Azul (AZUL4) pede recuperação judicial nos EUA: o que esperar das ações da companhia?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos

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Atualizado em
28/05/2025 às 11:57
Por Gustavo Boldrini e Elisa Calmon, do Broadcast
São Paulo, 28/05/2025 - A Azul (AZUL4) anunciou nesta quarta-feira que protocolou um pedido de Chapter 11, processo equivalente à recuperação judicial, na Justiça dos Estados Unidos. A notícia já era aguardada pelo mercado, que agora olha para os próximos passos da companhia, os impactos nas suas ações e se isso vai afetar ou não a fusão com a Gol (GOLL4), cuja intenção foi anunciada por ambas em janeiro deste ano.
Agora, a Azul se torna a quarta empresa aérea de forte atuação no Brasil a pedir o Chapter 11. Antes dela, passaram pelo processo a colombiana Avianca, a chilena Latam e a própria Gol, que sairá do processo no início de junho.
As ações preferenciais da Azul operam em forte queda no início do pregão e chegaram a cair mais de 10% na abertura. Após leilão, o papel reduziu o ritmo de queda, recuando 1,87% às 10h33, a R$ 1,05.
O Chapter 11 é um mecanismo presente no Código de Falências dos Estados Unidos que permite a reestruturação financeira de empresas em dificuldades. É um processo semelhante à recuperação judicial feita pela Justiça brasileira, mas que pode ser uma alternativa para empresas brasileiras com presença ou ativos nos EUA.
O processo da Azul contempla aproximadamente US$ 1,6 bilhão em financiamentos, eliminação de mais de US$ 2,0 bilhões em dívidas e previsão de até US$ 950 milhões em novos aportes de capital no momento da saída do Chapter 11, segundo a empresa.
A aérea destaca que garantiu um financiamento DIP (do inglês Debtor-in-Possession Financing) de aproximadamente US$ 1,6 bilhão de parceiros financeiros. O DIP é um financiamento prioritário previsto no sistema americano que permite à empresa devedora obter liquidez - ou seja, dinheiro em caixa - durante o processo de recuperação, garantindo a continuidade das atividades.
"O sistema americano oferece mecanismos mais previsíveis e eficientes de proteção patrimonial, centralização de discussões com credores globais e acesso ao DIP, um financiamento prioritário que seria muito mais complexo de implementar no Brasil", avalia o especialista.
A pandemia de Covid-19 e o encarecimento das operações, com as altas do petróleo e do dólar nos últimos anos, trouxeram dificuldades para o setor aéreo. Tanto que a Azul tinha sido a única das três gigantes da aviação brasileira (além dela, Latam e Gol) que ainda não havia pedido o Chapter 11.
Embora o pedido de recuperação judicial nos EUA tenha sido negado em diversas ocasiões pelo CEO da Azul, John Rodgerson, o processo voltou a ser uma possibilidade para a companhia diante da piora da situação financeira da companhia, como adiantou o Broadcast em abril deste ano.
No balanço do primeiro trimestre, o indicador de alavancagem da empresa, que mede a relação entre a dívida líquida e o lucro operacional (Ebitda), subiu para 5,2 vezes, de 4,9 vezes no final de 2024 e bem acima do que estava há um ano, em 3,7 vezes. A dívida bruta da companhia aérea encerrou março em R$ 34,6 bilhões, crescimento de 42% em 12 meses.
A Azul prevê que o Chapter 11 permita uma desalavancagem significativa. A estimativa da aérea é que a alavancagem caia de 5,1 vezes para 3 vezes com o processo. Para 2026, estima que o indicador desacelere para 2,2 vezes, enquanto deve atingir 1,7 vez em 2027.
Em janeiro, a Azul assinou com a Abra, controladora da Gol, um memorando de entendimentos (MoU) não vinculante com o objetivo de explorar uma combinação de negócios das duas companhias aéreas no Brasil.
A previsão era que as negociações andassem após o fim do Chapter 11 da Gol, em junho, mas o pedido da Azul pode colocar o processo em xeque. Contudo, a expectativa é que os esforços da Azul se concentrem agora no processo de recuperação financeira.
Os papéis da Azul iniciaram o dia em forte baixa, enquanto investidores digerem o anúncio do Chapter 11 e prováveis impactos nas perspectivas da empresa.
Apesar de representar uma certa esperança na melhora de indicadores financeiros, um pedido de recuperação judicial levanta algumas incertezas sobre o futuro da companhia, o que aumenta a percepção de risco nas ações. A ação da Gol (GOLL4), por exemplo, acumula perda de 25% desde que anunciou o pedido de Chapter 11, no final de janeiro.
Além disso, a B3 poderá retirar a Azul do Ibovespa e de outros índices, como ocorreu com ação PN da rival Gol dias após anunciar o Chapter 11, em janeiro deste ano.
Isso porque o Manual de Definições e Procedimentos dos Índices da Bolsa brasileira prevê que ativos em recuperação judicial devem ser negociados em "condições especiais", o que impede de fazer parte dos índices.
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