Bets e dívidas: 40% dos apostadores já ficaram no vermelho, mostra pesquisa
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
26/02/2026 às 16:36
Por Patrícia Queiroz, da Broadcast
Quatro entre 10 apostadores se endividaram após começarem a jogar em plataformas online, de acordo com levantamento recente realizado pelo Procon-SP. Os dados, coletados entre dezembro do ano passado e o último mês de janeiro, reforçam o perfil do público que consome os jogos das chamadas bets.
Assim como na versão anterior da pesquisa, de 2025, a maioria dos apostadores são homens (61,8%), de até 44 anos (82,5%) e com renda de até dois salários mínimos (38,6%).
Sobre os valores gastos, caiu de 47% para 43% os entrevistados que disseram usar, mensalmente, até R$ 100 do orçamento com apostas. Em contrapartida, aumentou de 18% para 30% o porcentual daqueles que gastam mais de R$ 1 mil por mês com as bets.
Perfil da dívida
Outro destaque do levantamento do Procon diz respeito ao perfil dos apostadores que informam já ter se endividado em razão de jogos e apostas, com as mulheres representando a maioria, com quase 54%. Elas têm até 30 anos (44,7%) e possuem renda mensal de até dois salários mínimos (46,8%).
"Esse é um dos pontos mais expressivos em comparação com 2025 e reforça a importância de um monitoramento contínuo deste mercado e de indicadores sobre essas relações de consumo para proteger o cidadão", avalia a diretora adjunta de estudos e pesquisas do Procon-SP, Elaine da Cruz.
No mesmo sentido, o levantamento do órgão mostra que, entre os ouvidos, quase 53% afirmaram já ter comprometido boa parte da renda, utilizando dinheiro investido ou empréstimos para seguir com as apostas virtuais.
Além disso, 62,2% responderam já ter enfrentado algum tipo de problema com a empresa que oferta os jogos e apostas online, sendo o principal deles a recusa em pagar o prêmio ofertado inicialmente.
Sobre como tiveram acesso ou conheceram os jogos, quase 57% dos participantes na pesquisa reiteraram que se sentiram influenciados por propagandas feitas com celebridades para realizar as apostas. Esse porcentual era de 52% na edição anterior.
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Iniciativas educativas
Segundo o Procon, a ideia do levantamento é servir de base para orientações ao público e para futuras ações do órgão, incluindo iniciativas de fiscalização, prevenção ao endividamento e educação financeira para o consumo responsável.
A legislação assegura aos apostadores todos os direitos dos consumidores previstos no Código de Defesa do Consumidor, lembra a instituição.
Entre eles, destaca o direito à informação adequada sobre como jogar, as condições e os requisitos para acerto de prognóstico, resgate dos valores, aferição do prêmio e, principalmente, sobre os riscos de perda dos valores das apostas e a ludopatia, que é o vício em jogos.

