Guerra no Oriente Médio: entenda efeitos no petróleo e nas ações da Petrobras (PETR4)
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
02/03/2026 às 11:14
Por Gustavo Boldrini e Gabriela da Cunha, da Broadcast
A eclosão de uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã no último sábado tem repercutido com força no mercado de petróleo, o que pode mexer com as ações da Petrobras (PETR4 e PETR3) ao longo dos próximos pregões.
Entenda a seguir o que está em jogo com o conflito, os efeitos sobre a commodity, e o que isso pode trazer de consequências para a maior estatal de óleo e gás da América Latina:
Petróleo Brent em disparada
O petróleo tipo Brent, referência para a Petrobras, opera em forte alta na manhã desta segunda-feira, diante dos riscos que o conflito no Oriente Médio apresenta para a oferta global da commodity. Vale lembrar que, com menos óleo no mercado, a tendência é de alta de preços.
O barril do Brent, negociado na Intercontinental Exchange (ICE) de Londres, chegou a tocar os US$ 80 mais cedo, o que não acontecia desde janeiro de 2025. Analistas do Citi projetam que a commodity deve ficar na faixa de US$ 80 a US$ 90 ao longo da semana, e depois cairá para cerca de US$ 70 com a redução da tensão.
No curto prazo, porém, a situação se agrava devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, no sul do Irã, por onde passam cerca de 20% do suprimento global de petróleo e gás natural.
Os preços do gás natural liquefeito (GNL) disparam 40% na Europa, e analistas do Goldman Sachs projetam que os preços da commodity no continente podem quase dobrar se o fluxo em Ormuz for totalmente interrompido por um mês.
Segundo informações da agência Reuters, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) pode considerar um aumento de produção maior do que o planejado em abril, depois que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos aumentaram as exportações em antecipação a uma possível interrupção nos mercados.
Entenda:
Como fica a Petrobras?
Os possíveis impactos nos fluxos de escoamento de petróleo pelo Estreito de Ormuz podem obrigar a estatal a reajustar todos os preços dos derivados, principalmente gasolina e diesel, na avaliação de Flávio Conde, líder da área de análise de ações da Levante Investimentos. Na última sexta, a companhia já havia anunciado um aumento de 9,4% no querosene de aviação (QAV).
"A dúvida é quanto desse aumento [do Brent] será repassado aos preços dos derivados", comenta Conde. O cenário, segundo ele, é de possíveis aumentos nos derivados, caso a tensão se prolongue por mais de uma semana, e o preço do petróleo se mantenha acima dos US$ 73.
A Petrobras tem mantido a postura de esperar de 30 a 45 dias para reajustar os preços dos derivados. Nos primeiros nove meses de 2025, as vendas resultaram em uma receita líquida de R$ 222 bilhões, mesmo em cenários de grandes flutuações do preço do petróleo, como no conflito entre Rússia e Ucrânia.
A política adotada pela administração da presidente da empresa, Magda Chambriard, busca evitar no mercado interno.
Nesta segunda-feira, perto das 10h45, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) saltavam 4,30%, a R$ 41,02, enquanto as ordinárias (PETR3) subiam 4,03%, a R$ 44,45.

