Tarifas dos EUA contra a Europa voltam ao radar com pressão sobre Groenlândia: entenda
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos

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Atualizado em
19/01/2026 às 14:15
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
O tema das tarifas comerciais voltou a dominar o noticiário econômico global nesta segunda-feira e mexer com os mercados, derrubando as bolsas europeias e levando o ouro e a prata a novos recordes.
O movimento se deu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar países europeus com sobretaxas em meio ao plano de adquirir ou anexar o território da Groenlândia, que pertence à Dinamarca.
No fim de semana, Trump afirmou em redes sociais que pretende impor tarifas de 10% sobre produtos fabricados da França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos, Noruega, Suécia, Finlândia e da própria Dinamarca a partir de 1º de fevereiro. O grupo de oito países já se manifestou contra a intenção do governo americano de tomar a Groenlândia.
O presidente dos EUA afirmou ainda que, caso seu desejo de adquirir a ilha não seja atendido, as tarifas podem ser elevadas para 25% a partir de 1º de junho.
As ameaças repercutem nos mercados financeiros nesta sessão. Com as bolsas de Nova York e o mercado de Treasuries fechados devido ao feriado de Martin Luther King nos EUA, os índices acionários europeus caíram em bloco, e as cotações do petróleo também recuam, diante de temores de uma nova escalada tarifária que possa trazer desaceleração econômica global.
Por outro lado, metais preciosos como ouro e prata avançam e renovam recordes, uma vez que esses ativos são utilizados como ferramenta de proteção em ambientes de aversão a risco. Mais cedo, o contrato futuro do ouro negociado na Comex, em Nova York, bateu a marca histórica de US$ 4.698 por onça-troy, enquanto a prata renovou recorde aos US$ 94,36 por onça-troy.
A gigante ilha da Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, tem sido alvo do governo Trump desde sua posse, em janeiro de 2025. Muita coisa está em jogo com essas ameaças, que têm saído do campo da retórica e se mostrado cada vez mais reais.
Analistas geopolíticos têm citado a importância da região do Ártico como uma rota de navegação alternativa. Neste sentido, a Groenlândia é vista pela administração dos EUA como estratégica para marcar a posição do país nesse oceano.
Segundo Trump, a ilha é estratégica para os Estados Unidos, que precisam dela para fins de "segurança nacional", diante de uma suposta atuação de Rússia e China na região.
No entanto, as ameaças do republicano esbarram em uma contradição: a Dinamarca, que controla a ilha, é um dos países fundadores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar da qual os EUA faz parte. E os dinamarqueses, bem como aliados europeus, já se mostraram contrários tanto à anexação quanto à aquisição do território por parte dos americanos.
As tensões entre os EUA e seus aliados têm crescido. Países da Otan, como Alemanha e França, anunciaram o envio de militares à Groenlândia sob liderança dinamarquesa, enquanto os EUA já mantêm uma base no território. Trump insiste, porém, que a segurança da ilha exige uma postura mais firme de Washington.
Neste domingo, embaixadores dos 27 países da União Europeia realizaram uma reunião de emergência na Bélgica com o objetivo de formular uma resposta comum à ameaça de Trump de impor tarifas sobre oito países do bloco como forma de pressão por um acordo pela anexação da Groenlândia.
Os países europeus criticaram duramente a iniciativa do líder americano e afirmaram que as ameaças de taxação "minam as relações transatlânticas e arriscam uma perigosa espiral descendente".
Dentre as possíveis medidas de retaliação da UE, está a imposição de tarifas de 93 bilhões de euros sobre produtos americanos ou a restrição do acesso de empresas dos EUA ao bloco.
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