gota caindo em poça de óleo diesel

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Como os preços do petróleo mexem com as ações da Petrobras e o que é defasagem

Publicado por: Broadcast Exclusivo

conteúdo de tipo Leitura6 minutos

Atualizado em

14/06/2024 às 12:55

Por Adriana Chiarini, do Broadcast

O nome Petrobras é uma sigla para Petróleo Brasileiro S.A. Claro, o petróleo continua sendo o objetivo principal da companhia, fundada em 1953, mas que também está investindo em energias renováveis, como a presidente da empresa, Magda Chambriard, costuma destacar.

Assim, é natural que os preços internacionais do petróleo afetem os preços das ações da Petrobras, além de outros fatores. O petróleo é uma commodity, ou seja, um produto com pouca diferenciação cujos preços são formados nas negociações de compra e venda no mercado internacional.

Além disso, a Petrobras participa do mercado internacional exportando e importando petróleo considerando as necessidades de oferta e demanda de cada região, as questões logísticas e os tipos de petróleo que cada uma das suas refinarias está preparada para processar.

A influência das cotações do preço do barril na variação da ações já foi mais direta. Era assim quando a empresa seguia a política de paridade de importação para o mercado nacional de derivados de petróleo e repassava mais frequentemente os movimentos do preço do petróleo.

O que é PPI e qual a Política de Preços atual da Petrobras?

O preço de paridade de importação (PPI) considera o preço equivalente em cada região do Brasil ao que seria o preço do produto importado no mesmo local. Assim, o preço de paridade de importação no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, por exemplo, é diferente e esse preço diferenciado por local era o que a Petrobras cobrava pela gasolina e pelo diesel.

Em 15 de maio de 2023, a Diretoria Executiva da companhia passou a adotar uma nova política de preços para diesel e gasolina, que é considerada o marco do fim da política de preços do PPI, e inseriu outros conceitos como "custo alternativo do cliente" e "valor marginal para a Petrobras".

No fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que anunciou a atual política, a estatal explicou que o custo alternativo do cliente contempla as principais alternativas de suprimento, sejam fornecedores dos mesmos produtos ou de produtos substitutos, e que o valor marginal para a Petrobras é baseado no custo de oportunidade dadas as diversas alternativas para a companhia como produzir, importar e exportar o derivado ou o petróleo utilizado no refino.

  • O último reajuste no preço da gasolina foi em 21/10/2023, de redução de 4,09%, de acordo com o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), que calcula diariamente a defasagem. O dado era de 19,45% ou R$ 0,6822 por litro, considerando os preços do petróleo, da gasolina e da taxa de câmbio em 13 de junho.

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O que é defasagem?

A defasagem diária considera o preço que a Petrobras cobraria se repassasse integralmente a variação da cotação do petróleo para o seu preço de venda do derivado no mercado interno.

A defasagem é a diferença entre esse preço que a Petrobras cobraria se fizesse o repasse do preço do petróleo e o que ela realmente cobra. Ou seja, a defasagem diária é o que a companhia poderia estar ganhando no dia porque não fez o repasse.

Quanto maiores as defasagens diárias e o período em que acontecem, mais a companhia deixa de ganhar e, assim, seus lucros e dividendos também tendem a ser menores. Já quando o preço internacional indica um preço mais baixo do que o praticado pela empresa, há um prêmio no produto para a Petrobras, não uma defasagem. É o caso do gás liquefeito de petróleo (GLP), atualmente.

Como o preço do petróleo é em dólar e o preço no Brasil é em reais, a taxa de câmbio também é considerada. Quando o petróleo sobe, a defasagem aumenta. O mesmo acontece quando o dólar tem alta. No sentido inverso, petróleo e dólar em queda reduzem a defasagem.

No caso do diesel, cujo último reajuste foi em 27/12/2023, a defasagem considerando os preços da última quinta-feira é de 4,52% ou R$ 0,1667 por litro, segundo o CBIE.

Na Bolsa, quanto maior a defasagem, maior a pressão do mercado para haver um reajuste. No entanto, para o governo, que é o maior acionista da Petrobras, altas de preço de combustíveis não são politicamente desejáveis, principalmente em anos eleitorais, pois a população não quer pagar mais caro pela gasolina e o botijão de gás.

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