Como investir no mercado de ouro e por que é considerado como proteção (hedge)
Entenda por que o ouro é tido como ferramenta de reserva de valor e segurança contra a inflação
Publicado por: Broadcast Exclusivo
3 minutos
Atualizado em
09/07/2025 às 14:22
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
Investir em ouro é uma estratégia antiga e conservadora, utilizada para proteger o patrimônio, seja da inflação seja das oscilações da economia. Prova disso é que a cotação do metal vem negociando perto de máximas históricas nos últimos três anos, quando o mercado de capitais viveu momentos de grande volatilidade e incerteza, como a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia.
Hoje, o investidor que quer ter parte de seu patrimônio atrelado ao metal precioso possui opções que vão muito além da compra do ouro físico para guardar em um cofre. É possível investir em contratos futuros de ouro, fundos de índice (ETFs) e até fundos de investimento que têm o metal como base do seu patrimônio.
Por que o ouro é reserva de valor?
O ouro foi um dos primeiros metais preciosos conhecidos pela humanidade e um dos grandes pilares da construção da economia global. Isso porque, até o início dos anos 1970, o metal era a base da cotação do dólar americano, ou seja, servia de lastro para a moeda que se tornou referência de troca mundial especialmente após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Com o fim do chamado padrão dólar-ouro, em 1971, o dólar se tornou uma moeda fiduciária, isto é, que tem seu valor baseado na confiança que os agentes de mercado têm em quem a emite - no caso, o Federal Reserve, banco central dos EUA. A política monetária do Fed, e não mais o ouro, passou a ser determinante para o valor da moeda, o que levou diversos países do mundo a adotarem o regime de câmbio flutuante, em que o valor da divisa americana passou a oscilar de acordo com a demanda.
Para o ouro, isso significou que o metal também não estaria mais associado à moeda americana e à política monetária do Fed, podendo também ter seu preço definido pela dinâmica de oferta e procura no mercado.
Por não ser mais atrelado ao dólar, o ouro também se tornou resiliente à inflação, sendo utilizado por muitos investidores como uma forma de proteger seu patrimônio, uma estratégia conhecida como hedge .
Em momentos de maior volatilidade e incertezas no mercado de ações, espera-se que a cotação do ouro suba, já que mais investidores vão buscar essa proteção. Conforme o apetite por risco volta, o ouro tende a cair.
Qual é a cotação de referência do ouro?
Hoje, a cotação de referência do ouro no mercado internacional é o contrato futuro do metal negociado na Comex, uma das divisões da New York Mercantile Exchange (Nymex). A medida-padrão do ouro é a onça-troy, que equivale a 31,1 gramas. Outra forma de acompanhar a cotação do ouro em relação ao dólar é no Forex, mercado de câmbio global, onde o metal é identificado pela sigla XAU. Assim, a relação entre ouro e dólar (USD) é identificada pela sigla XAU/USD.
Como investir em ouro?
Uma maneira tradicional de se investir em ouro é comprá-lo na forma física junto a algum banco ou instituição financeira, o chamado ouro escritural.
É possível investir em fundos que aplicam em ouro, como o Fundo Multimercado Ouro, da BB Asset, que busca acompanhar o valor do mercado do metal precioso protegendo o investidor de eventuais perdas com a variação cambial.
Uma outra opção é investir em ouro por meio de ETFs, que são fundos que buscam acompanhar a variação de algum índice. O ETF IAU, gerido pela BlackRock e listado na Bolsa de Nova York, é um dos mais famosos do mundo. No Brasil, é possível investir no BIAU39, um BDR (Brazilian Depositary Receipt), que replica a movimentação deste ETF.

