Bitcoin segue renovando recordes após eleição de Trump: será que chega aos US$ 100 mil?
Especialistas avaliam se rali da criptomoeda é duradouro ou fruto de especulação
Publicado por: Broadcast Exclusivo
3 minutos
Atualizado em
14/11/2024 às 21:51
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
São Paulo, 14/11/2024 - O bitcoin segue renovando máximas e atinge um ganho superior a 30% desde a vitória de Donald Trump, do Partido Republicano, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, na semana passada. Nesta quarta-feira (13), a principal criptomoeda do mundo superou pela primeira vez a marca simbólica de US$ 90.000 e renovou sua máxima histórica aos US$ 93.434,36.
Além da eleição de Trump, a vitória de dezenas de candidatos ao Congresso americano apoiados por grupos de investidores cripto alimentaram o impulso ao BTC. Alguns traders consultados pela Dow Jones Newswires já estão apostando que o bitcoin chegará a US$ 100 mil antes do final do ano.
Mas o ativo é conhecido por sua volatilidade. O BTC já teve períodos de alta nesta quinta-feira, pela manhã, quando operava no nível de US$ 91 mil, em uma alta de mais de 4%, mas às 14h rondava US$ 89,2 mil, queda de cerca de 3,5% nas últimas 24 horas.
- A dúvida que fica é: o rali do bitcoin tem sustentação ou é só fogo de palha?
Até onde vai o rali do Bitcoin?
O rali do Bitcoin nos últimos dias tem fatores técnicos por trás mas também um movimento forte de especulação, segundo João Canhada, fundador da Foxbit. Ele cita um alto volume de contratos futuros de compra de bitcoin em aberto, o que indica um mercado otimista, mas também de alta volatilidade.
"Mesmo com esse aumento da especulação, a demanda pelo BTC não parece estar sendo reduzida. Isso tende a equilibrar o jogo e mitigar um pouco esses solavancos de preço, mantendo uma perspectiva de alta mais saudável. Mas sempre lembrando que correções [baixas de preço] são importantes neste processo e vimos pouco disso até agora", afirmou.
Há fatores além da simples euforia com a eleição de Trump que ajudam a explicar o atual momento do bitcoin, como avalia Guilherme Nazar, vice-presidente regional da Binance para a América Latina. Segundo ele, além das quedas de juros recentes nos Estados Unidos, Europa e China que ajudaram a manter a demanda por ativos digitais em alta, outro elemento importante é o apetite do mercado financeiro tradicional pelas criptomoedas.
"O lançamento de fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin em janeiro nos Estados Unidos ampliou a participação institucional no mercado de criptomoedas, já que esses ETFs foram lançados por pesos pesados financeiros como BlackRock e Fidelity, juntamente com outras sete empresas de gestão, capturando forte interesse e empurrando a criptomoeda ainda mais para os portfólios convencionais", apontou.
Julia Rosin, líder de políticas públicas da Bitso Brasil, avalia que, para além da conjuntura atual, "é importante saber como a economia americana se desenvolverá nos próximos meses, em um contexto global de eventos geopolíticos em andamento e de grande relevância". O que parece inevitável, segundo ela, é que as criptomoedas "serão cada vez mais relevantes na economia em escala global", e que hoje "o verdadeiro risco parece estar em ficar fora dessa tendência".
Por outro lado, o time de analistas do UBS Wealth Management ainda vê o BTC como um ativo especulativo, mesmo com as promessas de Donald Trump de apoio à criptoeconomia. "Estamos céticos de que os ativos cripto possam fazer incursões significativas em casos de uso reais e disruptivos, e eles podem aumentar significativamente a volatilidade de uma carteira", aponta o banco em relatório.
Segundo o UBS, é melhor se expor a ações do setor de tecnologia. Recentemente, o banco elevou sua previsão de avanço dos lucros globais do setor para 2024 de 20% para 22% e de 16% para 18% para 2025. "Acreditamos que investidores de longo prazo devem aproveitar a volatilidade tecnológica do curto prazo para construir uma exposição importante em inteligência artificial", diz o relatório.
O que esperar do governo Trump para as criptomoedas?
Para além do discurso pró-cripto, investidores aguardam por medidas concretas do governo eleito nos EUA em torno deste mercado. A elaboração de um marco regulatório "claro e favorável aos criptoativos" pode incentivar mais investidores a participarem do mercado, avalia Fabricio Silva, COO do Allintra. "Além disso, iniciativas governamentais que fomentam a adoção do Bitcoin, como a consideração já feita por Trump de ter reservas nacionais em criptomoedas, poderiam aumentar significativamente a demanda e a confiança no ativo, impulsionando seu valor", acrescenta.
Um outro fator bastante comentado é a questão de quem presidirá a Securities and Exchange Comission (SEC), equivalente à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, órgão que regula o mercado de capitais, uma vez que o atual presidente Gary Gensler deve renunciar ao cargo. Com a maioria do Partido Republicano no Senado, a aprovação de um nome mais amigável ao mercado cripto seria possível, segundo Julia Rosin, da Bitso Brasil.
Um ambiente regulatório mais flexível aos criptoativos é "um território fértil para o desenvolvimento financeiro e tecnológico" neste mercado, abrindo espaço para que mais empresas e investidores institucionais participem dele, na avaliação de João Canhada, da Foxbit, o que seria um fator de mudança de jogo ("game-changing"), segundo ele. "Mas, as promessas de Trump foram feitas em um ambiente de campanha. Resta saber se elas serão cumpridas durante seu mandato. E isso, claro, vai trazer oscilações no desempenho do ativo", pondera.

