Existe limite para alta de ações? E de baixa? Saiba como a Bolsa atua em oscilações atípicas
Conheça os mecanismos de proteção ao investidor nas oscilações atípicas de ações, como leilões e circuit braker
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos
Atualizado em
23/04/2024 às 16:05
Por Luana Pavani e Gustavo Boldrini, do Broadcast
Que bolsa é investimento de risco, isso você já sabe. O céu é o limite para os ganhos com ações? E na situação inversa, até onde pode cair o investimento em bolsa? O investidor precisa ter alguma noção de quanto risco aceita tomar, mas pode ficar mais tranquilo em conhecer alguns mecanismos que as bolsas de valores podem adotar contra movimentações atípicas.
Altas ou baixas na casa de dois dígitos na variação de ações podem ser tidas como casos isolados, em torno do noticiário referente aos negócios daquela empresa, mas também podem acender o alerta dos agentes de mercado para algum problema maior, tanto naquele setor quanto no próprio sistema financeiro. Pelas regras de negociação de ações, não há limite para alta. Mas a B3, administradora da Bolsa brasileira, pode atuar para evitar prejuízos ao investidor.
"Muitos investidores, especialmente os mais iniciantes, podem tomar decisões equivocadas em momentos de grandes oscilações de uma ação, para cima ou para baixo. Nesse caso, a Bolsa paralisa as negociações e o ativo entra em leilão", explica Carlos Heitor Campani, professor e consultor de finanças.
Segundo Campani, os leilões funcionam como uma espécie de "chamado à razão" por parte da B3. "É como se o tempo parasse, e os investidores tivessem tempo para respirar antes de tomar qualquer decisão." Na prática, o mecanismo dos leilões busca proteger o investidor pessoa física, uma vez que ele está mais sujeito a ser prejudicado por grandes movimentos do mercado. Segundo o professor, o leilão é uma forma de a Bolsa garantir que uma ação não se afaste do seu preço justo.
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O que acontece quando uma ação entra em leilão?
Quando uma ação entra em leilão, suas negociações ficam paralisadas, então, não há compras nem vendas. No entanto, a Bolsa continua recebendo ofertas de compra e venda por parte dos investidores. E quando existe a percepção de que o movimento atípico foi atenuado, as ações podem voltar a ser negociadas.
Em dias de muita volatilidade em um ativo, é normal que ele entre em leilão mais de uma vez. Neste caso, a recomendação dos especialistas é que o investidor pessoa física tenha parcimônia e não tome decisões abruptas. Afinal, os investidores de mais peso, como os institucionais, provavelmente terão em suas mãos aquele papel, já que movimentam grandes volumes de recursos.
Quais são as regras para altas e baixas atípicas?
As Superintendências de Acompanhamento de Empresas da B3 e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no entanto, ficam de olho para conferir se a empresa em questão cumpriu com seus deveres para com os acionistas, como prestar informações via fato relevante, com transparência. Caso contrário, é enviada para a diretoria um ofício questionando a movimentação atípica com as ações, perguntando o motivo.
Na ausência de falhas no processo de comunicação, os acionistas colhem os frutos da valorização e a bolsa segue seu curso. Mas pode acontecer o contrário, uma queda abrupta no valor das ações por algum motivo específico, que a empresa também deve vir a público para se explicar ou fica sujeita a sanções pelos órgãos reguladores.
Há, porém, um caso mais grave, que é a queda do mercado de ações em geral. Aí, a bolsa aciona o circuit braker.
O que é circuit braker?
A queda acentuada das ações de modo geral ativa o circuit breaker, mecanismo utilizado pela gestora da bolsa de valores para proteger os ativos da volatilidade excessiva em momentos atípicos de mercado. Há muito tempo não acontece um choque econômico tão forte ou algum escândalo corporativo que gere saída abrupta dos investidores da bolsa. Mas já aconteceu.
Até hoje, o mecanismo de circuit braker foi acionado em 23 ocasiões na bolsa brasileira. A maior frequência foi em 2008, período marcado pela crise do sistema financeiro que se instalou nos Estados Unidos após o pedido de concordata do banco Lehman Brothers, a chamada "crise do subprime". Naquele ano, o pregão da então Bovespa foi interrompido seis vezes, sendo a primeira em 29 de setembro e as outras cinco em outubro, no dia 6 (parou duas vezes), depois nos dias 19, 15 e 22.
Em 2017, o Circuit Breaker foi acionado após a delação premiada da JBS. Já em 2020, o mecanismo foi ativado seis vezes, nos dias 9, 11, 12, 16 e 18 de março, em um momento de forte volatilidade nos mercados globais por conta das incertezas iniciais envolvendo a pandemia do novo coronavírus e as medidas extraordinárias que foram adotadas pelos governos globais para conter os efeitos econômicos da doença.
- Segundo as regras do circuit breaker, a negociação de ações à vista é interrompida por 30 minutos quando o Ibovespa atingir desvalorização de 10% em relação ao índice de fechamento do dia anterior. Pode haver nova suspensão se após a reabertura do primeiro circuit braker o índice cair 15%, com duração de uma hora. Depois disso, se cair mais, com oscilação negativa de 20%, pode ter novo acionamento, "com reabertura à discrição do Presidente da B3", explica a bolsa.

