Inteligência artificial e finanças: quando essa conta fecha?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos
Atualizado em
30/06/2025 às 11:32
Por Gustavo Boldrini, Aramis Merki II e Eduardo Laguna, do Broadcast
São Paulo, 12/05/2025 - O uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) por parte de gestoras de fundos para a coleta de dados e tomada de decisões de investimento tem se tornado mandatório no universo do mercado financeiro. Mas é preciso paciência para obtenção dos benefícios da tecnologia.
Uma pesquisa recente do fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, com a MGX, especializada na aplicação de IA ao mercado financeiro, e mais 30 escritórios de private equity que somam US$ 3,2 trilhões em ativos sob sua gestão, mostra que apenas 2% esperam colher os frutos do investimento em IA já neste ano de 2025. Por outro lado, uma fatia de 93% espera obter retornos consideráveis dentro de três a cinco anos.
"Embora seu potencial máximo ainda não seja alcançado em poucos anos, a IA já demonstra possibilidades de impulsionar decisões mais inteligentes e aprimorar a criação de valor", disse Marc Antaki, vice-diretor de estratégia e risco do Mubadala, em apresentação durante reunião do Fórum Econômico Mundial no início de fevereiro.
Veja também:
Como a IA pode ser utilizada pelos fundos?
Executivos do setor ouvidos pelo Broadcast apontam que a análise de ativos e a tomada de decisões pode ganhar eficiência com o uso das tecnologias ligadas à IA.
"É uma ferramenta de ganho de produtividade. Se conseguir economizar cinco minutos por dia de cada analista, teremos ganho de eficiência", afirma Alexandre Rezende, sócio-fundador da Oceana Investimentos.
Na Vinland, o sócio-fundador e diretor de investimentos James Oliveira aponta que a coleta e análise de informações de todos os países em que a casa atua é uma tarefa fundamental e custosa, fazendo com que a IA cumpra esse papel.
"Não fazemos posições em que não tenhamos conhecimento profundo, sem um economista e um trader que acompanhe aquele país", disse Oliveira
Na Bradesco Asset, três diferentes ferramentas com inteligência artificial estão em uso, segundo o CEO Bruno Funchal. Uma delas faz a leitura das atas dos bancos centrais do mundo e indica se a decisão teve um tom mais agressivo (hawkish) ou conservador (dovish). Outro instrumento consolida as cartas de gestores e divide as casas, conforme o posicionamento em cada classe de ativos, e ainda há uma terceira tecnologia, que está sendo treinada, com foco em análise de ativos de crédito.
Chatbot com resposta coerente
A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, destaca a utilização de chatbots de LLM (Large Language Model), ou modelo de linguagem de larga escala, para ajudar na análise de ativos. Esse tipo de IA é semelhante ao ChatGPT ou ao Deep Seek, sendo preparado para compreender a linguagem humana e gerar respostas de forma útil, coerente e contextualizada.
De acordo com a gigante americana, diferente dos chatbots de uso geral, os seus modelos são "treinados e ajustados em conjuntos de dados mais específicos e selecionados para executar tarefas individualizadas de investimento com alto grau de precisão", afirma a gestora.
Invista com o app Investimentos BB

