Bets: plataforma de autobloqueio recebe mais de 217 mil pedidos em 40 dias
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
27/01/2026 às 10:39
Por Patrícia Queiroz, da Broadcast
Lançada em meados de dezembro passado, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, desenvolvida pela Serpro para o Ministério da Fazenda, recebeu mais de 217 mil pedidos de autobloqueio de sites de apostas em 40 dias de funcionamento.
Segundo levantamento da Fazenda, o motivo mais frequente (37%) apontado pelos usuários foi a perda de controle sobre o jogo, seguido por prevenção de que os dados pessoais não sejam utilizados por esses sites (25%).
A maioria das solicitações de autoexclusão (73%) é para que o período de aplicação seja indeterminado ante 19% de pedidos para que o autobloqueio fique vigente por um ano.
Antes da implementação da Plataforma, as bets já eram obrigadas a oferecer às pessoas mecanismos de autoexclusão em seus respectivos sites e aplicativos e essa possibilidade continua valendo.
Agora, entretanto, os usuários podem solicitar o bloqueio dos acessos a todas as contas que tenham em sites de apostas de uma só vez. O sistema permite ainda que o CPF do solicitante fique indisponível para novos cadastros e para recebimento de publicidades direcionadas das bets.
Perfil dos apostadores
De acordo com levantamento da Fazenda, dos 25,2 milhões de brasileiros que realizaram apostas no ano passado, 68,3% são homens e 31,7%, mulheres.
No que diz respeito à faixa etária, o maior número de apostadores (28,6%) tinham idades entre 31 e 40 anos. Já aqueles na faixa de 18 a 30 anos somaram 22,7% do total
O público de 41 a 50 anos representou 16,7% dos apostadores, enquanto as pessoas entre 51 e 60 anos eram 6,6%. Já os apostadores com mais de 61 anos somaram a menor parte, com 2,7%.
"O ano passado marcou a primeira vez em que o Estado esteve plenamente presente nesse mercado", explica o secretário de prêmios e apostas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena.
Segundo ele, em 2025 houve a recepção de dados, que permitem conhecer o setor, de forma objetiva, além da implementação de ferramentas de monitoramento para acompanhar o cumprimento das regras criadas.
"Agora, temos o dimensionamento econômico e as informações das pessoas, o que nos ajuda na prevenção de problemas do jogo e possibilita atuarmos de forma articulada com outros órgãos, como os ministérios da Saúde, do Esporte e da Justiça", completa Dudena.
Como cuidar da saúde mental quando há vício em bets?
Dentro da Plataforma do Ministério da Fazenda, há a possibilidade de checar pontos de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) onde são oferecidos serviços voltados à saúde mental para pessoas em situação de vício nas bets.
A página pode ser acessada pelo endereço eletrônico: gov.br/autoexclusaoapostas.
Mais informações sobre como acessar e se cadastrar na Plataforma podem ser conferidas aqui:
Quanto as bets autorizadas faturam?
Os dados do Ministério da Fazenda mostram que a receita bruta total das empresas autorizadas a operar apostas virtuais no País foi de cerca de R$ 37 bilhões no acumulado de 2025.
Desse montante, quase R$ 10 bilhões foram recolhidos a título de impostos, como o IRPJ, CSLL, PIS/Cofins e contribuição previdenciária, além de R$ 2,5 bilhões referentes às outorgas de autorização para operação das bets.

