BB-BI analisa a CTEEP sob a ótica do crédito privado
BB-BI analisa emissores de dívida
Publicado por: Análise BB

BB-BI analisa emissores de dívida
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
26/07/2024 às 15:42
A Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) está entre as maiores empresas no segmento de transmissão do setor elétrico brasileiro. A companhia atua em 18 estados do país e é responsável por cerca de aproximadamente 30% de toda a energia elétrica transmitida pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) e cerca de cerca de 95% da energia transmitida no estado de São Paulo.
O setor de transmissão de energia elétrica no Brasil é caracterizado por elevada previsibilidade de receita, uma vez que se baseia na disponibilidade das linhas de transmissão, independente do volume ou preço da energia transmitida. As concessões da companhia são remuneradas por uma RAP (Receita Anual Permitida) estabelecida previamente em contrato e reajustada anualmente por índices vinculados à inflação (principalmente ao IPCA).
Em junho de 2023, a Cteep conquistou 3 lotes em leilões de transmissão em linha com sua estratégia de expansão. A companhia possui atualmente 35 contratos de concessão, com 23 mil km de linhas de transmissão e 140 subestações e prazo médio de concessão de 22 anos. O maior risco para sua tese de investimentos concentra-se na fase de construção das linhas de transmissão, tanto pelas exigências regulatórias como pela alta necessidade de investimentos.

A Cteep reportou no 1T24 números positivos com EBITDA regulatório atingindo o volume de R$ 896,9 milhões, um aumento de 21,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, e margem EBITDA de 80,9%. A receita líquida regulatória alcançou R$ 1,1 bilhão (+24,3% t/t), impulsionada por novos projetos greenfield e reforços e melhorias, pelo reajuste inflacionário (IPCA) do ciclo tarifário 2023/2024 e, principalmente, pela recomposição integral da indenização RBSE (Receita Básica do Sistema Existente) a partir do 3T23 - parte das receitas da Cteep é oriunda da RBSE referente às concessões anteriores à 1998, que remunera os ativos existentes ainda não amortizados da época. A empresa já recebeu boa parte dos pagamentos desta indenização, mas ainda há parcelas a serem recebidas até jul/2028 (~R$ 6,0 bilhões no total). A receita líquida regulatória ex-RBSE foi de R$ 521,7 milhões no 1T24, ante R$ 511,9 milhões no 1T23, em alta mais modesta, (1,9%) na comparação anual decorrente dos novos projetos e reforços e do reajuste anual pelo IPCA.
Em relação ao endividamento, a dívida líquida da Cteep no 1T24 totalizou R$ 8,134 bilhões (não considerando a disponibilidade de caixa de empresas controladas), um aumento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este crescimento se deve, principalmente, (i) à captação da 15ª emissão de debêntures no montante de R$ 1,327,0 bilhões realizada no período, destinada a fortalecer o caixa para investimentos contínuos em expansão e manutenção e; (ii) atualização pelos índices ao qual as dívidas estão indexadas - a maior parte da dívida está atrelada a debêntures indexadas ao IPCA (59,9%) e a debêntures indexadas ao CDI (33,3%), com concentração de vencimentos no longo prazo (~97%). Em fevereiro, a companhia liquidou a 5ª Emissão de debêntures no valor aproximado de R$ 445,0 milhões. Considerando estes movimentos, o custo médio da dívida ficou em 10,5% a.a., ante os 11,0% a.a. do trimestre anterior - a redução se deve principalmente ao recuo do IPCA e CDI acumulado nos últimos 12 meses.
A companhia não possui mais emissões de debêntures com covenants financeiros, exceto contratos de financiamento com o BNDES no valor total de R$ 592 milhões que exigem que a alavancagem da companhia possua indicador dívida líquida/EBITDA <= 3,0x. Vale destacar, no entanto, que os contratos vinculados ao BNDES representam cerca de 5,7% do passivo da empresa. A relação dívida líquida/EBITDA da Cteep foi de 2,0x no primeiro trimestre de 2024, versus 2,5x registrados no ano anterior. A Cteep encontra-se em um ciclo de crescimento, com projetos focados no desenvolvimento de novas linhas de transmissão, reforços e melhorias nas concessões em operação, o que tem demandado uma alocação intensiva de capital. Como consequência, esses investimentos devem pressionar a alavancagem no curto prazo. A companhia possui capex previsto de ~R$ 5,0 bilhões nos próximos 5 anos em reforços e melhorias, e ainda possui 7 projetos greenfield em construção com investimento remanescente de aproximadamente R$ 10 bilhões, totalizando assim cerca de R$ 15,0 bilhões de investimentos previstos até 2028.
A entrada dos novos projetos em operação até 2029, visando recompor, ainda que parcialmente, a queda de receita decorrente do fim do pagamento de RBSE, deve impulsionar o crescimento de receita e manutenção da robusta geração de caixa da companhia, além de contribuir para a normalização dos indicadores de dívida no mesmo período. As métricas de crédito da Cteep (tabela abaixo) demonstram posição de liquidez e indicadores de capacidade de pagamento satisfatórios, com um nível de endividamento saudável e um histórico sólido de cumprimento de suas obrigações financeiras. Ainda, vemos que o EBITDA da companhia é suficiente para cobrir as despesas de juros inclusive após o dispêndio de capex, mitigando riscos mais relevantes em relação ao seu perfil de crédito.
Para saber mais sobre a CTEEP e seu setor de atuação, consulte o relatório de resultado do 1T24 e relatório Setorial de Utilities do BB-BI.
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.
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