Como diversificar uma carteira com ETFs? Veja as dicas de quem entende do mercado
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
16/09/2025 às 16:29
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 16/09/2025 - Diversificação é fundamental para qualquer investidor, independente do seu perfil de risco e do seu patrimônio. E os fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) são ferramentas que podem ajudar a atingir esse objetivo, segundo especialistas.
Dados recentes da B3 mostram que o patrimônio dos ETFs atingiu R$ 65,14 bilhões em agosto no Brasil, e que esses produtos contavam com 817 mil investidores - de todas as classes - no fechamento do mês.
Apesar das cifras, eles ainda estão abaixo do seu potencial no País, de acordo com analistas. A avaliação leva em conta que, no mundo, essa indústria já superou os US$ 15 trilhões em ativos, segundo dados da Bloomberg Intelligence.
"Na minha opinião, temos uma longa estrada a percorrer por aqui com a indústria de ETFs. Temos no nosso planejamento essa evolução", afirmou o superintendente de supervisão de investidores institucionais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marco Velloso, durante o evento ETF Week, promovido hoje pela B3.
A seguir, confira como os ETFs podem ser utilizados como ferramenta de diversificação na carteira do investidor pessoa física, de acordo com especialistas do setor:
Solução para problemas de portfólio
Os ETFs oferecem opções para resolver diferentes problemas dos portfólios dos investidores, segundo Cauê Manaçares, CEO da gestora Investo. "Se existe uma questão no seu portfólio, você precisa avaliar como usar o ETF para resolvê-la, levando em conta que cada ativo tem seu propósito", disse.
No universo dos ETFs de renda fixa, por exemplo, o executivo cita aqueles ligados aos índices pós-fixados, que podem resolver problemas de caixa e liquidez, aqueles ligados à inflação, que protegem o patrimônio ao longo do tempo, e ainda os de crédito privado, que trazem mais risco, mas podem ser uma opção para quem busca ganhos acima do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).
- Na avaliação de Paulo Sampaio, diretor da S&P Dow Jones Indices, uma das principais tendências para o mercado de ETFs no Brasil hoje é a busca por fundos que possuam diferentes estratégias dentro do mesmo ativo.
"Uma das coisas que vemos como tendência é o mix de diferentes estratégias no mesmo ativo. Por exemplo, um ETF que segue o S&P 500, mas com alguma posição de hedge [proteção]. É algo que pode ser flexível para o investidor em geral", afirmou Sampaio.
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E os ETFs de cripto?
Os ETFs também têm sido amplamente utilizados para o investidor que quer expor parte do seu patrimônio ao mercado de criptomoedas, em meio à consolidação, em especial do Bitcoin (BTC), como um ativo de proteção semelhante ao ouro e ao dólar.
Muitas vezes, porém, é difícil saber por onde começar, sem contar o receio que ainda existe sobre o universo dos ativos digitais. E é aí que pode entrar a estratégia de ETFs.
"Diferentemente da compra direta em exchanges, que não são totalmente reguladas e exigem conhecimento técnico, um ETF listado na B3 passou por análises da CVM e da própria Bolsa antes de ser aprovado. Traz mais conforto e segurança", comentou Theodoro Fleury, gestor e diretor de investimentos da QR Asset Management.
Para onde vai o mercado de ETFs no Brasil?
Segundo Marco Velloso, da CVM, o órgão regulador do mercado brasileiro tem o interesse em impulsionar a indústria de ETFs e ampliar as opções para o investidor.
"A nossa percepção interna é que o produto no Brasil está defasado em relação às características e ao diapasão que há no exterior. Temos a intenção de trazer ETFs ativos, inversos e alavancados. Quero trazer para cá tudo que tiver lá fora", disse.
ETFs ativos
Hoje, o mercado brasileiro possui apenas ETFs de gestão passiva, que buscam replicar o desempenho de um índice específico. O lançamento dos ETFs ativos, que possuem uma gestão focada em superar o desempenho de um índice ou atingir outros objetivos específicos, já poderia ter sido feito no País, segundo Velloso, da CVM, mas o mercado está cauteloso em relação a este tipo de produto.
"A estrutura atual da resolução CVM 175 permitiria que ETFs ativos funcionassem hoje. No entanto, o regulador não dá passos sem ouvir o mercado, e o nosso, por enquanto, escolheu o caminho da cautela para liberar esses ativos", contou o superintendente.
Como investir em ETFs?
Os ETFs são negociados em bolsa de forma semelhante a uma ação, com um ticker formado por quatro letras e dois números. Ao comprar um ETF, o investidor está se expondo à variação do benchmark daquele fundo, isto é, o seu índice de referência.
Existem os de renda fixa e os de renda variável, cada um possui uma gestora e segue regras específicas. Por isso, antes de investir, é necessário se atentar às especificidades de cada ativo e avaliar se faz sentido na sua estratégia.
Confira a lista dos ETFs listados na B3: <
Confira a lista:
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