Como a taxa de câmbio afeta seus investimentos na alta e na baixa
Dólar baixo estimula compras e viagens, mas é também uma opção de investimento no longo prazo.
Publicado por: Broadcast Exclusivo
8 minutos
Atualizado em
29/01/2026 às 12:04
Por Luana Pavani, do Broadcast
Pensou em viajar ao exterior, logo vem a dúvida sobre como está a taxa de câmbio. A relação entre real e dólar não afeta apenas suas decisões de compra, mas também de investimentos. Se o dólar mais barato incentiva viagens, o que pode favorecer empresas aéreas, por exemplo, por outro lado com exposição à moeda americana perdem rendimento nessa situação. Já na situação oposta, de alta do dólar, a passagem aérea fica mais cara - e o custo das aéreas também, uma vez que o combustível do avião varia conforme cotação internacional -, e os fundos cambiais ou multimercado atrelados ao dólar conseguem apresentar ganhos maiores. Entenda a seguir o mecanismo da taxa de câmbio nas situações mais comuns das finanças pessoais:
Como é que se faz investimento em dólar?
O investimento em dólar ou qualquer outra moeda estrangeira pode ser feito em espécie, trocando reais pelas cédulas estrangeiras em uma casa de câmbio ou num banco, ou por meio de fundos de investimento. A primeira opção é interessante para situações de consumo no exterior ou viagens. Para quantias maiores, mais a longo prazo, há diversas opções de fundos expostos a dólar, em maior ou menor grau.
Os analistas de investimentos costumam recomendar ter uma parcela das aplicações em fundos de dólar como uma espécie de proteção, já que a moeda americana é considerada de menor risco. Como tem alta , o dólar pode ser trocado facilmente em qualquer mercado financeiro organizado. Uma estratégia de proteção costuma vir acompanhada de outras opções mais arriscadas, procurando algum equilíbrio e diminuindo as chances de prejuízo. Os fundos mais expostos a moedas estrangeiras são os fundos cambiais, focados em dólar e euro, principalmente. Para acompanhá-los, vale a pena entender um pouco mais sobre no Brasil e nos principais mercados internacionais, como Estados Unidos e zona do euro.
Qual a relação entre dólar e inflação?
Produtos importados ou commodities, matérias-primas cujos preços são atrelados às cotações internacionais, encarecem ou barateiam os preços de itens básicos da economia. É o caso do pãozinho da padaria, que usa trigo, grão este que varia conforme os contratos negociados na Bolsa de Chicago (CME). O petróleo, que tem o preço do barril cotado em Nova York, tem relação direta com a política de preços da Petrobras, que segue a cotação internacional para definir os preços do diesel, da gasolina e do gás de cozinha. Assim, se o dólar sobe, o preço destes itens também avança. E como você já sabe, preços altos significam inflação. Ao contrário, na hipótese de queda das cotações das principais commodities ou queda do dólar - quando ocorre a venda de dólares pelo Banco Central ou internalização de recursos por exportadores, por exemplo -, há tendência de alívio nos preços da economia.
Entenda: Como o preço do Petróleo afeta o dólar (e vice-versa)
Como a política de juros dos EUA - e de cada país - afeta o câmbio?
A variação do dólar ou de qualquer moeda é explicada por uma série de fatores, desde a dívida pública das nações, passando pelas taxas de juros, até chegar na geopolítica. Mas, via de regra, o dólar se fortalece em momentos de aversão ao risco, quando investidores buscam aplicações mais seguras.
Voltando ao raciocínio da segurança, se os juros ficam altos na maior economia do mundo, os EUA, é natural que os investidores comprem mais títulos do governo - e dólares - para receber essa remuneração maior, o que puxa as cotações da moeda americana para cima. Por outro lado, se a inflação fica mais controlada e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decidir reduzir a taxa de juros no país, os investidores voltam a procurar opções com mais risco, o que favorece as moedas e bolsas de países emergentes.
Leia também: Como a decisão de juros nos EUA pelo Fed impacta seus investimentos?
Mas não é só a política de juros que importa. Caso a taxa de juros de outro país, como o Brasil, esteja em patamares mais elevados, grandes investidores podem optar por fazer o que se chama de operações de , onde tomam recursos em dólar a um custo menor e investem em reais, em que se corre mais risco, mas também há remuneração com juro maior. E isso pode minimizar o avanço das cotações do dólar. Por outro lado, caso esse diferencial entre os juros externo e interno diminua, pode acelerar a alta.
O que rende mais: dólar alto ou baixo?
Depende. Se você possui investimentos em bolsa, ações de empresas exportadoras se beneficiam com o dólar alto, pois elas recebem mais reais pelo pagamento de seus produtos. Já ações de setores que costumam importar insumos ou equipamentos são penalizados com o dólar caro, pois essas empresas ficam com os custos elevados e repassam essa diferença para os preços finais. Ao mesmo tempo, a produção nacional surge como competição aos importados, favorecendo o mercado interno. Quando o dólar cai, o custo da matéria-prima diminui e os preços dos produtos também, ajudando a ter uma inflação mais controlada. Por outro lado, a valorização excessiva do real afetaria a competitividade da indústria nacional, pois com o dólar barato crescem as importações e as empresas reduzem os postos de trabalho.
Quem controla a taxa de câmbio?
No Brasil, o mercado de câmbio é regulado pelo Banco Central. O regime adotado para a política cambial no Brasil, desde 1999, é do tipo flutuante, em que o mercado atua livremente. Os outros dois tipos de regime cambial praticados no mundo pelas autoridades monetárias são o câmbio fixo, em que o governo pré-determina o valor da paridade da moeda local perante o dólar americano; e o regime de bandas cambiais, quando o governo faz intervenções, comprando ou vendendo moeda, para garantir a oscilação dentro dos limites mínimo e máximo da banda estabelecida. Além da moeda à vista, o mercado de câmbio opera com instrumentos cambiais, que são contratos futuros atrelados ao dólar.
No regime flutuante, o governo também participa do mercado de câmbio no intuito de adequar a política monetária à inflação. Se o Banco Central compra dólares, ele retira uma quantia dessa moeda em circulação. Pela lei da oferta e da procura, quem for procurar dólar pagará mais por isso. No sentido oposto, quando o BC vende dólar, injeta liquidez, ou seja, coloca mais dólar disponível para ser negociado, forçando uma queda do valor. Mas, no geral, os preços do dólar são determinados pelo fluxo de saída e entrada de recursos promovido por empresas e investidores.
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