Carteira de dividendos: o que é e como funciona?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
10/09/2025 às 14:14
Por Patrícia Queiroz, do Broadcast
São Paulo, 28/04/2025 - Para mitigar riscos e ampliar a sua chance de ganhos, o investidor pessoa física pode diversificar a carteira e obter renda periódica. Isso é possível ao compor uma carteira de dividendos, seleção de ativos de renda variável, entre os quais ações de companhias de diferentes setores e fundos imobiliários que regularmente fazem distribuição de dividendos.
Trocando em miúdos: trata-se de uma modalidade de investimento que visa retorno de forma recorrente a partir de parte dos lucros das empresas que se optou investir. Os dividendos geralmente têm uma periodicidade de distribuição definida, que pode ser trimestral, anual etc.
A carteira é montada a partir da escolha de companhias que tenham histórico de distribuição de dividendos ou com potencial para tal.
O pulo do gato é que o investidor pode optar por reinvestir os valores recebidos, comprando mais ações daquela carteira e, consequentemente, aumentando a possibilidade de dividendos e retornos futuros.
Qual é a estratégia para investir em dividendos?
A principal vantagem de uma carteira de dividendos é gerar um fluxo de renda 'passiva' ao longo do tempo.
A diversificação também é um diferencial, pois nessa modalidade há possibilidade de investir em diferentes companhias e nichos setoriais, reduzindo o risco.
Há ainda o potencial de crescimento dos investimentos iniciais já que a opção por reinvestir os dividendos pode aumentar o capital ao longo do tempo.
Rafael Reis, analista de pesquisa do BB-BI, responsável pela Carteira BB Dividendos, explica que a estratégia de investimentos em ações com histórico e perspectivas de pagamento de dividendos tem como maior diferencial a redução das incertezas, o que se manifesta de duas formas. "As empresas associadas a esta estratégia são grandes em tamanho e em maturidade, ou seja, possuem um negócio já estabelecido, comprovado e bem sucedido. No mesmo sentido, os dividendos pagos significam efetivamente dinheiro na conta do acionista, uma liquidez periódica, o que representa uma parcela do retorno total isenta de tributação".
Para ele, no contexto de renda variável, que costuma trazer oscilações de retorno e volatilidade, essa redução de incertezas é interessante, "especialmente para os investidores menos experientes ou mais avessos ao risco".
Quais os pontos de atenção?
Como qualquer investimento em produtos de renda variável, há os riscos comuns relativos às oscilações de preço daqueles ativos escolhidos para compor a carteira. Cabe uma ampla pesquisa antes de montar esse tipo de estratégia. Outro ponto de atenção é que os proventos podem ser tributados, dependendo do caso.
Reis, do BB-BI, lembra que, ao optar por investir exclusivamente em empresas mais maduras, para mitigar riscos, na outra ponta o investidor abdica de apoiar aquelas mais jovens ou setores mais cíclicos, que geralmente carregam maior potencial de crescimento.
"Na prática, pela minha experiência, nunca as incertezas se dissipam e a volatilidade é a eterna companheira da renda variável. Na janela dos últimos dez anos, por exemplo, vivemos diversos momentos de mercado incluindo crises, pandemia, juros altos e baixos, governos distintos. Neste período, a estratégia de dividendos superou ambos o Ibovespa e até mesmo o todo-poderoso CDI (renda fixa), mostrando que, se bons ativos forem selecionados e existir um acompanhamento atento a um rebalanceamento ativo, esta é uma estratégia que tende a ser rentável, resiliente e compatível com diversos contextos", acrescenta o analista do BB-BI.
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