BB-BI analisa o Grupo Carrefour Brasil (Atacadão S.A.) sob a ótica do crédito privado
Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB

Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
06/06/2025 às 08:10
O Grupo Carrefour Brasil (Atacadão S.A.), controlado pela Carrefour S.A., está no Brasil há 48 anos e é o maior grupo de varejo alimentar do país, com um faturamento superior a R$ 120 bilhões em 2024. No total, a companhia possui 1.000 pontos de venda espalhados por todo o território nacional, além de uma plataforma de_ e-commerce_ de estoque próprio (1P) e marketplace (3P) com mais de 5 mil parceiros cadastrados. No dia 25 de abril, foi aprovada em Assembleia Geral Extraordinária a reorganização societária para unificar as bases acionárias do Carrefour S.A. e do Atacadão S.A., tornando a empresa brasileira uma subsidiária integral do grupo controlador. Portanto, as ações CRFB3 serão deslistadas do Novo Mercado da B3 e os acionistas tiveram a oportunidade de escolher como seria feita a substituição dos papéis entre 3 opções dadas pela companhia (para saber mais detalhes da operação, acesse o Fato Relevante divulgado pela companhia no dia 25/abr). Com isso, a empresa espera ganhar agilidade nas decisões e simplificar seus processos e sua estrutura.
A companhia possui 4 grandes segmentos de atuação: Atacado, Varejo, Clube de Compras e Serviços financeiros. No Atacado, a bandeira é o Atacadão, que encerrou o 1T25 com 380 lojas e é o responsável pela maior parte do faturamento do grupo, fechando o último trimestre com R$ 20,7 bilhões de vendas brutas. Já no Varejo, a atuação é distribuída entre diversos formatos, como: (i) hipermercados (Carrefour), (ii) supermercados (Carrefour Bairro, Carrefour Market, Nacional e Super Bompreço), (iii) lojas de conveniência Carrefour Express, (iv) drogarias e combustíveis e (v) loja on-line através do site e do aplicativo da companhia. Esse segmento, que ao final de março possuía 528 unidades, é o segundo maior segmento da empresa e contabilizou R$ 6,4 bilhões em vendas totais no 1T25. O terceiro pilar é operacionalizado através da marca Sam’s Club, onde suas 51 lojas vendem produtos alimentares e não-alimentares para consumidores finais participantes do clube de compras, que vendeu um total de R$ 1,7 bilhão no último período. Em relação aos serviços financeiros, o Banco Carrefour oferece serviços de crédito por meios de cartões de crédito co-bandeirados Carrefour, Atacadão e Sam’s Club, além de seguros e crédito pessoal, entre outros.
No 1T25, esse segmento apresentou uma receita de R$ 1,6 bilhão. A companhia possui uma atuação bastante diversificada, é líder no setor em que atua, seus serviços financeiros e sua operação de lojas possuem grande sinergia, além de contar com uma presença omnicanal que fortalece seu modelo de negócios. Ao final de março de 2025, a companhia estava com uma alavancagem medida pela relação dívida líquida / EBITDA UDM* de 2,1x.

Ao final de março, a companhia apresentou aumento de 5,1% nas vendas líquidas na comparação anual, atingindo um total de R$ 26,1 bilhões, sendo R$ 18,8 bilhões provenientes de suas lojas de atacarejo, R$ 8,8 bilhões das unidades de varejo e R$ 1,5 bilhão, do clube de compras. As margens apresentaram queda no trimestre, com a margem bruta vindo em 19,8% (-0,6 p.p. a/a) e a margem EBITDA ajustada, em 5,6% (-0,1 p.p. a/a). Apesar da queda na rentabilidade, a companhia apresentou um lucro líquido de R$ 252 milhões, número 476,9% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Neste último trimestre, a companhia inaugurou 1 nova loja Atacadão orgânica e adicionou 1 atacado de distribuição à rede logística, ao mesmo tempo que fechou 8 lojas do segmento de supermercados e 1 drogaria. Em termos de vendas digitais, o e-commerce do Grupo foi responsável por 11,2% das vendas, apresentando um forte crescimento de GMV de 28,9% a/a, atingindo um patamar de R$ 3,1 bilhões. Somente no 1P alimentar (vendas on-line de estoque próprio), o crescimento foi de 65,6%, totalizando R$ 1,9 bilhão em vendas. Em relação ao Banco Carrefour, o faturamento foi de R$ 17,8 bilhões, com crescimento de 12,1%a/a, especialmente impactado pelo crescimento no faturamento dos cartões Atacadão e Carrefour. Além disso, a carteira de crédito fechou o trimestre em R$ 29,0 bilhões, um incremento de 16,2% quando comparado ao mesmo período de 2024.
No 1T25, a dívida bruta da companhia foi de R$ 19,6 bilhões (ex-arrendamentos) e, com uma posição de caixa e equivalentes de caixa de R$ 5,5 bilhões, a dívida líquida foi de R$ 13,4 bilhões, sendo que, considerando recebíveis descontados, essa linha sobe para R$ 15,7 bilhões. Importante mencionar que a companhia não possui covenants financeiros atrelados a seus empréstimos e captações, entretanto, sua relação dívida líquida / EBITDA ajustada UDM (ex-arrendamentos e ex-recebíveis descontados) é de 2,1 x. Apesar de não considerarmos o patamar baixo e destacar seu aumento progressivo nos últimos anos, entendemos que o índice ainda se mantém sob controle.
Após a aquisição do Grupo Big em 2022, a dívida da companhia teve um incremento bastante relevante - especialmente a de curto prazo – o que entendemos ser um ponto de atenção dado o cenário de altas taxas de juros como o atual, com impacto negativo na linha de resultado financeiro, podendo até mesmo inviabilizar outros investimentos importantes para a operação da companhia. Outro fator importante para as empresas do setor supermercadista é a escalada da inflação de alimentos, que tem ocorrido com mais força desde o ano passado. O encarecimento exacerbado de produtos, mesmo que sejam de bens essenciais como os que o Grupo comercializa em sua maioria, afeta a decisão de compra dos consumidores e pode prejudicar a rentabilidade da companhia caso não seja possível repassar esses aumentos. Sob a ótica de crédito privado, é relevante mencionar o fechamento de capital da empresa no Brasil. Este movimento pode trazer melhores perspectivas, considerando que o controlador tem acesso a captação de recursos mais baratos que os disponíveis no país. Para saber mais sobre o setor de atuação da empresa, acesse nosso relatório setorial de varejo.
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.
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