Hapvida (HAPV3) 4T25: Negativo; pressão operacional, sem inflexão na dinâmica assistencial
A sinistralidade contrariou a sazonalidade histórica de redução no último trimestre do ano
Publicado por: Análise BB

A sinistralidade contrariou a sazonalidade histórica de redução no último trimestre do ano
Publicado por: Análise BB
Atualizado em
19/03/2026 às 12:40
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A Hapvida divulgou resultados fracos no 4T25, em nossa opinião, com receita líquida totalizando R$ 7,9 bilhões (+5,9% a/a), sustentada principalmente por reajustes de preços nos planos de saúde, em um contexto de retração da base de beneficiários e maior competição em determinadas praças. O EBITDA ajustado foi de R$ 713,8 milhões, com retração de 32,8% na comparação anual, impactado pela manutenção de níveis elevados dos custos assistenciais.
A sinistralidade caixa (MLR) atingiu 75,5% no 4T25, com aumento de 0,2 p.p. em relação ao 3T25 e de 4,5 p.p. na comparação anual, contrariando a sazonalidade histórica de redução no último trimestre do ano.
A dívida líquida encerrou o período em R$ 5,2 bilhões (+21,9% t/t), refletindo menor posição de caixa, influenciada pela menor geração operacional e por saídas relevantes, entre elas os investimentos na rede própria e a recompra de ações. O índice de alavancagem também apresentou aumento, em função de uma base menor de EBITDA ajustado UDM.



A receita bruta totalizou R$ 8,23 bilhões no 4T25 (+5,2% a/a), composta por R$ 7,78 bilhões em planos de saúde (+5,5% a/a), R$ 230,4 milhões em planos odontológicos (-0,8% a/a) e R$ 224,0 milhões em serviços médico-hospitalares (+1,4% a/a). Em planos de saúde, o desempenho refletiu o avanço do ticket médio (+6,6% a/a), que, apesar da venda de um mix de produtos mais verticalizados e acessíveis, foi apoiado por reajustes médios de +6,9% a/a, o que compensou parcialmente a redução de aproximadamente 140 mil beneficiários (-1,6%), tanto na comparação anual quanto sequencial, com reduções líquidas em todas as modalidades nos estados da região Sul e em São Paulo, refletindo um ambiente mais competitivo.
A sinistralidade caixa (MLR), que representa o custo assistencial efetivo, contrariou a tendência sazonal histórica de redução em relação ao terceiro trimestre e registrou aumento de 0,2 p.p., atingindo 75,5% (+4,5 p.p. a/a). Além de uma desaceleração mais tardia do padrão sazonal previsto para o último trimestre do ano, a companhia também associou esse aumento à incorporação de custos assistenciais da rede credenciada relacionados aos atendimentos realizados no trimestre anterior, e à expansão recente da rede própria, que segue pressionando a eficiência operacional no curto prazo, com unidades ainda em fase inicial de maturação.
O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 337,2 milhões, 4,9% menor em relação ao 3T25. Mesmo com redução das receitas financeiras (-14% t/t) em função do menor volume de caixa médio aplicado e menor número de dias úteis no período, as despesas financeiras também foram inferiores (-9,5% t/t), beneficiadas, entre outros fatores, pela não recorrência de eventos registrados no trimestre anterior, como a atualização monetária relacionada ao SUS, oriunda das cobranças retroativas da NDI Saúde, bem como encargos de JCP.
O EBITDA ajustado totalizou R$ 713,8 milhões (-32,8% a/a), com margem de 9,0% (-5,2 p.p. a/a), e o lucro líquido ajustado registrou R$ 180,6 milhões (-64,9% a/a), com margem líquida ajustada de 2,3% (-4,6 p.p. a/a).
Ao final de 2025, a companhia registrou dívida líquida de R$ 5,2 bilhões (+21,9% t/t) e alavancagem financeira, medida pelo indicador dívida líquida/EBITDA ajustado UDM, de 1,32x, representando uma alta de 0,32x em relação ao trimestre anterior. O prazo médio e o custo da dívida tiveram pequenas variações na comparação sequencial, passando de 3,9 para 4,0 anos e de CDI + 1,31% a.a. para CDI + 1,11% a.a., respectivamente.

Até o último fechamento (18/3), as ações HAPV3 registravam queda acumulada de 76,8% nos últimos 12 meses, em contraste com a alta de 36,6% do Ibovespa no mesmo período. A divulgação de resultados do 3T25 abaixo das expectativas, com sinalização de margens pressionadas por mais alguns trimestres, desencadeou uma série de revisões e rebaixamentos por parte do mercado. Iniciativas como o aumento do programa de recompra, o incremento da participação dos controladores e movimentações em posições estratégicas da governança não foram suficientes para reverter a percepção desfavorável. Em 2026, as ações seguem sob forte pressão, destoando do apetite ao risco observado no mercado doméstico, onde o Ibovespa acumula alta de 11,5% no ano, enquanto as ações HAPV3 recuam 44,3%.
Incorporamos os resultados do 4T25 ao nosso modelo e revisamos premissas operacionais com base no desempenho observado ao longo de 2025, sobretudo quanto à dinâmica da base de beneficiários, custos assistenciais e despesas, o que resultou em um preço‑alvo de R$ 16,00 para o final de 2026. Apesar do elevado potencial de valorização implícito, mantemos recomendação neutra, refletindo uma visão restritiva no curto prazo, diante das limitações à retomada das margens, dependente, entre outros fatores, da entrega e maturação dos investimentos em expansão e qualificação da rede própria, necessários para fortalecer a competitividade e respaldar o crescimento da base de beneficiários em um cenário de elevada pressão concorrencial.
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