Carteira Sugerida
Conforme comentamos na seção Panorama de Mercado, o IFIX voltou ao campo negativo em maio, com queda de 1,33%, pressionado pela ausência de solução para o conflito no Oriente Médio e pelo maior apetite a risco dos investidores globais, que voltaram a direcionar parte dos recursos para a bolsa americana.
Apesar desse contexto, a Carteira Renda avançou 0,48% no mês. Em 2026 e em 12 meses, acumula valorizações de 3,32% e 12,22%, respectivamente, acima do IFIX em ambos os períodos. Já o Dividend Yield anualizado de abril foi de 13,87%, também superior aos 12,05% do índice.
A rentabilidade do mês e o forte crescimento do dividendo anualizado refletem a boa performance dos FIIs de papel, que reagiram bem no secundário após leituras mais fortes do IPCA e a consequente elevação dos rendimentos. Entre os principais destaques, o VGIP11 elevou seus dividendos em 32%, enquanto RECR11 e XPCI11 também apresentaram crescimento nas distribuições.
O grande destaque, em nossa visão, foi o RZTR11. Apesar da abertura da curva de juros, condição que tenderia a pressionar o fundo, o Riza Terrax avançou 2,32% no mês. Acreditamos que o movimento pode estar relacionado à forte queda observada no mês anterior, sem eventos públicos que a justificassem, e também às informações sobre os valores a pagar e a receber nos próximos anos, além da expectativa de valorização do patrimônio em meados do ano. Com o valor patrimonial por cota tendendo a subir, espera-se que o preço no secundário acompanhe esse movimento.
Também destacamos GARE11 e TRXF11, que superaram o IFIX, mas foram tema de dúvidas entre investidores em razão da redução de quadro e do fechamento de lojas pelo Grupo Mateus. O TRXF11 possui 16 lojas da companhia, todos com contratos atípicos até 2045 e representam 14% da receita do FII. Já o GARE11 possui 3 lojas, também com contratos atípicos até 2048, mas com representatividade de apenas 8% da receita total. Como os contratos são bem amarrados e contam com multas robustas, entendemos que a possibilidade de rescisão antecipada é pequena. Além disso, os fundos têm como estratégia comprar ativos qualificados e com potencial de reciclagem. Portanto, caso algum movimento de desocupação aconteça, avaliamos que há possibilidade de venda dos ativos.
Por fim, o PMLL11, que segue seu plano de qualificação do portfólio, foi o maior detrator da carteira, com queda de 1,97%. Apesar disso, vale destacar que a variação foi melhor que a média do segmento, que recuou 2,63%.
Já a Carteira Ganho, majoritariamente composta por fundos de tijolo negociados com desconto frente ao valor patrimonial, recuou 2,50% em maio, desempenho 1,17 p.p. abaixo do IFIX. Em 12 meses, acumula alta de 17,56%, acima dos 12,00% do índice.
O destaque positivo do mês foi o RZAT11, único FII da carteira em campo positivo, impulsionado pelo repique inflacionário e pelo início de pagamentos mais robustos de dividendos, próximos de 20% anualizados, após a venda bem-sucedida de um imóvel cujo inquilino perdeu a opção de recompra.
Na ponta negativa, o VILG11 devolveu os ganhos do mês anterior. Acreditamos que o movimento esteja relacionado ao pedido de recuperação judicial do grupo controlador da Tok&Stok, inquilino do FII no galpão de Extrema (MG). A empresa já respondeu por 15% das receitas do fundo, mas a gestão reduziu gradualmente essa exposição, realocando os espaços para outros inquilinos. Esse movimento permitiu aumento do preço por m², redução da exposição à Tok&Stok para 4,5% da receita e contratação de seguro fiança de 12 meses. Em resumo, avaliamos que o ativo segue atrativo para reposição em até um ano.
Por fim, o PVBI11 estreou na carteira com queda de 1,98% no mês, mas ainda assim teve desempenho superior ao JSRE11, fundo que deixou a carteira e recuou 4,31%, e ao segmento de lajes corporativas, que caiu 3,38%.
Para junho, mantemos a mesma composição em ambas as carteiras, por entendermos que seguem aderentes aos seus respectivos objetivos de renda e ganho de capital.
Para conhecer a tese e o momento de cada FII, consulte o PDF em anexo.
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