Com caos no comércio global após tarifaço dos EUA, como fica o Bitcoin?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos

Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
03/04/2025 às 16:01
Por Fabiana Holtz, Aramis Merki II, Bruna Camargo e Karla Spotorno, do Broadcast
São Paulo, 03/04/2025 - O Bitcoin opera em forte baixa nesta quinta-feira, acompanhando os principais índices das bolsas de Nova York e da Europa, em meio ao pânico generalizado dos investidores diante da nova dinâmica comercial que está sendo imposta pelos Estados Unidos depois das tarifas globais anunciadas ontem pelo presidente Donald Trump.
Apesar do movimento inicial de retração, analistas observam que a principal criptomoeda do mundo pode ser uma espécie de "porto seguro" para os investidores diante do caos e das incertezas que assolam as bolsas e o dólar com o tarifaço do governo Trump.
Às 15h20 (de Brasília) desta quinta, o principal ativo cripto recuava 5,62%, aos US$ 81.563,55, segundo a Binance. Outras criptomoedas mostram comportamento semelhante, com Ethereum despencando 6,18% e Solana caindo 11,78%.
Na avaliação de Luiz Parreira, CEO da Bipa, plataforma digital para compra e venda de bitcoins e dólar, nesse contexto, o bitcoin não surge apenas como uma alternativa, mas como um contraponto ao sistema financeiro convencional.
"Diferente dos ativos tradicionais, o Bitcoin opera sob uma lógica própria, baseada na escassez programada e na descentralização. Sua resiliência ao longo dos anos, mesmo em meio a crises globais, demonstra sua crescente relevância como reserva de valor", afirma.
Segundo ele, a forte retração dos mercados tradicionais hoje evidenciam um problema estrutural: a dependência dos mercados financeiros das ações de governos e bancos centrais.
Com a tensão crescente no mercado e o temor de uma recessão nos EUA, aumenta a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) para adotar cortes de juros. O executivo observa que, se esse caminho for seguido, a desvalorização do dólar poderá impulsionar a busca por ativos que preservam valor fora do sistema tradicional.
Durante o discurso de Trump, ontem à tarde, o BTC chegou a subir, batendo uma máxima perto dos US$ 88.500, mas registrou queda abrupta de 7% até a faixa dos US$ 82 mil. Para a analista técnica Ana de Mattos, da Ripio, o suporte da criptomoeda, isto é, o nível que apresentará maior dificuldades de queda para o ativo, no curto prazo agora está em US$ 81,3 mil, enquanto o de médio prazo está na região de US$ 75.500.
Ao avaliar o momento, o sócio-fundador da Verde Asset, Luís Stuhlberger afirmou que só dois ativos servem de proteção diante da nova realidade do comércio global: o ouro e o bitcoin. Por outro lado, ele alerta que, diferentemente do metal, o bitcoin tem uma correlação grande com outros mercados, como o de ações.
Não à toa, portanto, os contratos do metal precioso tiveram retornos maiores e mais consistentes que a criptomoeda desde a posse de Trump, em 20 de janeiro.
"O bitcoin continua a ser negociado acima de US$ 80 mil, mas o setor permanece altamente sensível a desenvolvimentos macroeconômicos. Os investidores observarão movimentos de queda adicionais se o apetite por risco global se deteriorar", pondera o analista da Trade Nation, David Morrison.
Na visão do analista da Foxbit Beto Fernandes, os anúncios de Trump não modificaram as incertezas do mercado cripto. Para ele, isso deve deixar o bitcoin estagnado na atual faixa de preços, apesar da volatilidade vista desde ontem.
Para Stuhlberger, o rigor punitivo da nova política comercial condiz com uma crença de que os EUA são escorchados pelo restante do mundo e também com o estilo de negociador do presidente americano, que foi um executivo do ramo imobiliário durante anos.
"O que Trump está fazendo está no DNA dele. Ele acredita que o único jeito de reequilibrar os grandes déficits comerciais do país é tarifar os países exportadores e aumentar a receita com as tarifas", disse.
Segundo o sócio-fundador da Verde Asset, existe um risco de cauda - ou "tail risk", na expressão em inglês - das consequências globais da nova política comercial dos EUA. Um risco de cauda é a possibilidade de que eventos raros ocorram e tragam grande impacto.
Um dos maiores dentre esses riscos, segundo o gestor, é o rigor da resposta de alguns grandes exportadores para os EUA. Ele pontua que, se a China decidir retaliar com uma suspensão do fornecimento de mercadorias e insumos para o mercado americano, algumas cadeias produtivas nos EUA poderão parar.
Quer dar uma nota para este conteúdo?