O que é hiato do produto e como ele é utilizado na política monetária
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos
Atualizado em
10/01/2025 às 14:41
Por Gustavo Boldrini e Daniela Amorim, do Broadcast
São Paulo, 09/01/2025 - O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro está crescendo acima da sua capacidade produtiva há sete trimestres consecutivos. No terceiro trimestre de 2024, o chamado hiato do produto, indicador que reflete essa condição, ficou positivo em 4%, resultado mais elevado em quase três décadas, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), obtidos com exclusividade pelo Broadcast .
O crescimento do hiato do produto pode gerar pressões inflacionárias, e este foi um dos motivos pelos quais o Banco Central decidiu a intensificar o aperto monetário, elevando a taxa Selic para 12,25% ao ano na última reunião, de dezembro de 2024.
- A última vez em que o hiato esteve mais positivo que o atual foi no primeiro trimestre de 1995, em 5,5%, segundo o estudo, conduzido por Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV, e pela pesquisadora Elisa Andrade.
Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central ressalta que "os vetores inflacionários se intensificaram desde a reunião anterior, como hiato do produto mais positivo". O cenário fez o Copom já contratar mais duas altas de 1 ponto porcentual para as primeiras reuniões deste ano.
Se por um lado uma economia aquecida é algo positivo por gerar mais empregos, por outro lado, economistas de mercado cobram do governo ajustes nas contas públicas para equilibrar a economia, reduzir a pressão sobre a demanda e permitir um crescimento sustentável.
O que é o hiato do produto?
O hiato do produto é um indicador muito utilizado por economistas para realizar análises sobre a conjuntura econômica e também por bancos centrais para tomar decisões monetárias que sejam adequadas aos efeitos dos ciclos econômicos.
- De maneira resumida, o hiato do produto é a diferença entre o PIB real e o PIB potencial de uma economia. Ou seja, é um indicador que mensura as oscilações cíclicas da economia.
Primeiro, é preciso decompor o Produto Interno Bruto (PIB) em dois componentes: a tendência de médio ou longo prazo, também chamada de produto potencial; e o ciclo de curto prazo, que é o produto real ou observado.
O cálculo do hiato do produto é a diferença entre o produto observado e o produto potencial. Se positivo, significa que a economia opera acima de sua tendência (ou potencial), ou seja, está aquecida e sujeita a pressões inflacionárias. Mas se o hiato do produto é negativo, a leitura é inversa: uma economia mais fraca, com ociosidade dos fatores de produção, tem chance de deflação.
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Como o hiato do produto afeta as decisões de juros?
O hiato do produto é um dos fatores que ajudam a identificar o nível de aquecimento da economia e, consequentemente, o risco de pressões inflacionárias à frente.
É por isso que as atas de reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) costumam mencionar o hiato do produto ao se referir aos efeitos cíclicos ou anticíclicos dos juros.
Quando o hiato do produto está elevado, a economia está crescendo acima da sua capacidade de produção, o que pode indicar chance de aumentos gerais de preços. E diante de risco de aumentar a inflação, o Banco Central tende a responder com alta da taxa básica de juros.
No caso contrário, com um hiato do produto negativo, em tese quando o país vive um ciclo descendente, de desaceleração econômica, o governo pode reduzir a taxa de juros para que pessoas e empresas tenham condições de continuar consumindo, com a inflação mais baixa, e que encontrem custo de crédito menor, para assim retomar o crescimento da atividade, ou seja, o PIB.
Saiba como interpretar a ata do Copom

