Bets: Crédito encolhe e atrasos crescem após a primeira aposta, mostra estudo
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
10/09/2026 às 11:26
Por Patrícia Queiroz, da Broadcast
São Paulo, 10/09/2026 - As apostas online são um fenômeno de massa no País e, ao que tudo indica, têm relação direta com o maior endividamento das pessoas.
Dados do estudo Apostas online e dificuldades financeiras: evidências do Brasil, elaborado pelo Insper, mostram o impacto que as bets tiveram nas contas de apostadores entre janeiro de 2024 e abril deste ano.
Com base em informações colhidas junto ao Banco Central (BC), os pesquisadores Rômullo Carvalho, Sérgio Firpo, Guilherme Freitas e Pedro Scatimburgo identificaram o momento em que foi feito um primeiro depósito em uma plataforma de apostas e acompanharam a evolução financeira daquele apostador.
Foram comparados mais de 338 mil novos apostadores no período com 3,69 milhões de pessoas que nunca foram observadas aportando dinheiro nas bets.
De acordo com o levantamento, quem começou a apostar aumentou a probabilidade de inadimplência em quase 20%, tendo a taxa de atraso no pagamento do cartão de crédito em cerca de 39% em relação aos níveis anteriores à entrada nos jogos.
Na pesquisa, fica claro ainda que a entrada nas bets costuma vir acompanhada de piora no orçamento e no relacionamento com o sistema financeiro.
Mais inadimplência, menos limite, menos fôlego
Se, na média, as bets elevam as chances de inadimplência, os bancos também reagem: o limite total de crédito para os apostadores caiu 16% depois do início das apostas, em um sinal de que esse público passa a ser visto como o tipo de cliente mais arriscado.
O impacto das apostas ainda foi visto na liquidez do dia a dia. A pesquisa estima que a variação mensal do saldo em conta corrente recuou, ao menos, 43% após o começo das transferências para casas de aposta, o que indicaria menos margem para despesas básicas e imprevistos, apontam os pesquisadores.
Dinheiro que sai e não entra
O estudo também sugere que as bets podem parecer um tentativa de "virada" dos apostadores, especialmente quando a situação financeira já piorou. Segundo os dados, houve aumento de 2,6% nos jogos após aquela pessoa entrar em inadimplência.
Outro dado revelador diz respeito à dinâmica das transações, já que nove em cada dez apostadores sacaram menos recursos do que depositam nas bets.
"É dinheiro que sai e, na maioria dos casos, não volta. O sinal de alerta é simples: se a aposta começa a consumir uma fatia relevante das saídas mensais, o efeito pode aparecer em cadeia, com menos saldo, atraso nas contas, piora no score financeiro e corte dos limites bancários", avaliam os pesquisadores.

