Como o ataque dos EUA à Venezuela mexe com os investimentos por aqui?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
06/01/2026 às 12:28
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
O ano não começou tranquilo para os investidores. Logo no terceiro dia de 2026, uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela mostrou que este deve, novamente, ser de noticiário intenso e novos paradigmas geopolíticos globais.
A invasão americana, realizada na madrugada do último sábado (3), culminou na captura e prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro, reacendendo preocupações sobre a segurança da América Latina diante das instabilidades causadas pela agenda do governo Donald Trump.
Para quem investe, neste momento, todo cuidado é pouco. A seguir, entenda como a invasão dos EUA à Venezuela pode mexer com os investimentos, seja na Bolsa brasileira, em ativos no exterior ou nos juros e dólar:
Petróleo em foco
A Venezuela tem as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo. Não à toa, a commodity tem sido apontada como fator crucial para entender a operação americana. Não apenas especialistas, mas o próprio presidente Trump tem deixado claro o objetivo de abrir a exploração de óleo da Venezuela por empresas americanas.
Nos próximos dias, os preços do barril da commodity - tanto Brent quanto WTI - tendem a ficar voláteis. Se você tem papéis da Petrobras (PETR4) ou de outras petroleiras brasileiras na carteira, como Prio (PRIO3) e Brava Energia (BRAV3), vale a pena ficar atento às movimentações do setor.
Afinal, se por um lado a invasão à Venezuela impulsiona o prêmio de risco geopolítico no preço do óleo, por outro, a perspectiva de aumento na oferta com a abertura do mercado de petróleo venezuelano pode trazer um efeito de baixa para o barril.
Para as petroleiras americanas, até então, os últimos acontecimentos foram recebidos com otimismo pelos investidores. Nesta manhã de segunda-feira, perto das 10h20 (de Brasília), os papéis das gigantes Chevron e ExxonMobil subiam, respectivamente, 6,06% e 2,75% no pré-mercado de Nova York.
Como podem ficar o dólar e os juros?
Alguns analistas têm apontado que um dos objetivos do governo Trump ao tentar aumentar o poder de influência sobre a América Latina tem a ver com a manutenção do dólar como moeda internacional de referência.
Ou seja, contra a tendência da chamada desdolarização, com negociações entre países utilizando moedas alternativas, como o yuan chinês e o rublo russo.
Num primeiro momento, a invasão já tem se refletido no preço da divisa americana. Há pouco, o índice DXY, que mede a força do dólar ante moedas de países desenvolvidos, subia 0,44%, a 98,853, e o dólar à vista avançava 0,40% ante o real, a R$ 5,4473.
Os ganhos do dólar têm levado a uma alta nos rendimentos dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), uma vez que a curva de juros, em momentos de volatilidade ou incertezas, tende a seguir o comportamento da moeda americana.
Além disso, o câmbio é um fator de pressão inflacionária no Brasil. Portanto, a alta do dólar traz consigo uma perspectiva de juros mais altos no País.
Invista com o app Investimentos BB

