Como o rebaixamento do rating dos EUA pela Moody's afeta os investimentos?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
19/05/2025 às 11:32
Por Aline Bronzati e Gustavo Boldrini, do Broadcast
Nova York, 19/05/2025 - O rebaixamento da nota de crédito soberano dos Estados Unidos pela agência Moody's na última sexta-feira (16) deve elevar a pressão para a maior economia do mundo cortar gastos e trazer consequências para o mercado financeiro, em especial o de títulos de dívida.
O movimento pode ampliar os impactos da guerra comercial no mercado de Treasuries, que são os títulos do Tesouro dos EUA, levando investidores globais a exigirem mais prêmio para financiar a dívida da maior economia do mundo. Esse movimento pode mexer com os mercados tanto de Nova York quanto do restante do mundo.
Por que a Moody's rebaixou o rating dos EUA?
A agência Moody's rebaixou o rating de crédito dos EUA de AAA (o chamado "Triple A") para AA1. Ao perder o status 'AAA' pela Moody's, os Estados Unidos deixam um seleto grupo que inclui a União Europeia, Canadá e Alemanha, juntando-se a países como Áustria e Finlândia, que também são classificados com 'Aa1' pela agência.
A Moody's foi a última grande agência de classificação de risco a tirar os EUA da lista de Triple A, após as concorrentes S&P, em 2011, e a Fitch, em 2023.
"Esse rebaixamento reflete o aumento, ao longo de mais de uma década, na dívida pública e nas taxas de pagamento de juros para níveis significativamente mais altos do que os de dívidas soberanas com classificações semelhantes", justificou a Moody's.
Como o rebaixamento impacta os investimentos?
Investidores avaliam que o rebaixamento da Moody's pode amplificar os estresses gerados pelas tarifas do governo Trump nos Treasuries, contaminando ainda mais o sentimento do mercado já abalado por expectativas de um maior endividamento e uma inflação ainda elevada nos EUA.
Na prática, isso significa que eles poderiam exigir mais prêmio para financiar a dívida pública americana, de cerca de US$ 36 trilhões. O aumento dos rendimentos dos Treasuries, que ainda são considerados os títulos mais seguros do mundo, pode ampliar a aversão dos investidores a ativos de risco, como ações, inclusive de países emergentes, como o Brasil.
"Embora tenha sido um movimento em grande parte simbólico, o rebaixamento da Moody's, bem como o andamento de um projeto de lei em Washington prometendo grandes cortes de impostos, lançaram um clima sombrio sobre os mercados no início da semana", afirma Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell.
As bolsas de Nova York abriram em baixa nesta segunda-feira (19), refletindo a cautela após o rebaixamento do rating dos EUA. Perto das 11h10 (de Brasília) o índice Nasdaq caía 0,42%, o S&P 500 recuava 0,33% e o Dow Jones tinha leve perda de 0,06%.
Algumas ações das big techs americanas se destacam entre as baixas, uma vez que o avanço nos rendimentos dos Treasuries pode pressionar os custos de captação de recursos por parte dessas companhias que possuem altos investimentos em inovação. Há pouco, os papéis da Tesla caíam 3,74%, enquanto Apple derretia 2,68%.
"Embora o rebaixamento da Moody's seja histórico e atraia a atenção, seu impacto no mercado provavelmente será contido", reforça o presidente da Queen's College e conselheiro econômico chefe da Allianz, Mohamed El-Erian.
Orçamento dos EUA é aprovado com mais gastos
O Comitê de Orçamento da Câmara dos Estados Unidos aprovou neste domingo o pacote orçamentário que o presidente Donald Trump chamou de "Beautiful Bill". A medida passou com 17 votos a favor e 16 contra e deverá ser submetida ao plenário da Câmara ainda nesta semana.
O projeto estende permanentemente cortes de imposto de renda aprovados durante o primeiro mandato de Trump, em 2017, e adiciona reduções temporárias de taxas sobre gorjetas, horas extras e juros de financiamentos de veículos.
O texto também propõe grandes aumentos de gastos para segurança nas fronteiras e defesa.
O Comitê para um Orçamento Federal Responsável, grupo apartidário de fiscalização fiscal, estima que o projeto de lei irá adicionar cerca de US$ 3,3 trilhões à dívida pública americana na próxima década.
Em 2011, quando a S&P deu o primeiro downgrade no rating dos EUA, os efeitos da decisão foram limitados. Depois, em 2023, a decisão da Fitch também não trouxe impacto. O Barclays não espera uma venda forçada de Treasuries no mercado na esteira da decisão da Moody's.
O que é rating soberano?
Um rating é uma nota sobre capacidade de pagamento. Em português, também podemos utilizar a expressão "nota de crédito" para designá-lo. Ele é dado por uma agência independente especializada neste tipo de trabalho. Quando esse rating é atribuído a um país, é chamado de rating soberano, já que busca averiguar a segurança dos títulos de dívida soberana emitidos por aquela nação.
Essa nota é fruto de uma avaliação que leva em conta diversos fatores, como o crescimento da economia daquele país, seu comércio exterior, sua estrutura de arrecadação de tributos e de gastos, entre outros. Como esses fatores mudam, as notas também podem mudar.
Quando a agência vê grande chance de mudança em um prazo de alguns meses à frente, ela coloca um sinal de perspectiva, positiva ou negativa, e se considera que não haverá alteração de curto prazo, a perspectiva é estável. Quando a mudança de rating realmente ocorre e é para melhor, então, é chamada de upgrade. Quando é para pior, é um downgrade.
Como o rating do país afeta a bolsa?
Em geral, o rating de um país é o limite máximo para uma nota de crédito internacional das empresas com sede naquele país. Há poucas exceções, como as de empresas com operações e ativos relevantes em outros países mais bem classificados.
Assim, quando uma agência dá um upgrade em um rating soberano, normalmente, pode anunciar upgrades também nos selos de bom pagador para empresas daquele país nos dias subsequentes, e as ações tendem a subir. Com um downgrade, acontece o mesmo em sentido contrário. Ou seja, as ações tendem a cair junto com rebaixamentos nos ratings.
Invista com o app Investimentos BB

