Planejamento desde o berço: dicas de como organizar o orçamento do primeiro filho
Brasileiro pode gastar cerca de R$ 3 milhões para criar um filho até os 18 anos
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
19/12/2025 às 15:42
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
Ter o primeiro filho é a realização de um sonho e até mesmo um objetivo de vida. E, se você está nessa fase de planejar uma gravidez, com certeza já deve ter ouvido falar que gerar e criar uma criança é caro. Sim, basta colocar os números no papel para ver que o sonho de criar os filhos exige muita disciplina financeira. Segundo um estudo do Insper encomendado pelo Estadão, os gastos médios para a criação de um filho do nascimento até os 18 anos no Brasil vai de R$ 240 mil até R$ 3,6 milhões, dependendo da classe social da família.
Isso reforça a necessidade de um adequado. Afinal, problemas na condução do orçamento familiar podem trazer consequências indesejadas. "Os filhos podem sofrer as consequências da falta de planejamento, pois muitas vezes os pais vão ter que trabalhar mais horas para compensar as finanças e ter menos tempo de qualidade com as crianças", aponta a educadora financeira Arethuza Zero, doutora em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp e head da consultoria Educa Financeira.
A seguir, confira algumas dicas de especialistas de como conduzir o planejamento financeiro da sua família e para a criação dos filhos:
1. Organizar as contas
Ao planejar uma primeira gravidez ou a adoção de um filho, o casal precisa ter as finanças organizadas. Afinal, os gastos de uma gestação e dos primeiros meses do bebê não são poucos: plano de saúde, medicamentos, roupas, fraldas, alimentos, etc.
Caso a gravidez venha de surpresa, sem planejamento, o desafio provavelmente será maior. A dica, neste caso,** é se preparar de acordo com a realidade da família, sem entrar em parafusos**.
"Se não houve planejamento, você terá que encontrar espaço no seu orçamento, cortando algumas despesas que tem hoje, ou aumentando sua receita com algum complemento de renda. O importante é que no final do mês as contas fechem", explica Ricardo Teixeira, professor da área de Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV).
2. Qual tipo de criação eu quero proporcionar ao meu filho?
Outro fator importante para os pais e mães de primeira viagem é pensar no tipo de criação que querem dar ao seu filho. Aqui, é necessário se fazer perguntas como: em que tipo de escola pretendo colocar meu filho? Qual curso ou atividade extra é importante para o futuro? Será necessária uma reserva para tratamento de saúde? Mas, o mais importante de tudo é: tenho condições de arcar com a criação que estou pretendendo dar ao meu filho?
"Tem que saber qual é o básico de conforto e tratamento que o casal quer dar ao seu filho. Com sua renda hoje, consegue oferecer? Se não consegue, de onde vai tirar? Tudo isso para que a decisão de ter um filho não passe depois a ser encarada como um fardo, mas que seja algo prazeroso e que caiba na realidade da família", aconselha o professor Teixeira, da FGV.
A educadora financeira Arethuza Zero destaca que, além de prover as necessidades básicas, o planejamento financeiro adequado facilitará que a criança tenha atividades extracurriculares, que são "oportunidades de crescimento e desenvolvimento", segundo ela.
Veja também: Tesouro Educa+: conheça o novo título de renda fixa do governo federal
3. Criando uma poupança para o futuro
Os especialistas destacam que há duas preocupações principais que os pais podem ter em termos financeiros: a primeira delas é a de uma eventual emergência no presente, que exija um gasto razoavelmente alto. Para isso, é formar a boa e velha reserva de emergência, geralmente em um produto financeiro de baixo risco e alta liquidez, que permita saques diários.
Outra questão importante para quem tem filhos é garantir uma boa educação. Em diversas famílias, existe o costume de se fazer uma poupança desde os primeiros anos de vida da criança visando o pagamento dos estudos no futuro, seja na universidade, num intercâmbio, ou até mesmo no custeio de uma mudança para outra cidade.
"Quando você traça uma meta e reserva dinheiro para a criança, ele pode ser usado para garantir que ela tenha acesso à melhor educação possível. Isso pode abrir muitas portas para ela no futuro, reduzindo também o estresse financeiro das contas da família quando chegar a hora de pagar a faculdade ou outros cursos", afirma Hellen Kato, especialista de Metas e Matemática Financeira e professora do Me Poupe!.
Segundo Arethuza, da Educa Financeira, é essencial que os pais abram uma conta específica para os filhos, garantindo que o dinheiro das poupanças esteja separado. Ela também recomenda que haja uma economia de recursos sem prejudicar as finanças pessoais e que os investimentos sejam acompanhados.
"É importante monitorar regularmente o progresso do seu investimento em relação às suas metas e fazer os ajustes conforme necessário, à medida que as circunstâncias mudam", afirma a educadora financeira.
4. Conhecer seu perfil de investidor
O professor Ricardo Teixeira, da FGV, reforça que o pai ou a mãe da criança, ao fazer essas reservas, deve entender qual é o seu perfil de investidor, levando-os aos produtos mais adequados para cada objetivo.
"Por se tratar de educação ou uma segurança financeira do futuro, sempre recomendo que sejam aplicações mais conservadoras, mas nada impede que pais com perfil mais arrojado possam buscar produtos mais arriscados e rentáveis. Se você não investir com seu perfil, corre o risco de ficar frustrado lá na frente", avalia.
Recentemente, o Tesouro Nacional lançou o Tesouro Educa+, título de renda fixa que busca auxiliar as famílias na acumulação de recursos para a educação dos filhos. Uma das características importantes desse título é a proteção em relação à inflação, já que seu rendimento é atrelado à variação do IPCA (índice oficial de preços do Brasil) mais uma taxa fixa.
Além do Tesouro Educa+ e outros títulos públicos ou privados de renda fixa, Hellen Kato vê ações e fundos de ações como uma boa opção para construir um patrimônio de longo prazo, caso os pais tenham um perfil mais arrojado de investidor.
"A renda variável tem potencial de altos rendimentos a longo prazo, e crianças têm o tempo jogando a favor. Além disso, uma carteira de ações oferece a possibilidade de diversificação", afirma a especialista do Me Poupe!.
5. Buscar uma rede de apoio
Por fim, sabemos que as dificuldades podem surgir, principalmente no caso de uma gravidez não planejada. Para isso, vale contar com uma rede de apoio para buscar tanto o suporte emocional quanto material, se necessário, com amigos, familiares e o próprio cônjuge. Há também apoio de programas governamentais e de ONGs ligadas a questões de saúde e família.
"O suporte emocional em momentos de dificuldade é necessário. Recomendo a busca do apoio emocional de amigos, familiares ou profissionais de saúde para lidar com o estresse emocional e a tomada de decisões com base em informações, necessidades e circunstâncias pessoais, sem ceder a pressões externas", diz Arethuza Zero.

