do governo de reduzir substancialmente as vulnerabilidades fiscais e estabilizar o peso da dívida no curto prazo continua limitada pela rigidez dos gastos e pelo aumento dos custos dos empréstimos", pontuou a agência em relatório.
Qual é o atual rating do Brasil?
O rating do Brasil pela Moody's foi mantido em "Ba1". Essa nota, quando atribuída a um país, é chamada de rating soberano, já que busca averiguar a segurança dos títulos de dívida soberana emitidos por aquela nação.
A nota, que foi elevada pela Moody's em outubro do ano passado, é a última do conjunto de ratings chamado de "grau especulativo". Ou seja: ainda há chance de calote daquele emissor, no caso o País, apesar de não ser tão alto.
A nota Ba1 é a última antes do chamado "grau de investimento", que designa emissores de baixíssimo risco, cujos títulos são considerados 100% seguros para os investidores.
A mudança da perspectiva do rating de positiva para estável, no entanto, reduz drasticamente a chance de o Brasil ser elevado a grau de investimento nos próximos meses, segundo analistas consultados pelo Broadcast .
E nas outras agências?
Além da Moody's, o mercado costuma olhar para as notas de crédito de duas outras agências de classificação de risco: a S&P Global Ratings e a Fitch Ratings.
Em ambas as casas, a nota de crédito do Brasil é BB, com perspectiva estável, dois degraus abaixo do que elas consideram grau de investimento.
Qual é a relevância da perspectiva do rating?
Um rating é uma nota sobre capacidade de pagamento, e junto dele as agências de classificação de risco também costumam indicar uma perspectiva de longo prazo. Segundo a Moody's, essa perspectiva traz "opiniões relativas à provável direção dos ratings de um emissor no médio prazo, geralmente 18 meses".
Quando a perspectiva é positiva, presume-se que há indícios futuros de melhora do rating à frente. Estável, indica estabilidade no rating. E negativa, indica chance maior de redução da nota no futuro.
Como o rating soberano do País afeta os investimentos?
O rating soberano de um país é um dos indicadores olhados pelos investidores para avaliar as condições econômicas gerais daquele local. Um rating mais alto pode ser tanto um indicador de um ambiente econômico saudável, enquanto um rating mais baixo pode indicar problemas econômicos subjacentes e que podem desencorajar o investimento.
Isso afeta o apetite por risco, especialmente de investidores estrangeiros, em ativos daquele país. No caso do Brasil, presume-se que quando há um aumento do rating soberano, as ações que compõem o Ibovespa tendem a receber mais fluxo de compradores estrangeiros. Na outra ponta, cortes de rating podem induzir a vendas de ações. E isso tudo também vai impactar o câmbio, fortalecendo ou enfraquecendo o real ante o dólar.
O rating também pode influenciar a demanda internacional por títulos emitidos pelo governo, no caso do Brasil, o Tesouro Direto. E essa dinâmica pode influenciar os rendimentos dos contratos de Depósito Interfinanceiro, os chamados DIs, naquilo que conhecemos como curva de juros. Além de mexer com a marcação a mercado de títulos de renda fixa, os DIs também podem afetar o apetite por risco na Bolsa.
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