Por que as empresas fazem recompra de ações e o que isso significa
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos

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Atualizado em
10/09/2025 às 14:24
Por Gustavo Boldrini e Júlia Pestana, do Broadcast
São Paulo, 16/12/2024 - A B3 anunciou que fará um novo programa de recompra de até 380 milhões de ações ordinárias, com prazo máximo para a aquisição até o dia 28 de fevereiro de 2026. Com isso, a empresa planeja fazer a administração da estrutura de capital, combinando recompras de ações e distribuições de proventos para retornar capital aos acionistas.
Neste programa, as ações adquiridas serão canceladas, utilizadas para a execução do plano de concessão de ações, usadas em outros planos ou mantidas em tesouraria para cobertura econômica de exposições ao preço das próprias ações.
A recompra de ações (também chamada em inglês de "buyback") é um instrumento utilizado por empresas de capital aberto tanto para valorizar seus papéis quanto para remunerar seus acionistas.
Depois de comprar as ações a preço de mercado, a empresa as mantém custodiadas em sua tesouraria ou as cancela. Com esse enxugamento realizado pelo emissor, diminui a oferta, ou seja, há menor quantidade de ações em circulação, o que tende a elevar o preço. Portanto, é uma estratégia da companhia para que a ação se valorize.
Assim como a distribuição de dividendos, a recompra de ações também pode ser considerada como uma maneira de a empresa remunerar seus acionistas, só que de forma indireta. Afinal, quem possui as ações daquela empresa acaba ganhando com a valorização dos papéis promovida pela recompra.
Quando a empresa recompra ações, o número total de papéis em circulação no mercado é reduzido, e com isso, cada ação restante passa a representar uma fração maior do patrimônio e dos lucros da empresa. Ou seja: o acionista acaba obtendo uma fatia maior do patrimônio da companhia.
Geralmente, a recompra de ações é adotada em um momento positivo da empresa, com saúde financeira para poder bancar essa operação. Quando ocorre o anúncio de recompra, os investidores também supõem que o nível de endividamento esteja controlado, diante dessa "sobra" de caixa.
A decisão de lançar o programa pode vir da avaliação pela direção da empresa de que, segundo seus cálculos, as ações estariam sendo negociadas abaixo do preço considerado justo.
Há ainda outro motivador para o programa de recompra, que é o objetivo de atender ao plano de distribuição de stock options, pacotes de ações que as companhias entregam internamente para seus funcionários, normalmente entre membros da diretoria.
Dali em diante, analistas e investidores vão avaliar se há recursos o suficiente para cumprir o programa de recompra, como estão as reservas da empresa, seu nível de endividamento e quais os planos de negócio para o período.
O anúncio do início do programa de recompra deve ser feito ao mercado por meio de comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), obedecendo à Instrução 567. Primeiro, é divulgada a ata da reunião do conselho de administração da empresa com a aprovação da proposta feita pela diretoria, estipulando um prazo e a quantidade de ações a ser recomprada naquele período.
O tema depois será discutido e votado por acionistas em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), observando que as companhias abertas não podem manter em tesouraria ações de sua emissão em quantidade superior a 10% de cada espécie ou classe de ações em circulação.
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