FMI aponta que risco de recessão global quase dobra após tarifaço
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos

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Atualizado em
22/04/2025 às 15:40
Por Fabiana Holtz e Aline Bronzati, do Broadcast
São Paulo, 22/04/2025 - O risco de o mundo enfrentar um cenário recessivo neste ano por conta da guerra comercial desencadeada pelas tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou de 17% para 30%, na avaliação do economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pierre-Olivier Gourinchas. O organismo não prevê recessão em seu cenário base.
"Embora não estejamos projetando uma recessão global, o risco de que ela ocorra este ano aumentou substancialmente, de 17% projetado em outubro para 30%", disse Gourinchas, ao comentar as novas projeções econômicas do Fundo e o relatório Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês), publicado nesta terça-feira.
Em razão do tarifaço dos Estados Unidos, o FMI anunciou cortes generalizados em suas projeções econômicas. O organismo espera que a economia mundial cresça 2,8% neste ano, projeção 0,5 ponto porcentual menor que a anterior, divulgada em janeiro. Para o próximo ano, a expectativa passou para uma alta de 3,0%, ante estimativa de avanço de 3,3% anteriormente.
Uma escalada das tensões comerciais, aponta o economista, teria impacto ainda maior sobre o crescimento e as condições financeiras também poderiam se tornar mais restritivas, à medida que os mercados reagem negativamente à recessão.
Já o risco de recessão nos Estados Unidos aumentou consideravelmente, de 25% para 40%, conforme Gourinchas. Segundo ele, esse cenário obviamente não é uma recessão. Como parte de suas revisões, o FMI tirou 0,9 pp da projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA e vê expansão de só 1,8% neste ano. "E a razão para isso é que temos uma economia americana que, em nossa opinião, está em uma posição de força", acrescentou.
Com relação aos países da América Latina e Caribe, Gourinchas pondera que os cortes feitos nas projeções de crescimento da região neste e no próximo ano foram motivados pelos efeitos das tarifas e a desaceleração da economia mundial. Em alguns países, como o Brasil, questões fiscais e a política monetária também pressionam a atividade, disse o economista.
"Na América Latina como um todo, estamos vendo uma atividade impulsionada em grande parte pelo consumo, pela resiliência dos mercados de trabalho, enquanto o investimento permanece um tanto lento", observou.
O Fundo espera que a região da América Latina e Caribe cresça 2,0% em 2025, 0,5 ponto porcentual abaixo da estimativa divulgada em janeiro. Para 2026, o FMI projeta que a região avance 2,4%, um corte de 0,3 pp em relação à projeção anterior.
"A desaceleração em nossa projeção reflete o impacto das tarifas e da desaceleração do crescimento global, que também está afetando os países da região, a incerteza política e a retirada do estímulo fiscal e, em alguns países, o aperto da política monetária", explicou.
É o caso do Brasil. O FMI espera que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avance 2,0% em 2025 e não mais 2,2% como previu em janeiro último. O FMI também está menos otimista com 2026, e vê a atividade doméstica mantendo o ritmo de expansão de 2,0% no próximo ano, e não de 2,2% como projetava inicialmente.
Em resumo, recessão econômica é a desaceleração da atividade de forma ampla por um período prolongado. Na literatura, há o termo recessão técnica, que é quando o Produto Interno Bruto (PIB) tem queda por dois trimestres consecutivos.
Como a atividade econômica se enfraquece, as pessoas consomem menos, as indústrias ficam com capacidade ociosa e com estoques cheios, param de investir e tomam menos crédito. Com poucos projetos e perspectivas de longo prazo, as empresas deixam de contratar ou começam a demitir. Se o emprego cai, a renda da população e a propensão ao consumo diminuem. Esse cenário configura a desaceleração do PIB. Caso o governo não tome medidas para recuperar o ciclo econômico no trimestre seguinte e aconteça uma segunda queda do PIB consecutiva, tecnicamente há recessão.
A macroeconomia tem flutuações, e diante dos diversos choques os agentes de mercado tomam suas decisões. Quanto aos investimentos, adota-se uma postura mais defensiva diante de crises econômicas ou desaceleração, buscando proteger o capital.
O dólar é considerado um dos ativos de menor risco no mercado financeiro global. A busca pela moeda americana reflete, assim, um movimento de proteção, priorizando essa classe de ativos em detrimento de aportes mais arriscados, como em ações da bolsa. A maior procura por dólares também acontece quando os investidores tentam travar a cotação, na expectativa de que o preço possa subir mais adiante se as condições de mercado se deteriorarem, quando eles então poderão vender moeda e embolsar o lucro.
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