Agências de risco veem Galípolo compromissado com controle da inflação
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos

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Atualizado em
09/10/2024 às 14:23
Por Aline Bronzati, do Broadcast
Nova York, 09/10/2024 - As principais agências de classificação de risco do mundo estão concedendo uma espécie de benefício da dúvida ao futuro presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. O cenário-base de Fitch Ratings, Moody's e S&P Global Ratings é o de que ele deve manter política monetária consistente com o foco de conduzir a inflação à meta de 3,0% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.
Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o nome de Galípolo foi aprovado no Senado ontem (9/10), após sabatina, por 66 votos a cinco no plenário. Ele deve assumir o comando da autoridade a partir de 2025, substituindo Roberto Campos Neto, que foi colocado no BC pelo então presidente Jair Bolsonaro.
"Achamos que Galípolo merece todo o benefício da dúvida, como alguém que, ao liderar do Banco Central, vai manter o forte compromisso que se baseia na forma como votou e em muitas declarações públicas que deu recentemente", disse o diretor sênior de Soberanos na Fitch Ratings, Todd Martinez, em entrevista ao Broadcast .
Segundo ele, uma mudança na liderança do BC pode trazer algumas diferenças de pensamento. Mas, na sua visão, não há nada que leve a crer que Galípolo terá um menor comprometimento com a estrutura de metas de inflação do Brasil do que o seu antecessor, Campos Neto.
"Nosso cenário base é de que o Banco Central continuará mantendo a sua política monetária baseada nos dados e consistente com o objetivo de levar a inflação à meta de 3% ao ano", afirmou o diretor e analista líder da S&P Global Ratings para Brasil, Manuel Orozco.
Ele apontou que a manutenção da independência do BC na condução da política monetária pode beneficiar o rating do Brasil, que tenta recuperar o grau de investimento, perdido em 2015.
Relembre: Gabriel Galípolo reforça compromisso com autonomia do Banco Central: entenda o conceito
Martinez, da Fitch, lembra que foi exatamente a influência política no Banco Central um dos pontos que custaram ao Brasil o grau de investimento no passado. "Houve deterioração fiscal, escândalos de corrupção que acabaram sendo um grande choque, especialmente para o setor de construção. E uma reviravolta muito clara na política monetária, provavelmente devido à influência política", diz.
De lá para cá, o País percorreu um longo caminho para restaurar a credibilidade fiscal e melhorar suas finanças públicas. Em termos de fortalecimento da política monetária, o diretor da Fitch reconhece um "tremendo avanço" no Brasil, primeiro na gestão de Ilan Goldfajn e, depois, com Campos Neto. "Hoje, sem dúvida, o Banco Central do Brasil é uma espécie de bastião de credibilidade", afirma Martinez.
Para a vice-presidente da Moody's para risco soberano, Samar Maziad, o BC tem mostrado um histórico de compromisso em cumprir a meta de inflação, e a expectativa é que isso não mude com a troca de comando da instituição. "Compartilho da visão de que o Banco Central construiu um histórico de compromisso com o controle da inflação, e veremos isso continuar com um novo presidente", disse, em recente conversa com jornalistas.
De acordo com ela, esse é o cenário base da Moody's. "Não acho que veremos uma mudança na política ou no foco em atingir a meta de inflação", avaliou na ocasião.
A Moody's decidiu elevar o rating do Brasil, de 'Ba2' para 'Ba1', e deixou o País a um passo de retomar o grau de investimento, perdido em 2015.
A decisão foi vista pelo mercado como "muito otimista", mas a agência voltou a cobrar maior esforço fiscal do País durante o período de 12 a 18 meses, que é o tempo que a classificadora pode voltar a dar um novo veredicto sobre o perfil de crédito do País, como mostrou o Broadcast.
Por sua vez, a S&P atualizou em junho o seu cenário base para o Brasil, mantendo o rating em 'BB', com perspectiva estável. No mesmo mês, a Fitch Ratings reafirmou o rating do Brasil em 'BB', também com perspectiva estável. Em ambos os casos, a nota soberana brasileira está a dois degraus de distância do selo de bom pagador de dívidas.
Tanto a Fitch quanto a S&P veem a Selic em 11,25% no fim de 2024. Para 2025, a primeira projeta a taxa em 10,5% e a segunda em 10,25%. Martinez, da Fitch, admite riscos de alta na projeção da agência para os juros ao fim deste ano.
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