Microsoft rejeita reserva de Bitcoin apesar de 'lobby' de fundador da Microstrategy
Acionistas da Microsoft rejeitaram criação de reserva de Bitcoin, prática adotada em larga escala pela Microstrategy e por empresas de Elon Musk
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos
Atualizado em
11/12/2024 às 17:07
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
São Paulo, 11/12/2024 - Acionistas da Microsoft rejeitaram em reunião realizada ontem a proposta de criar uma reserva de Bitcoin no balanço patrimonial da companhia. A proposta tinha como um dos principais apoiadores o empresário Michael Saylor, fundador e presidente do conselho da Microstrategy, companhia conhecida por sua forte e crescente exposição ao BTC como reserva de valor.
Saylor fez uma apresentação durante a reunião tentando convencê-los a votar favoravelmente à proposta de criar uma reserva de Bitcoin como parte da estratégia de tesouraria da gigante de tecnologia.
O quadro de diretores da Microsoft se mostrou contrário à ideia, considerando-a "desnecessária" segundo relatos da imprensa americana, uma vez que a companhia já possui investimentos diversificados na área de tesouraria.
O caso Microstrategy
Um dia antes da reunião na Microsoft, a Microstrategy de Michael Saylor, que é outra gigante do setor de tecnologia dos Estados Unidos, anunciou um aumento nas suas reservas da criptomoeda, com a compra de US$ 2,1 bilhões em BTC na primeira semana de dezembro.
A Microstrategy é citada por analistas como uma das impulsionadoras do recente rali da criptomoeda, que é atribuído principalmente à eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos a partir do ano que vem.
Isso porque a companhia tem elevado significativamente sua exposição ao Bitcoin desde 2020, tornando-se hoje detentor de cerca de 2% do total de tokens presentes na rede - o que equivale a US$ 40 bilhões, de acordo com a Bloomberg
Como funcionam as reservas corporativas de Bitcoin?
Empresas - de capital aberto ou não - podem investir em determinados ativos para diversificar seu patrimônio e protegê-lo em momentos de turbulência. Trata-se de estratégias de tesouraria.
Esse investimento pode ser, por exemplo, em moeda estrangeira e em ativos de renda fixa. Recentemente, o Bitcoin surgiu como uma opção, diante do crescente interesse institucional pela criptomoeda e o ganho de relevância dela como reserva de valor.
A compra de Bitcoin pode substituir, por exemplo, aquelas operações de recompra de ações que companhias de capital aberto fazem, muitas vezes como uma forma de demonstrar ao mercado confiança no seu plano de negócios.
Michael Saylor chegou a afirmar na sua apresentação aos acionistas da Microsoft ontem, segundo relatos da imprensa americana, que a companhia fundada por Bill Gates perdeu US$ 200 bilhões em valor de mercado nos últimos cinco anos enquanto optou pelas tradicionais recompras de ações e pagamentos de dividendos ao invés de comprar Bitcoin.
Quais empresas têm reserva de Bitcoin?
A Microstrategy é o caso mais emblemático dessa prática hoje, mas há outros casos. O bilionário Elon Musk, assim com o Michael Saylor, também é um conhecido entusiasta das criptomoedas e adota a compra de bitcoins em suas empresas Tesla e SpaceX.
Outras companhias que possuem alguma reserva em Bitcoin são aquelas que atuam no próprio setor, como a Binance, Coinbase, a Robinhood e a Block.
Fora do setor cripto, há exemplos como a Semler Scientific, companhia de dispositivos médicos, e a Jiva Technologies, empresa de e-commerce de produtos de bem estar.

