O que são os FIDCs e como funciona esse tipo de investimento?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos

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Atualizado em
14/05/2025 às 10:57
Por Fabiana Holtz, do Broadcast
Investir em um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) ainda parece uma opção um tanto restrita para o cliente pessoa física, mas tem se mostrado um caminho interessante se você possui conhecimentos e recursos suficientes para seguir por essa estrada. Em primeiro lugar é preciso conhecer como são constituídos esses fundos. Em termos gerais, um ponto importante para se destacar é que esse produto é uma forma de investimento em renda fixa.
É um fundo de investimento específico, com aporte inicial mais elevado do que outros fundos, acima de R$ 1 milhão, que pode ser constituído sob a forma de condomínio aberto (com resgate de cotas) ou fechado (sem resgate de cotas). Esse produto reúne recursos de diversas fontes - quanto mais diversificado menor o risco - que destinam acima de 50% do seu respectivo patrimônio líquido para aplicações em direitos creditórios (créditos que uma empresa tem a receber).
Cabe ao administrador, uma instituição financeira específica, constituir o fundo e realizar o processo de captação de recursos junto aos investidores por meio da venda de cotas. Os FIDCs abertos oferecem maior flexibilidade, pois você pode sacar o investimento a qualquer momento. Já os FIDCs fechados, por trabalharem com prazos, podem ser indicados para investidores que planejam no longo prazo.
O público-alvo desse produto é o investidor profissional, o investidor com certificação da CVM, toda pessoa física ou jurídica com mais de R$ 1 milhão investido e ainda os clubes de investimentos administrados por outros investidores qualificados. Segundo Eduardo Solamone, diretor de RI da Sol Agora, fintech do grupo Descarbonize Soluções e investida da gestora canadense Brookfield, ainda existe aqui uma barreira para o público pessoa física do ponto de vista da oferta.
"A alteração regulatória que abriu esse produto para o varejo é muito recente, mas os dados da Anbima confirmam que a tendência é de crescimento e a educação financeira é fundamental para a popularização do FIDC", explica.
Como os FIDCs podem reunir uma gama muito diversa de direitos creditórios, Solamone recomenda atenção a essa lista, que precisa ser bem diversificada, e quem é a empresa responsável pela organização desse créditos antes de investir. "Nós, por exemplo, investimos no próprio fundo que originamos. Ou seja, estamos correndo o mesmo risco que os outros investidores que resolveram entrar nesse FDIC".
Os FIDCs são considerados uma alternativa para diversificação da carteira, além de possibilitar o investimento em maior número de ativos. Somado a isso, considerando que os fundos também terão outros investidores, o seu risco é compartilhado.
Nos primeiros três meses do ano, os FIDCs captaram R$ 1,8 bilhão, de acordo com dados mais recentes da Anbima. O número exclui a influência da saída líquida de um único fundo do agronegócio no valor de R$ 16,9 bilhões. No mesmo período de 2024, a classe havia registrado captação negativa de R$ 4 bilhões.
Em um ano, o número desses fundos cresceu de 2.501 para 3.068, e o patrimônio líquido, de R$ 452,3 bilhões para R$ 588,2 bilhões.
Com base em informações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entre janeiro e fevereiro (último dado disponível), a abertura das carteiras dos FIDCs mostra que 82,2% do patrimônio líquido da categoria, de R$ 588,2 bilhões, estavam concentrados em direitos creditórios. Os títulos e valores mobiliários correspondiam a apenas 8,9% do patrimônio líquido. Em fevereiro, havia no mercado brasileiro 3.068 FIDCs.
Solamone vê com otimismo esse mercado, que por ser um produto de crédito estruturado demanda um processo educacional diferente, mais denso. "Sua representatividade vem crescendo e a perspectiva é de absoluto crescimento", afirma. Segundo ele, os FIDCs vieram para ficar.
Julya Wellisch, diretora da Anbima, concorda. "Esses fundos têm conquistado cada vez mais espaço na dinâmica de cessão de créditos no país e entre os investidores interessados em diversificar seu portfólio, com as carteiras dos FIDCs sendo compostas majoritariamente por direitos creditórios de empresas."**
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