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Por Broadcast Notícias
Atualizado em
31/07/2025 às 17:05
Por Elisa Calmon
São Paulo, 31/07/2025 - A notícia de que a Embraer foi poupada das sobretaxas de 50% dos Estados Unidos trouxe alívio a investidores, com a percepção de que o pior foi evitado. No entanto, as tarifas de 10% seguem em vigor. De olho nos impactos, principalmente para o segmento de aviação executiva, a fabricante brasileira segue focada no cenário ideal: tarifa zero.
Cerca de 70% dos jatos executivos produzidos pela Embraer são exportados para os Estados Unidos. O "best seller" é o Phenom 300. Para esse modelo, as tarifas de 10% podem atingir até US$ 250 mil por avião, calcula o UBS BB.
O analista de Transportes do banco, Alberto Valério, explica que na aviação comercial, o risco da tarifa é das companhias aéreas que adquirem as aeronaves. Já no segmento executivo, a responsabilidade da importação é da própria Embraer, que arca com o custo da tarifa. "As taxas vão impactar principalmente a aviação executiva, porque esses contratos já estão fechados e os preços não podem ser repassados. A margem da companhia vai sofrer até quase 2029, quando se encerra o atual backlog ", explica.
Ontem, logo após o anúncio, a Embraer afirmou que a isenção da sobretaxa "confirma o impacto positivo e a importância estratégica das atividades da Embraer para as economias brasileira e norte-americana". No entanto, disse continuar "acreditando e defendendo firmemente" o retorno à regra de tarifa zero para a indústria aeroespacial global.
Em relatório, a equipe do BTG Pactual destaca que, durante as negociações dos EUA com a União Europeia, as tarifas sobre as aeronaves foram reduzidas a zero. "Acreditamos que a Embraer pode usar o precedente das tarifas zero da Europa para argumentar por uma redução própria", afirmam os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim.
Para Valério, do UBS BB, o acordo dos EUA com a UE abre precedentes para as discussões por aqui. O especialista destaca também o acordo assinado em 1979 pelos EUA e outros países eliminando as tarifas de exportação para aeronaves civis mundialmente. "Ainda há esperança, e se isso acontecer, fortaleceria muito a indústria", complementa.
O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, avalia que a companhia tem uma "boa base" para negociar uma alíquota zero. O executivo argumenta que a companhia produz nos Estados Unidos e tem componentes norte-americanos em suas aeronaves. "A Embraer é exemplo de relação ganha-ganha com os EUA", afirmou em entrevista coletiva promovida em meados de julho para comentar os potenciais impactos do tarifaço.
Com operação nos EUA há mais de 45 anos, a Embraer emprega quase 3 mil profissionais qualificados no país. Além disso, tem mais de US$ 3 bilhões em ativos, enquanto cerca de um terço dos voos regionais em grandes aeroportos dos EUA são operados com aviões da fabricante brasileira.
Redução de riscos
Na mesma ocasião, o CEO da Embraer afirmou que, apesar da tarifa de 10% já representar um desafio para a companhia, a situação se agravaria ainda mais caso as taxas atingissem 50%. "Seria praticamente um embargo, inviabilizando as operações da Embraer nos Estados Unidos", afirmou, comparando o impacto tarifário com os efeitos da pandemia da covid-19 para o setor aéreo.
Para o Safra, a isenção de aeronaves no contexto do tarifaço é bastante positiva para a Embraer. A medida deverá resultar em um impacto estimado de US$ 80 milhões em 2025, "significativamente menor" do que se os 50% integrais tivessem sido aplicados, segundo os analistas Luiza Mussi e Lucas Melotti.
O Itaú BBA, por sua vez, reiterou a recomendação outperform (equivalente a compra) para as ações da Embraer e voltou a colocar a companhia como sua principal escolha (top pick ), com a redução do risco de tarifas. A equipe do banco espera ainda um balanço positivo referente ao segundo trimestre, que será divulgado na próxima semana.
"Antecipamos notícias positivas para a Embraer, visto que o aumento nas entregas de aeronaves já divulgado para o trimestre deve impulsionar uma melhora sequencial substancial nos lucros operacionais", escrevem os analistas Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tineo.
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