Klabin (KLBN11) 4T25: BB-BI analisa resultado e mantém preço-alvo e recomendação
A Klabin reportou um resultado em linha com o esperado, com lucro operacional resiliente e novo recuo na alavancagem financeira
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
20/02/2026 às 13:04
A Klabin reportou um resultado em linha com nossas estimativas no 4T25, com o incremento de volumes e manutenção de margens na comparação anual, apesar dos menores preços de celulose no período e dos efeitos da realização de paradas programadas no período.
No segmento de celulose, a melhora do cenário — impulsionada principalmente pela recuperação da demanda na China — contribuiu para a elevação dos preços da fibra curta, embora ainda permaneçam abaixo na comparação anual. Já as cotações de fibra longa e fluff seguiram em trajetória de queda, resultando em uma redução de 8% a/a no preço médio líquido da celulose em US$. O forte volume de vendas, mesmo diante das paradas programadas para manutenção no 4T25 (que, no ano anterior, ocorreram no 3T), compensou parcialmente a pressão negativa dos preços. Por outro lado, essas paradas impactaram adversamente os custos de produção, conforme esperado, efeito que foi intensificado pelo aumento dos custos logísticos e de insumos químicos.
O segmento de papéis teve incremento de 4% a/a no volume de vendas, impulsionado principalmente pelas exportações, tanto de kraftliner como de papel-cartão. Em termos de preços, a categoria de papel-cartão manteve-se resiliente, refletindo a atuação da companhia em mercados de nicho, enquanto a categoria de containerboard foi pressionada pelos menores preços no mercado externo.
Por fim, no segmento de embalagens, o volume total de vendas recuou 2,0% a/a, refletindo a queda na categoria de sacos industriais, que embora tenha se beneficiado de uma melhora no ambiente de construção civil e cimento no mercado interno, foram impactadas pelas medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, que afetaram as exportações. Já as vendas na categoria de papelão ondulado mantiveram-se estáveis a/a, em linha com o mercado.
Com relação aos custos, houve nova redução de 2% a/a no custo caixa total por tonelada, que ficou em ~R$ 3,4 mil/ton no 4T25, enquanto no ano de 2025 ficou em ~R$ 3,2 mil/ton, dentro do da companhia para o ano.
Como resultado de todos esses fatores, o ajustado consolidado e a margem EBITDA ajustada mantiveram-se estáveis a/a, em R$ 1,8 bilhão e 35%, respectivamente. O resultado financeiro foi negativo em R$ 707 milhões (ante R$ 884 milhões negativos no 4T24), o que resultou em um lucro líquido de R$ 168 milhões (-69% a/a).

permanece estável e alavancagem recua
A dívida bruta apresentou incremento de R$ 0,9 bilhão em relação ao 3T25 e ficou em R$ 36,8 bilhões, refletindo os efeitos da variação cambial sobre as dívidas em moeda estrangeira. A posição de caixa avançou R$ 1,2 bilhão e atingiu R$ 10,7 bilhões, refletindo o recebimento do último aporte do Projeto Plateau, de R$ 1,2 bilhão, além de R$ 300 milhões advindos da operação para exploração imobiliária e arrendamento de terras. Assim, a dívida líquida ficou praticamente estável em relação ao 3T25 em R$ 25,9 bilhões, e a alavancagem financeira medida em US$ recuou para 3,3x dívida líquida/ ajustado (ante 3,6x no 3T25), tendo acumulado redução de 0,6x ao longo de 2025 e se afastado do limite estabelecido na política de endividamento da companhia (de 3,9x em US$).
Vale mencionar que, no 4T25, o fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 644 milhões (ante R$ 699 milhões positivos no 3T25), em razão de maior desembolso para investimentos (R$ 1 bilhão, praticamente o dobro do 3T25), sobretudo para as manutenções no período, ficando dentro do de para o ano de 2025, em R$ 2,9 bilhões. Para 2026, a companhia espera um aumento desde montante, para R$ 3,3 bilhões, diante de maiores desembolsos para continuidade operacional, e para os anos seguintes, a expectativa é de redução gradual do valor total até atingir a faixa de R$ 2,0 a 2,5 bilhões por ano no longo prazo.
Papéis no campo positivo no acumulado de 2026, mas desempenho seguem abaixo do Ibovespa
As da Klabin acumularam queda de 19% em 2025, e apesar de estarem no campo positivo neste início de 2026 (+5,7% até o fechamento de ontem (10), permanecem abaixo da performance do Ibovespa no período (+15,4%). Entendemos esse desempenho reflete a expectativa de resultados mais fracos para as empresas do setor diante da continuidade da retração da taxa de câmbio (-5,3% desde o início do ano), bem como de preços de celulose ainda pressionados.
Em nossa opinião, apesar desses fatores, a Klabin tem apresentado bons resultados consolidados, com margens equilibradas e números robustos. Esperamos continuidade de resultados positivos à frente, diante da expectativa de um cenário de mercado ligeiramente mais positivo, e favorecidos pela diversificação de negócios e mercados de atuação da Klabin, o que, em conjunto com as estratégias para a redução do endividamento, deverão suportar a continuidade da redução da alavancagem financeira.
Além disso, a companhia pretende manter um elevado nível de retorno aos acionistas, tendo distribuído R$ 1,2 bilhão de dividendos no ano de 2025, respeitando os limites estabelecidos em sua política. Nessa linha, vale mencionar que em dezembro/25 foi anunciada a aprovação da distribuição de dividendos de R$ 1,1 bilhão (~R$ 0,91/unit, que representam um de 5,1% sobre a cotação média de KLBN11 em 2025), a serem pagos em 4 parcelas ao longo de 2026, sendo a primeira no próximo dia 27/02 – os papéis já estão sendo negociados ex-dividendos desde 16/12/25. Além disso, foi realizado o aumento de capital de R$ 800 milhões a partir da capitalização de reservas de lucros, que gerou a emissão de novas ações e bonificação na proporção de 1% (1 nova ação/unit recebida a cada 100 ações/units detidas), que foram creditadas aos acionistas em 22/12/2025. Ambas as medidas foram tomadas diante da alteração da legislação na legislação do imposto sobre a renda.
Por fim, diante da forte desvalorização das ações, a companhia segue negociada a um EV/ com desconto de 17% em relação à média histórica, que, em conjunto com os demais pontos comentados anteriormente, nos leva a manter a recomendação de Compra e o preço-alvo de R$ 25,74 para KLBN11.


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