Bitcoin em queda livre? Entenda as perspectivas para a criptomoeda
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
21/11/2025 às 16:39
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
Após um ano marcado por recordes, o Bitcoin (BTC) passa por um momento de fortes baixas, acumulando uma queda de mais de 60% nos últimos dois meses. A principal criptomoeda do mundo saiu da faixa dos US$ 125 mil, recorde atingido no começo de outubro, para os US$ 94 mil perto das 14h (de Brasília) desta segunda-feira, segundo cotação da Binance.
O índice Fear and Greed, calculado pela Coin Market Cap, mostra que o clima é de extrema cautela no mercado cripto, com uma pontuação de 17 na leitura de hoje - o indicador vai de 0 a 100, sendo 0 o nível mais intenso de aversão às criptomoedas e 100 o clima de maior apetite pelos ativos digitais.
Afinal, por que o Bitcoin se desvalorizou nas últimas semanas e quando ele pode voltar a subir? Confira a seguir o que pensam especialistas ouvidos pela Broadcast :
Por que o Bitcoin está caindo?
O movimento de baixa do BTC nas últimas semanas está muito ligado ao ambiente macroeconômico global, com a chance cada vez maior de o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manter a taxa de juros do país inalterada na reunião de dezembro, de acordo com Julián Colombo, diretor sênior de políticas públicas e estratégia para a América do Sul na Bitso.
"Em momentos assim, parte dos investidores realiza lucros, reduz exposição e busca ativos considerados mais seguros no curto prazo. Além disso, depois de um rali tão forte no início do ano, é natural que o mercado passe por períodos de correção e consolidação", avalia Colombo.
No mesmo sentido, o diretor de novos negócios da QR Asset Management, Murilo Cortina, destaca que a chance de o Fed cortar os juros em setembro era de 95% há algumas semanas e caiu para menos de 50% na semana passada, diante da cautela com a divulgação de dados econômicos que ficaram represados devido à paralisação (shutdown) de 43 dias do governo americano.
"Essa reversão abrupta de expectativa funcionou como um gatilho importante para o aumento da aversão ao risco e para a correção mais ampla dos ativos, incluindo cripto, que no curto prazo segue muito sensível a qualquer mudança nos preços dos juros futuros", pontua o especialista.
Bitcoin é bolha?
Momentos como o atual levam muitas pessoas a contestarem os fundamentos do mercado cripto. Afinal, o Bitcoin é uma bolha do mercado financeiro, que subiu bastante em um momento de euforia e vai explodir, causando prejuízos para quem investiu na alta?
Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o momento é de cautela, mas não de pânico. Segundo ele, caso o BTC seja mesmo um caso de bolha, o movimento de correção do ativo é importante.
"O Bitcoin acelerou a queda, deu um susto, e isso é muito bom porque pode ser que a bolha não esteja estourando, apenas murchando", analisa o economista. Ele interpreta a retração como uma renovação de liquidez, na qual o mercado se livra de excessos, forçando investidores alavancados a venderem, mas sem indicar uma perda de confiança fundamental no ativo.
Quando o Bitcoin vai voltar a subir?
Para o longo prazo, as perspectivas para o BTC seguem positivas, avalia Julián Colombo, da Bitso, uma vez que, segundo ele, não houve uma alteração estrutural no caso de investimento e uso da criptomoeda.
"A adoção institucional segue crescendo, o mercado de ETFs continua forte e os fundamentos da rede permanecem sólidos. Ou seja, é uma fase típica do ciclo, e não uma reversão estrutural", comenta o especialista.
Para Murilo Cortina, da QR Asset, o movimento de correção é natural após um halving, evento vivido pelo BTC em abril do ano passado que cortou pela metade a oferta do criptoativo. Ele lembra ainda que o mercado pode continuar baixista em um mês de menor liquidez, como dezembro.
"Na própria trajetória do Bitcoin, há padrões históricos que se repetem: após o halving, movimentos de pico seguidos de correções mais acentuadas não são exceção. Isso sugere que podemos enfrentar semanas de maior volatilidade, ainda mais considerando que dezembro costuma ser um mês menos líquido", afirmou.
É hora de comprar Bitcoin?
Momentos de baixa nos ativos costumam ser vistos como oportunidade de compra por muitos investidores. Mas será que é o caso do Bitcoin?
Segundo o economista Charles Mendlowicz, é importante que o investidor veja momentos de crise em um ativo como oportunidade, mas mantendo a calma e focando em bons investimentos. "Se você começou a investir há pouco tempo, a melhor coisa que pode acontecer é uma crise, porque os ativos vão desabar 20%, 30%, 40%, 50%, e você vai investir bem", diz.
Para Julián Colombo, da Bitso, é importante que o investidor "mantenha uma visão de longo prazo e evite decisões baseadas apenas no movimento de curto prazo", uma vez que as correções são naturais do ciclo do BTC.
"O importante é lembrar que a tese de longo prazo do Bitcoin - proteção contra inflação, facilidade de transferência global e um ativo realmente escasso - continua intacta", acrescenta.
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