Diversificação é o nome do jogo para navegar em períodos de incerteza, dizem especialistas
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
27/03/2025 às 13:56
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
São Paulo, 27/03/2025 - Tarifas, guerras, juros altos e falta de clareza sobre inflação e atividade econômica... todo investidor já está cansado de saber que o momento nos mercados globais inspira mais dúvidas do que certezas. O sentimento de cautela tem sido preponderante. Mas uma coisa é certa: uma carteira sortida continua sendo o melhor guia para navegar neste mar de incertezas.
Em evento promovido pela BB Asset em parceria com a Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (Abai) nesta quinta-feira, especialistas ressaltaram o papel da diversificação no atual momento dos mercados globais.
"A incerteza está e vai se manter elevada nos próximos meses. Na incerteza dá para ganhar dinheiro por meio de uma seleção cuidadosa de produtos. O momento é de oportunidades", afirmou Denison Martins, especialista de investimentos da BB Asset.
Ele ressaltou que não é possível prever momentos de crise econômica, mas é possível se preparar para a chegada delas -o que muitos investidores ainda relutam em fazer.
"Ainda vemos investidores que não querem diversificar, porque as crises, embora aconteçam, são eventos raros". E isso, segundo o especialista, leva muitos investidores a abrirem mão da busca pela diversificação.
O papel dos ETFs
Em momentos incertos, os fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês), também conhecidos como investimentos passivos, são ferramentas que podem ajudar o investidor no momento de diversificar sua carteira, de acordo com o especialista da BB Asset.
Henio Scheidt, gerente de índices da B3, avalia que os ETFs trazem quatro características importantes: transparência, eficiência, liquidez e baixo investimento mínimo.
"Hoje temos mais de 125 ETFs disponíveis na B3. Praticamente todas as gestoras brasileiras têm esse tipo de ativo no portfólio, o que ilustra bem o desenvolvimento desse mercado, mas ainda estamos abaixo do potencial que esse mercado representa", avalia Scheidt.
Segundo ele, apesar do crescimento nos últimos anos, o mercado de investimento passivo ainda é muito pequeno no Brasil, representando cerca de 0,7% do mercado de capitais local, contra 50% nos Estados Unidos e 30% na Europa.
Mercado americano
Cristopher Anguiano, product manager da S&P nos Estados Unidos, esteve no evento. Anguiano é um dos responsáveis pela formulação do índice S&P500, um dos principais indicadores das bolsas de Nova York.
O mercado de ações dos Estados Unidos, apesar do momento conturbado que vive neste ano em meio às incertezas sobre os impactos econômicos das políticas tarifárias do governo do presidente Donald Trump, segue sendo crucial para qualquer investidor que deseja diversificar seus investimentos, na avaliação de Anguiano.
"A composição do S&P 500 reflete não só a economia local americana, mas a dinâmica global de mercado, pois muitas empresas listadas têm presença no mundo. Então, se você pensa em diversificação, vai precisar olhar e ter exposição a empresas americanas", afirmou o especialista da S&P.
Ele ressaltou que, no universo da renda variável, sempre será possível obter bons retornos, independentemente do ciclo econômico. Afinal, há uma gama de setores dentro das bolsas que podem ser balanceados de acordo com o momento da economia.
"Existe uma série de oportunidades de investimento de acordo com os ciclos da economia e é importante mesclar os setores de acordo com esses ciclos", acrescentou Anguiano.
Olho no Vix
O índice Vix, medido pela S&P nos EUA, é o mais importante termômetro de volatilidade do mercado de ações. Aqui no Brasil, a B3 está completando um ano de lançamento do S&P B3 Ibovespa Vix, conhecido pela sigla VXBR, que tenta aplicar a metodologia do Vix americano ao mercado local, seguindo as características próprias da nossa Bolsa.
Segundo Henio Scheidt, gerente de índices da B3, o VXBR tem obtido cada vez mais a atenção dos profissionais de investimento e dos investidores como um todo. Futuramente há a possibilidade até do lançamento de produtos de investimentos ligados a esse índice.
"A gente pensa em lançar o Vix no mercado futuro. Depois lançar o ETF se tiver interesse do mercado. O investidor no geral quer ter exposição a isso. Mas ainda não há nada certo em torno desses produtos", ponderou Scheidt.

