Dinheiro parado não é uma opção: veja agora como começar a investir hoje
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
05/06/2025 às 16:33
Por Patrícia Queiroz, do Broadcast
São Paulo, 05/06/2025 - A caderneta de poupança ainda é o produto financeiro mais utilizado por quem decide economizar parte das receitas mensais, segundo aponta levantamento da plataforma de pesquisa online YouGov. Do total de 85 mil pessoas ouvidas, 28% indicaram esse tipo de investimento como o preferido.
Outros produtos financeiros, como seguros de vida, aplicações com isenção de Imposto de Renda e ações também foram listados, ainda que em menor escala: representaram 13%, 11% e 8% das respostas, respectivamente.
Ainda que a aposta em renda variável, por meio do investimento em carteiras de ações, por exemplo, tenha espaço menor entre as preferências das pessoas ouvidas no levantamento, 34% indicaram ter tolerância a níveis mais altos de risco.
"Os dados mostram que há espaço relevante para crescimento do mercado de capitais no Brasil, sobretudo com o avanço da educação financeira e a digitalização dos serviços", afirma David Eastman, diretor-geral da YouGov para a América Latina.
Segundo a pesquisa, 58% dos ouvidos dizem seguir um orçamento mensal e 64% não contam por enquanto com qualquer tipo de consultoria financeira profissional. Esse dado, segundo a YouGov, sugere uma lacuna importante na intermediação entre o potencial investidor, que possui alguma verba na receita mensal para aplicar e ainda não o faz, e os produtos financeiros que seriam mais adequados para o seu perfil.
Se você está entre as pessoas que possuem algum orçamento disponível, independente do valor, e ainda não sabe por onde começar, a economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, dá algumas dicas iniciais. Antes de mais nada, explica, é importante ter em mente que não existe uma regra única para ser utilizada quando o assunto é dinheiro.
1. Organize as contas
Uma diretriz bastante conhecida para a gestão de recursos pessoais é a regra 50-30-20, ela conta. Essa técnica propõe uma divisão estratégica da renda mensal com o objetivo de equilibrar responsabilidades financeiras, bem-estar e crescimento patrimonial.
Nesse sentido, 50% devem ser destinados ao pagamento de compromissos essenciais, como moradia e alimentação, 30% para qualidade de vida e experiências pessoais, como lazer, por exemplo, e os 20% restantes podem seguir para a construção de patrimônio e organização financeira.
"Mais importante que a quantia é a forma como a gestão financeira é feita. Quanto mais cedo o assunto fizer parte do dia a dia das famílias, maior é a chance de termos menos pessoas endividadas e com problemas no futuro", avalia.
2. Defina o prazo do investimento
Depois de definido o montante que vai ser usado - independente do valor - para poupar e investir em um projeto pessoal, como aquela viagem, a festa de casamento dos sonhos, educação dos filhos ou mesmo segurança financeira na aposentadoria, Lais Reis, estrategista de investimentos do Banco do Brasil, dá o caminho para um horizonte de curto a longo prazo.
"É importante compor uma reserva para ser usada em emergências, com aplicações em opções de baixíssima volatilidade e alta liquidez", diz.
A partir daí, em um panorama de 3 meses, sugere a estrategista, já é possível abrir mão de liquidez imediata em prol de uma rentabilidade melhor, com investimentos do tipo LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), por exemplo, mas se mantendo em opções de baixa volatilidade por conta do prazo curto.
"Quando o investidor puder manter a aplicação a partir de 6 meses, ainda que seja um prazo curto, é possível incluir uma pequena parte do valor reservado em um investimento com perfil multimercado, com volatilidade baixa para média, até 3%, buscando superar o CDI (Certificado de Depósito Interbancário)", orienta a estrategista do BB.
Se o investidor tem condições de alocar os recursos a partir de 1 ano, Lais explica que há várias possibilidades de investimento. "O que vai depender nesse caso é o objetivo. Se for uma viagem para o exterior, por exemplo, é possível dolarizar uma parte ou investir em euro, via fundos de investimentos, para garantir seu poder de compra nas moedas", diz, lembrando, de novo, que cada caso é único e precisa ser avaliado conforme o propósito e perfil de investidor.
3. Fique de olho na diversificação
Lais, do BB, acredita que para os que já possuem alguma experiência de investimento, inclusive via poupança, e gostaria de migrar para algo 'mais arriscado', o segredo é a diversificação.
O investidor pode usar parte do valor aplicado em poupança, por exemplo, e alocar em LCA ou LCI (Letra de Crédito Imobiliário). Ambos oferecem taxas de remuneração maiores e são isentos de Imposto de Renda, além de oferecerem liquidez após o período de carência.
"É a troca clássica e certa, recomendada para qualquer pessoa que tenha dinheiro em poupança. Depois, recomendamos uma diversificação conforme o perfil. Se for por fundos de investimentos, normalmente a porta de entrada são os fundos multimercados", diz a estrategista.
Já o ingresso em renda variável não exige um valor mínimo elevado, 'mas sim uma mentalidade de longo prazo e disciplina", avalia Marcela Kawauti, economista da Lifetime, segundo a qual a ideia de que é possível dobrar ou triplicar o patrimônio em curto prazo "é uma ilusão prometida por pessoas que não estão interessadas nas necessidades específicas de cada investidor".
Laís Reis, do BB, explica que, como não há valor mínimo específico para entrar nesse mercado (de ações), "é possível comprar, inclusive, lotes fracionados na bolsa ou aplicar a partir de R$0,01 em fundos de renda variável. Importante mesmo é não ultrapassar o porcentual máximo indicado para seu perfil".
4. Saiba qual é o seu perfil de investidor
Para Kawauti, da gestora Lifetime, o assessor financeiro pode ajudar a identificar o perfil com maior ou menor apetite pelo risco, os objetivos financeiros e o horizonte de tempo de cada pessoa em relação aos investimentos.
"Essa definição é fundamental para construir uma carteira de ativos alinhada com as expectativas e necessidades de cada um", diz.
É importante se conhecer, saber os seus limites e reações em relação à volatilidade dos ativos, para fazer escolhas que tragam rentabilidade e tranquilidade em relação a seus investimentos, defende Lais Reis, do BB. "Também é importante ter a certeza de utilizar uma instituição confiável, seja para te orientar ou gerir os recursos diretamente".
5. Informação é o segredo do negócio
Depois de escolher a gestora de investimentos que possa te auxiliar nesse processo, informe-se sempre. Há serviços de notícias, como o InvesTalk , que oferecem conteúdos diários com informações relevantes de mercado, de empresas e seus setores e que podem te ajudar na tomada de decisões, como Selic e inflação; comportamento das bolsas de valores e de seus índices, como o local Ibovespa; tipos de investimentos e suas rentabilidades etc.
"Compare a performance dos seus ativos com índices de referência, como o CDI, IPCA, Ibovespa, entre outros. Adote uma rotina mensal ou trimestral para revisar sua carteira, com apoio de uma assessoria especializada. Esse acompanhamento evita decisões reativas e permite ajustes estratégicos, sempre que necessário", diz Marcela Kawauti, da Lifetime.
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