Conflito Israel-Irã dispara o petróleo: saiba como isso afeta os mercados
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos

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Atualizado em
13/06/2025 às 16:06
Por Gustavo Boldrini, Marcia Furlan e Denise Luna, da Broadcast
São Paulo, 13/06/2025 - O ataque de Israel a alvos no Irã ontem à noite, seguida de um retaliação dos iranianos nesta tarde de sexta-feira, trouxe um novo foco de tensão no Oriente Médio e abalou os mercados, levando as bolsas globais a recuarem e o petróleo a exibir fortes altas.
A seguir, entenda a origem do conflito, os possíveis desdobramentos e como ele pode mexer com os seus investimentos:
Na noite desta quinta-feira (12), forças de Israel realizaram um ataque aéreo a instalações militares em Natanz, no Irã, que culminou na morte de alguns membros da cúpula militar iraniana, dentre eles o chefe da Guarda Revolucionária do Irã, Hossein Salami, e o chefe das Forças Armadas, Mohammad Bagheri.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o país atacou a principal "instalação de enriquecimento nuclear em Natanz", bem como "os principais cientistas nucleares" do Irã. Ele culpou o programa de enriquecimento nuclear do Irã como uma ameaça para Israel.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que deu "chance após chance" para o Irã fechar um acordo a respeito da questão nuclear, e que os ataques aos iranianos "só vão piorar" nos próximos dias. Os EUA são os principais aliados de Israel no cenário geopolítico.
O Irã revidou os ataques, e tem intensificado mísseis sobre Tel Aviv, maior cidade de Israel, nesta tarde de sexta (noite no horário local). As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) afirmaram que "dezenas de mísseis adicionais foram lançados contra Israel". Segundo a defesa israelense, "todo o território de Israel está sob ataque". Mais cedo, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, prometeu vingança pelos ataques de Israel.
O ataque israelense ontem, que deflagrou o conflito, veio horas depois de os iranianos anunciarem a construção de uma nova usina de enriquecimento de urânio, em retaliação a uma declaração da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês), acusando o país persa de não cumprir com a obrigação de não proliferação de armas atômicas.
Oficialmente, a questão nuclear explica o acirramento das tensões entre Israel e EUA, de um lado, e o Irã do outro. Os iranianos mantêm um programa de enriquecimento de urânio que tem sido alvo de críticas por parte dos americanos e israelenses. Eles acusam o país persa de estar desenvolvendo armas nucleares.
O Irã sempre negou a intenção de construir bombas atômicas e afirma que suas instalações nucleares têm fins pacíficos, como produção de energia.
Em seu segundo mandato, Trump tem pressionado o Irã por um novo acordo nuclear, mas sem obter sucesso. Após o ataque israelense de ontem, o presidente americano subiu o tom das ameaças, afirmando que o Irã precisa assinar o novo acordo "antes que seja tarde demais".
As incertezas sobre a extensão do conflito levaram hoje as bolsas na Europa e na Ásia a registrarem perdas consideráveis. Em Nova York, o sinal também é negativo nos índices acionários, enquanto o ouro, conhecido por ser uma reserva de valor buscada pelos investidores em momentos de aversão a risco, avança.
Mas o petróleo é o principal ativo atingido pela questão geopolítica, uma vez que o Irã é um dos maiores produtores da commodity no mundo. Um conflito acentuado no país pode acarretar em pressão sobre a oferta do insumo, levando as cotações a subirem.
O Rabobank avalia em relatório que a commodity pode atingir os US$ 120 ainda neste ano, caso o conflito atinja o fornecimento de petróleo bruto, refinados e gás natural de produtores-chave como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar.
Para o ING, a commodity pode chegar a US$ 80, o que significaria mais alta para o dólar. "Se as tensões se transformarem em um conflito mais amplo e os preços do petróleo subirem ainda mais, deve haver mais espaço para a alta do dólar, que já está sobrevendido e fortemente subvalorizado no curto prazo", ressalta o banco holandês.
No Brasil, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) podem ser beneficiadas da escalada dos preços do petróleo. Perto das 15h20, os papéis da estatal avançavam em torno de 1,90%, ajudando a amenizar as perdas do Ibovespa, que recuava 0,50%.
A alta do petróleo no exterior alimenta esperanças de que a empresa possa pagar os dividendos extraordinários. Nos cálculos do analista Vitor Sousa, da Genial investimentos, se o petróleo se mantiver no patamar entre US$ 70 e US$ 75 o barril, essa é a tendência.
A possibilidade de dividendos extraordinários de estatais também foi mencionada ontem pelo ministro Fernando Haddad, como umas das medidas alternativas ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
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