Desenrola voltou: saiba mais sobre a 3ª fase e veja como não se endividar de novo
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
28/09/2026 às 12:24
Soraia Budaibes, da Broadcast
São Paulo, 28/09/2026 - O Brasil tem hoje quase 84 milhões de pessoas com alguma conta em atraso, segundo dados de agosto da Serasa. Entre as famílias que possuem algum débito, o porcentual está na marca dos 82%, informou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Diante do alto endividamento, o governo federal decidiu abrir uma nova frente de alívio aos orçamentos e lançou a terceira fase do Desenrola na última sexta-feira, dia 25, por meio da Medida Provisória 1.393/2026. Com ela, cria-se uma nova oportunidade para pessoas físicas renegociarem débitos.
O Desenrola 3.0 terá duração até 30 de junho de 2028 e autoriza a União a comprar e renegociar de forma parcial ou total as dívidas ou os direitos creditórios detidos por bancos e demais instituições credoras de pessoas físicas, inclusive decorrentes de operações financeiras, comerciais ou de prestação de serviços.
A ideia, segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, é que a União entre no mercado adquirindo cerca de R$ 150 bilhões em dívidas junto a essas instituições e repasse às famílias descontos nos débitos, que podem chegar a 90% ou mais. Vale ressaltar que serão consideradas dívidas de até R$ 10 mil.
Segundo Moretti, o estoque desses tipos de débitos está relacionado, principalmente, às dívidas com cartões de crédito e crédito pessoal não consignado.
Cartão de crédito: vilão ou aliado?
A edição mais recente do novo Mapa de Crédito da Serasa corrobora a mensagem do governo, já que o cartão de crédito foi classificado como a principal modalidade de financiamento utilizada pelos brasileiros.
Segundo a pesquisa, 30% dos consumidores utilizam o cartão para cobrir gastos diários, 29% para fazer compras específicas e 18% para lidar com despesas emergenciais de saúde. Para 41% dos entrevistados, a possibilidade de parcelar as compras, adequando-as ao orçamento, explica a preferência pela modalidade.
Mas, nesse cenário, será que o cartão de crédito é vilão ou aliado? Paula Sauer, planejadora financeira e professora de Economia da ESPM, diz que ele pode ser um grande aliado, especialmente quando o uso é feito com organização e planejamento.
"Tendo uma planilha financeira, na qual se lança tudo o que se gasta, ele funciona como aliado porque dá para visualizar seus hábitos de consumo, o que faz e não faz sentido", diz.
Vale a pena parcelar no cartão?
Segundo a especialista, o parcelamento das compras só é recomendado no caso de uma emergência e se for imprescindível adquirir determinado produto.
"Tudo depende do que você vai comprar. Se você não tem dinheiro para pagar um remédio ou um tratamento à vista no cartão, vale sim parcelar. Os bens duráveis também entram nessa lógica", avalia Paula Sauer, da ESPM.
Mas, reforça, se a parcela for com juros, o melhor é verificar o valor máximo a ser pago para não esticar muito o prazo e comprometer o orçamento por muito tempo.
"Não adianta colocar uma parcela baixinha e com uma taxa de juros alta. Nesse caso, no final, paga-se duas ou três vezes por aquele produto. Se você realmente entender que precisa comprar e não pode esperar por aquele item, é fundamental ter uma parcela que caiba no seu orçamento", completa.
Keila Patricia Rodrigues, gerente de cobrança da Recovery, concorda com Paula sobre o parcelamento de bens duráveis, mas reforça que, o ideal é planejar a compra para dividi-la sem juros.
"Essa decisão de dividir as compras deve avaliar não apenas a ausência de juros, mas também o impacto que as parcelas terão no orçamento ao longo dos meses", diz.
(Colaborou Sandra Manfrini)

