Com queda recente, a Bolsa ficou barata para o investidor pessoa física?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
20/08/2026 às 11:48
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 20/08/2026 - A Bolsa brasileira vive o momento mais turbulento dos últimos tempos, após o Ibovespa acumular 11 quedas consecutivas ao longo de agosto e cair cerca de 6% no mês.
Para o investidor pessoa física, isso pode sinalizar uma oportunidade de entrada no mercado de ações, uma vez que os ativos ficaram mais baratos? Ou ainda é cedo para sair da segurança da renda fixa e aumentar as apostas na renda variável?
Para Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, a queda recente do Ibovespa deixou o índice em níveis técnicos atrativos e "faz sentido considerar posicionamento em ações nos preços atuais", mas "é provável que demore um pouco para o fluxo voltar e para a Bolsa retomar uma trajetória de alta".
"Em resumo, a Bolsa está barata, mas falta força compradora para puxar o mercado. Os institucionais estão pouco alocados em renda variável, afinal, é difícil competir com juros em dois dígitos, e, por isso, estão majoritariamente posicionados em renda fixa (inflação e CDI+). Já o investidor estrangeiro, por enquanto, parou de comprar Brasil em renda variável", avalia.
O momento, portanto, ainda sugere cautela para o investidor pessoa física menos experiente, na avaliação de Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing. Afinal, é necessário estar preparado para a volatilidade dos ciclos, tendo em vista uma estratégia de médio e longo prazo.
"Não considero que este seja o melhor momento para investidores, sobretudo iniciantes, que podem não ter clareza e acabar comprando empresas com espaço para cair ainda mais. Como eles tendem a não sustentar perdas no médio e longo prazo e muitas vezes não entendem ciclos de recuperação, é comum comprarem hoje, verem o papel cair mais nas semanas seguintes e venderem no prejuízo - para depois assistirem de fora a uma eventual retomada", alerta.
Quais setores têm as melhores oportunidades?
Os especialistas destacam setores mais sólidos, especialmente de commodities e utilidades públicas, como as melhores oportunidades na Bolsa no atual cenário.
"Faz sentido olhar para empresas com maior geração de caixa, especialmente neste ambiente econômico mais desafiador. Aqui entram as utilities, que tendem a oferecer mais previsibilidade de resultados e de geração de caixa - como energia elétrica e saneamento", aponta Rafael Passos, da Ajax Asset.
O analista também cita companhias que podem se beneficiar de uma possível queda dos juros futuros, caso o Banco Central continue o processo de flexibilização da taxa Selic.
"Nesse contexto, o setor imobiliário pode voltar a ganhar tração, especialmente os shoppings, que costumam apresentar resultados mais resilientes, além de construtoras mais expostas ao Minha Casa Minha Vida", acrescenta.
Para Felipe Sant'Anna, da Axia Investing, há oportunidades em "em boas ações brasileiras, em setores como petróleo e energia, além de infraestrutura". Segmentos que, segundo ele, possuem mais perspectiva de geração de caixa.
"Por outro lado, eu evitaria setores como varejo e aviação, que estão mais desgastados e sofrem mais com juros altos e com o cenário econômico", acrescenta o especialista.

