O que é o 'shutdown', risco que assombra paralisar o governo dos EUA
Na história recente dos EUA, desde 1980, isso já aconteceu pelo menos 10 vezes.
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos

Na história recente dos EUA, desde 1980, isso já aconteceu pelo menos 10 vezes.
Publicado por: Broadcast Exclusivo
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Atualizado em
16/10/2024 às 16:08
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
São Paulo, 26/09/2023 - Quatro meses depois da elevação do teto da dívida pública a fim de evitar um calote, a economia dos Estados Unidos volta a ser assombrada pelo risco de paralisação de pagamentos. "Shutdown" é o termo utilizado por especialistas para definir um quadro no qual o governo precisa suspender alguns serviços de departamentos e agências federais devido a um impasse no orçamento.
Esse impasse, mais uma vez, reflete a forte divisão presente no Congresso americano. Enquanto os democratas, que fazem parte da base do governo do presidente Joe Biden, são a maioria na Câmara dos Representantes, os republicanos, da oposição a Biden, são maioria no Senado. Segundo analistas, esse quadro tem ampliado as dificuldades do governo em relação à pauta econômica.
Desta vez, a dificuldade gira em torno da aprovação das contas públicas de curto prazo dos EUA. A aprovação deve ocorrer até o dia 1 de outubro para evitar uma paralisação (shutdown). Não seria a primeira. Na história recente dos EUA, desde 1980, foram cerca de dez shutdowns, em diferentes administrações e por períodos variados.
O presidente da distrital do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) em Minneapolis, Neel Kashkari afirmou nesta terça-feira (26) que os formuladores de política devem considerar o risco de novos choques atingirem a economia americana. "Alguns desses choques potencialmente podem incluir uma paralisação do governo [federal americano], uma escalada da guerra na Ucrânia, interrupção estendida do setor doméstico de automóveis, e repercussões da desaceleração da China", listou o dirigente em artigo publicado no site do Fed.
Entretanto, segundo a imprensa estrangeira, negociadores estão se aproximando de um acordo. Do contrário, dentre os serviços que poderiam ficar comprometidos, por exemplo, estaria o Escritório de Estatísticas de Trabalho dos EUA, impossibilitando a divulgação do relatório de emprego (payroll) de setembro e do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do país.
O shutdown é a paralisação de parte das atividades de um governo. Nos Estados Unidos, caso não haja a aprovação do orçamento pelo Senado até uma data determinada, a administração federal inicia o processo de paralisação. Isso significa que alguns serviços públicos não essenciais deixam de ser realizados, diversos funcionários públicos são liberados e deixam de ser pagos.
O adiamento da divulgação de indicadores importantes tanto para autoridades monetárias e econômicas dos EUA quanto para investidores pode trazer um período de grande incerteza, levando agentes de mercado a ficarem avessos ao risco, buscando proteção em títulos públicos de renda fixa ou no dólar. Com isso, os índices acionários da bolsa de Nova York podem sofrer algum tipo de impacto negativo, enquanto as taxas dos Treasuries (títulos do governo americano) tendem a avançar, junto do próprio dólar.
Além disso, a própria renda fixa americana pode sofrer as consequências, já que, segundo a agência de classificação de risco Moody's, uma paralisação do governo federal dos EUA resultaria em fraqueza no crédito do país, por apontar uma fraqueza institucional e gerar temor dos investidores.
Para a Moody's, essa paralisação pesaria negativamente na avaliação do crédito soberano no país e "demonstraria os constrangimentos significativos que a intensificação da polarização política impõe à elaboração de políticas orçamentárias".
Já a consultoria High Frequency Economics (HFE) vê o eventual shutdown tendo impacto temporário, e não duradouro, na maior economia do planeta, junto do movimento de greve que tem atingido algumas montadoras automobilísticas do país. No caso da paralisação do governo, a HFE avalia que funcionários do governo federal deixarão de ser pagos e, por isso, deverão cortar gastos. Isso, no entanto, só deve se refletir nos dados de emprego se a suspensão das atividades se estender para além de outubro, de acordo com relatório enviado a clientes.
No geral, a HFE entende que a economia americana permanece sólida, mas já começa a sentir os efeitos do aperto monetário promovido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para conter a inflação. A tendência de que esse quadro desacelere o mercado de trabalho, no entendimento da consultoria. "Isso pesará na demanda e retardará o ritmo de gastos e do PIB [Produto Interno Bruto]", projeta.
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