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Por Broadcast Notícias
Atualizado em
07/07/2026 às 17:35
Por Cristina Canas
São Paulo, 07/07/2026 - Se confirmada a ocorrência de um El Niño muito forte neste ano, as culturas que tendem a ser mais afetadas no Brasil, com potencial de queda de produção de 7% a 10%, são as de soja, milho, café e laranja. Os dados são estimados por especialistas da Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em eventos semelhantes do passado recente, e foram apresentados durante mesa redonda promovida pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) nesta manhã.
"É importante dizer que ainda estamos na fase de observação e só no fim de julho é que poderemos dizer e haverá um El Niño muito forte. Por enquanto o El Niño é forte", diz Eduardo Assad, professor do doutorado da FGV e ex-secretário do Ministério do Meio Ambiente. Ele acrescenta que o El Niño "muito forte" adiciona dois graus ou mais à temperatura média e o "forte" entre um e 1,5 grau. Quanto aos impactos, tendem a ser intensificados a partir de setembro, com dissipação entre janeiro e fevereiro. Além do calor, o El Niño modifica o padrão de chuvas, provocando uma distribuição irregular das precipitações.
Assad ressalta ainda não haver evidências científicas que associem a crise climática à ocorrência de fenômenos climáticos, como o El Niño, mais fortes, mas aponta que chama a atenção o aumento da frequência da ocorrência desses eventos nos últimos anos. Para o professor, está provado que ações para a redução dos gases de efeito estufa diminuem os efeitos do El Niño e cita Mato Grosso com um Estado onde a atuação nesse sentido deveria se intensificar. "Não podemos continuar desmatando em Mato Grosso. As ondas de calor lá são fortes, já levam à morte do gado e isso se controla com plantio de árvore", afirma. O especialista cita que cerca de 2% dos recursos do Plano Safra são direcionados a plantios que visem a captação de gases de efeito estufa.
Para o também professor da FGV e ex-secretário do Ministério da Agricultura Guilherme Bastos, está faltando uma maior participação dos Estados e dos municípios no mapeamento de riscos e elaboração de planos de contingenciamento para seca e enchentes. Segundo ele, os grandes produtores do País estão bem preparados para enfrentar os efeitos do El Niño, mas avalia que há uma maior vulnerabilidade dos pequenos e médios. "É aí que os Estados deveriam entrar com seguro, complementando o suporte para quem não tem acesso ao Proagro nem ao seguro privado", diz Bastos, defendendo a adoção de seguros paramétricos - apólice que paga uma indenização pré-definida quando um evento específico, como chuva abaixo ou acima de determinado nível, ocorre.
Os dados compilados pela FGV com base em informações do IBGE apontam que, em 2020, 72% do municípios brasileiros não possuíam plano para prevenção de enchentes em seu plano diretor. Na prevenção à seca, o número é maior, de 78% dos municípios sem um plano de contingenciamento.