Bitcoin Treasury Companies: como ficam empresas de tesouraria de BTC com a queda do ativo?
Publicado por: Broadcast Exclusivo

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5 minutos
Atualizado em
25/02/2026 às 14:16
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
O acumula queda de mais de 24% neste ano, e alguns especialistas têm falado sobre um "inverno cripto" no mercado dos ativos digitais, após um 2025 marcado por recordes. Nesse contexto, empresas que nos últimos anos passaram a utilizar o BTC como estratégia de tesouraria, as chamadas Bitcoin Treasury Companies, têm perdido valor na Bolsa.
A mais famosa delas, a Strategy, acumula baixa de 25% neste ano em Nova York. Na , as duas Bitcoin Treasury Companies listadas também estão no negativo em 2026: a OranjeBTC (OBTC3), que chegou à Bolsa em outubro de 2025, cai cerca de 32%, enquanto a Méliuz (CASH3) tem baixa de 9%.
Os números evidenciam que as ações de companhias que utilizam o Bitcoin como estratégia de tesouraria têm ligação com os movimentos do criptoativo. E o investidor precisa levar isso em conta antes de aportar recursos nesse tipo de empresa.
"Essas companhias funcionam, na prática, como veículos alavancados de exposição ao BTC. Em ciclos de alta, capturam de forma intensa o upside. Em momentos de queda, essa mesma dinâmica pode gerar maior , especialmente quando há dívida envolvida", comenta Julián Colombo, diretor sênior de políticas públicas e estratégia para a América do Sul na Bitso.
De acordo com Colombo, para além de olhar a exposição de determinada empresa ao BTC, é preciso avaliar seu perfil de dívida. Afinal, o dinheiro utilizado para investir no criptoativo veio de algum lugar - muitas vezes, de emissões de dívida.
"É importante entender que o risco [das Bitcoin Treasury Companies] não está apenas no preço do Bitcoin, mas também na estrutura de capital da empresa e na forma como ela financia essa estratégia. Aquelas que têm geração de caixa consistente conseguem atravessar ciclos de baixa com mais previsibilidade", afirma o especialista da Bitso.
Por isso, uma das formas de se blindar da volatilidade do BTC é focar nas operações de rotina da companhia, na opinião de Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil. "É importante não se destacar apenas por ser uma Bitcoin Treasury Company, e sim como uma empresa resiliente, com diversificação em inclusive", afirma.
A Méliuz, por exemplo, além de ser marcada pela tesouraria em Bitcoin, é uma empresa de tecnologia financeira que oferece serviços de cashback e crédito. A Strategy, por sua vez, disponibiliza soluções de inteligência artificial (IA) para negócios.
"O investidor precisa olhar três dimensões principais: o quanto da exposição ao BTC é financiada com dívida, se a empresa gera receita operacional relevante ou depende exclusivamente da valorização do ativo, e qual é a política de gestão de risco, se existe algum limite para , por exemplo", diz Julián Colombo, da Bitso.
Se vale ou não a pena se expor ao BTC por meio de uma Bitcoin Treasury Company vai depender do perfil de risco do investidor e do seu nível de conhecimento em relação ao segmento.
"A exposição indireta tira a necessidade de entender e acompanhar mais o mercado cripto e o risco da auto custódia. Porém, pela comodidade, o investidor pode acabar não buscando compreender qual a real exposição da empresa, e se ela está alinhada aos seus interesses, objetivos e planejamento da carteira", alerta Marcos Praça, da ZERO Markets Brasil.
Colombo, da Bitso, ressalta que investir em uma Bitcoin Treasury Company não é o mesmo que comprar BTC, uma vez que a empresa traz consigo uma combinação de risco corporativo, risco de execução e risco de mercado.
"De forma geral, comprar Bitcoin diretamente oferece exposição mais pura ao ativo. Já investir em uma Bitcoin Treasury Company é uma forma indireta, que pode amplificar ganhos, mas também perdas", resume o especialista.
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