Stablecoin USDC supera Bitcoin como criptoativo mais comprado na América Latina, diz Bitso
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
13/03/2025 às 15:53
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
São Paulo, 13/03/2025 - A stablecoin USDC, ativo digital lastreado no dólar americano, foi o criptoativo mais comprado pelos investidores da América Latina em 2024, segundo a pesquisa Panorama Cripto na América Latina, da exchange Bitso, enviada em primeira mão ao Broadcast .
A USDC representou 24% de todo o volume de compras de criptoativos na região ano passado, contra 22% do Bitcoin (BTC). Em seguida vem outra stablecoin, a USDT, com 15%. Ou seja, as stablecoins representaram 39% do total de compras no ano na América Latina, avançando em relação aos 30% registrados em 2023.
No Brasil, USDC e USDT somaram 26% das aquisições de criptomoedas em 2024, enquanto o Bitcoin representou 22%.
"Os dados do estudo mostram que o mercado brasileiro está amadurecendo rapidamente, com investidores mais experientes que diversificam mais seus portfólios", comenta Bárbara Espir, Country Manager da Bitso Brasil.
O crescimento das memecoins também foi um fenômeno observado pelo estudo da Bitso por aqui, com destaque para o token PEPE, que teve um aumento de 12 pontos porcentuais na composição das carteiras dos investidores ante 2023.
O que explica o sucesso das stablecoins?
As stablecoins são um tipo de criptoativo cujo rendimento é atrelado a algum outro ativo específico ou a uma cesta de ativos. Geralmente são atreladas a moedas fiduciárias como o dólar, o real, o euro e a libra esterlina, ou a commodities como o ouro.
- A ideia da stablecoin é ter um valor estável em relação a uma moeda, facilitando a circulação dos valores nas redes blockchain. Por isso, a ideia de estabilidade está até presente no nome do produto: "stable" (estável) + "coin" (moeda).
Segundo a Bitso, o aumento da inflação e a desvalorização de moedas como real, peso argentino, peso colombiano e peso mexicano em relação ao dólar em 2024 impulsionaram a busca das stablecoins como forma de dolarizar suas carteiras e proteger o poder de compra.
Além de servir como reserva de valor, as stablecoins também são uma alternativa para a realização de remessas internacionais de dinheiro, devido a características como liquidação instantânea, funcionamento 24/7, redução de custos por menos taxas intermediárias e menores custos de conversão.
Julia Rosin, líder de políticas públicas da Bitso Brasil, lembra que as stablecoins também podem ser utilizadas em operações de comércio exterior, onde a eficiência das transações via blockchain "se torna um diferencial competitivo".
Regulamentação das stablecoins em pauta
A regulamentação das stablecoins tem sido um assunto bastante discutido ao redor do mundo. Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou o desejo de que a legislação sobre esses ativos seja elaborada antes do recesso do Congresso americano em agosto.
No Brasil, essa regulamentação é tema do projeto de lei 4.308/2024, de autoria do deputado federal Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), que atualmente está aguardando pela designação de um relator na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação (CCTI) da Câmara.
"Sabendo o quanto a stablecoin é importante e fomenta o mercado, especialmente nas transações cambiais, o governo precisa dessa regulamentação para que o Banco Central possa estruturar o fluxo de circulação do ativo e o volume negociado", diz Cleverson Pereira, head educacional da Onil X, que em dezembro do ano passado participou de uma audiência pública na Câmara dos Deputados a respeito do tema, junto a representantes de Banco Central, Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Um ponto de atenção na regulaçãoé a chamada auto-custódia, ou custódia descentralizada, em plataformas de De-Fi (finanças descentralizadas). Isso porque nas transações com stablecoins o próprio investidor tem controle das suas chaves privadas na rede blockchain e possui controle total sobre os fundos investidos - diferentemente da custódia por terceiros, comum no mercado financeiro tradicional, na qual instituições financeiras protegem os ativos.
"Em geral, as discussões sobre stablecoins sempre vão barrar na custódia, esse ainda é o grande tabu desse setor", afirma Murilo Cortina, diretor comercial da QR Asset Management. Segundo ele, a custódia de ativos é um problema a ser resolvido pelas regulamentações tanto nos EUA quanto no Brasil.
Mas ele avalia que o avanço da regulamentação nos EUA pode pavimentar a construção da regulamentação brasileira. "Com os EUA trazendo uma regra mais clara para esse setor, deve haver repercussões no Brasil."

