Carteira de Ações Fundamentalista | Agosto 2026
Dez ações para você investir em agosto com base em análise fundamentalista, segundo os especialistas do BB
Publicado por: Análise BB
1 minuto
Atualizado em
31/07/2026 às 18:17
No decorrer de julho, o comportamento das bolsas foi direcionado por três temas centrais: o avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio, a retomada das preocupações inflacionárias globais e o questionamento crescente sobre o retorno dos elevados investimentos em inteligência artificial. Ainda que a temporada de resultados corporativos tenha apresentado desempenho positivo, especialmente nos Estados Unidos, esse conjunto de fatores agregou volatilidade aos ativos de risco, pressionou as curvas de juros mais longas e reacendeu o debate sobre a sustentabilidade do ciclo de valorização concentrado nas grandes empresas de tecnologia. Como resultado, os principais índices americanos encerraram o mês em queda, com recuo de 0,16% do S&P 500 e de 3,3% do Nasdaq.
Nesse contexto, o Brasil apresentou desempenho relativo favorável em julho. O Ibovespa avançou 3,5% no mês, superando os principais pares globais, sobretudo o mercado americano. A composição setorial do índice contribuiu para esse movimento, uma vez que a bolsa brasileira possui peso relevante de empresas ligadas a petróleo, materiais básicos e bancos, setores que tendem a se beneficiar, em maior ou menor grau, de preços de commodities mais sustentados, fluxo para mercados emergentes e busca por alternativas fora das grandes empresas de tecnologia. Além disso, o fluxo estrangeiro permaneceu positivo ao longo do período, indicando que o investidor internacional continua enxergando valor relativo nos ativos brasileiros.
Do ponto de vista doméstico, os fatores de risco para a bolsa brasileira não se alteraram de forma estrutural, embora tenhamos observado algum alívio oriundo dos indicadores de inflação. O IPCA veio abaixo das expectativas e reforçou a percepção de continuidade do processo de desinflação, reduzindo parte da pressão sobre os ativos locais. Por outro lado, a alta recente do petróleo voltou a pressionar os vértices mais longos da curva de juros, limitando uma melhora mais expressiva. Assim, apesar da reação positiva da bolsa, entendemos que o cenário ainda exige cautela, especialmente diante da persistência de juros reais elevados, da sensibilidade dos ativos domésticos ao fluxo estrangeiro e da tendência de aumento da volatilidade à medida que se aproximam as eleições, com maior atenção a discussões fiscais e sinalizações sobre a política econômica pós-eleitoral.
Apesar desses riscos, continuamos vendo elementos favoráveis para a bolsa brasileira em termos relativos. O país permanece negociando com múltiplos atrativos frente a outros mercados emergentes, enquanto as expectativas de lucro seguem favoráveis em segmentos relevantes do índice. Em termos setoriais, nossa leitura permanece relativamente construtiva para ativos ligados a commodities e energia, bancos e companhias com maior visibilidade de crescimento de lucros, embora sigamos atentos à inadimplência e às provisões no setor financeiro e mais seletivos em setores sensíveis ao crédito e à renda doméstica.
Em resumo, julho mostrou de forma clara que o cenário macroeconômico voltou a importar de maneira decisiva para a alocação em renda variável. A combinação entre conflitos geopolíticos, preços de energia mais elevados, dúvidas sobre inflação global, juros longos pressionados e questionamentos sobre os investimentos em inteligência artificial tende a manter elevada a dispersão entre mercados, setores e companhias. Nesse ambiente, entendemos que a melhor forma de buscar oportunidades nos próximos meses será combinar esses fatores macroeconômicos com as perspectivas de earnings, privilegiando empresas com resultados mais visíveis, exposição a temas favorecidos pelo ciclo global, disciplina financeira e capacidade de atravessar um ambiente de maior volatilidade com resiliência.


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