Pilar social lidera iniciativas ESG das empresas e Brasil se destaca, diz pesquisa
Medidas de caráter social na agenda ESG são prioridade das empresas, e as brasileiras estão acima da média global
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
03/10/2024 às 16:59
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
Nas iniciativas de ESG, as ações de cunho social são priorizadas pelas empresas no Brasil e no mundo em comparação com ambientais e de governança corporativa, segundo uma pesquisa do ManpowerGroup publicada em março de 2023. O levantamento, que ouviu mais de 40 mil empregadores em 41 nações, mostrou que 37% das empresas globais concentram a maior parte das suas ações de ESG no âmbito social, que engloba ações de diversidade, inclusão e apoio a comunidades. Meio ambiente (a letra E da sigla, para "Environment") ficou em segundo lugar, com 29%, e governança corporativa em seguida, com 15%. As companhias que não possuem nenhuma ação ESG somaram 11% da amostra. No Brasil, a proporção do pilar S é ainda maior, com 42% das empresas praticando ações de cunho social, 16% de meio ambiente e 14% de governança.
A posição de destaque do Brasil, segundo Wilma Dal Col, diretora de Gestão Estratégica de Pessoas do ManpowerGroup, tem a ver com a natureza do segmento das empresas e da própria sociedade. "Temos uma sociedade muito voltada para diversidade e inclusão, então é natural as empresas se movimentarem para isso", afirma. Talvez o pilar S seja o fator mais fácil para iniciar a agenda ESG, segundo a especialista, pois toda companhia em seu papel de empregadora possui algum tipo de impacto social.
Daniel Cobucci, analista de ESG do BB Investimentos, avalia que fazer uma agenda social bem feita é o maior desafio que o ESG impõe às empresas que desejam aplicá-lo.
"Vemos uma dificuldade nas empresas de terem ações mais concretas no social. Na pandemia houve muitas doações, mas quais medidas realmente buscam fazer mudanças estruturais na sociedade?", questiona Cobucci.
De acordo com a consultoria ManpowerGroup, dentre as principais iniciativas de cunho social que uma empresa pode realizar, estão:
Ações de igualdade de gênero e de abertura à diversidade;
- Criação de projetos de voluntariado;
- Cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU;
- Cuidados com a saúde mental dos colaboradores;
- Atenção às questões trabalhistas;
- Adoção de resoluções a favor da sociedade.
Mudança de mentalidade
Adotar ESG exige uma transformação do modelo mental dentro das organizações, alerta Wilma Dal Col. Por isso, na visão dela, há desafios na questão da governança corporativa, que trata da maneira como a empresa é gerida desde o seu nível de comando até o operacional. "O trabalho com o G é muito mais voltado para o interno do que para o externo. Logo, é justamente a partir da cultura e da maneira que a empresa vai gerir o negócio que pode se dar o diferencial para as ações sociais e de meio ambiente", afirma a diretora da consultoria. "Governança é um fator transversal dentro do ESG", acrescenta.
Segundo Cobucci, do BB Investimentos, governança exige ações mais concretas para atender a padrões internacionais, o que torna esse tipo de iniciativa mais custosa. Além disso, o especialista avalia que o Brasil está "ligado a uma lógica de empresas familiares, o que pode dificultar a assinatura de acordos de acionistas, uma vez que algumas partes podem ter menos interesse em algumas medidas de governança".

