Carteira de FIIs (junho/25): IFIX na máxima histórica. O que esperar para junho?
BB-BI indica 16 Fundos Imobiliários para junho.
Publicado por: Análise BB

BB-BI indica 16 Fundos Imobiliários para junho.
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
04/06/2025 às 12:14

Em maio, ambas nossa carteiras sugeridas apresentaram ganhos acima do IFIX, mas com uma dinâmica diferente dos últimos dois meses.
A Carteira Renda, composta por mais fundos de recebíveis, valorizou 1,98% em maio, 0,53 p.p. acima do IFIX, que variou +1,44%, justificado por uma inflexão menor de curva de juros no período. No ano, a carteira acumula +8,76% vs. +11,09% do IFIX.
Destacamos a performance dos fundos de papel no mês, principalmente o KNSC11 (+5,14%) e VGIR11 (+3,08%) que contam com um portfólio mais exposto em CDI+. Outro destaque fica com o RZTR11 (+4,61%), que apesar de ter um portfólio de arrendamentos com taxas pré-fixadas, tem conseguido realizar negociações para reciclagem do portfólio e renovações de contratos para elevar o rendimento médio da carteira, que hoje segue em patamar atrativo, embora a Selic se posicione em 14,75 a.a.
Ainda na Carteira Renda, destacamos a mudança que fizemos na virada do mês anterior: o XPCI11 (+0,78%) avançou menos que o IFIX, mas bem acima do fundo que substituiu (VRTA11; -1,76%).
Sobre a Carteira Ganho, que combina fundos com maior volatilidade e também maior potencial de valorização, o avanço foi marginalmente acima do IFIX: +1,46% vs. +1,44% do Índice. No ano, em linha com o fechamento acentuado da curva de juros, a carteira supera o IFIX em 1,26 p.p. (+12,36%).
Seguindo a mesma lógica da Carteira Renda, destacamos também os fundos de recebíveis RBRR11 (+5,09%) e o RECR11 (+3,09%), além do fundo logístico industrial da Riza, o RZAT11 (+3,90%), que é um dos fundos da carteira que mais se valorizou em abril por estar mais descontado que pares, além de ter divulgado guidance de dividendos mais robusto no fim de abril, trazendo certa pressão compradora para o papel ao longo de maio.
O estreante VILG11 entrou na carteira com objetivo de capturar valorização a partir do incremento projetado de dividendos ao longo do ano. Os dividendos avançaram de R$ 0,68 para R$ 0,69/cota, contudo, a cota apresentou recuo -0,64% no mês.
Apesar do recuo, entendemos que o movimento tático foi correto, considerando que o fundo substituído (BRCO11) se desvalorizou 2,35% no mês.
Para junho, seguimos com a mesma composição em ambas as carteiras, em linha com o projetado na seção Panorama de Mercado em que projetamos um cenário de mais cautela para os próximos meses.
Com uma valorização de 1,44% em maio, para 3.461 pontos, o IFIX engatou seu quarto mês consecutivo de alta e renovou sua máxima histórica, tanto na visão mensal, quanto na visão diária. No ano, soma mais de 11,4% de rentabilidade.
Até abril, a curva de juros havia mostrado uma inflexão importante, o que acabou impulsionando os ativos de risco, mas que não foi o caso de mês de maio. No último mês, os vértices médios e longos ficaram praticamente estáveis, enquanto a ponta curta voltou a subir. O que pode explicar esse movimento?
No exterior, um acordo comercial temporário entre EUA e China trouxe algum alívio para os mercados, enquanto o fiscal americano segue desafiador. Esse, inclusive, é um dos fatores para o rebaixamento do rating soberano do país pela Moody’s.
No Brasil, no início do mês, o Copom decidiu aumentar a taxa de Selic em 50 pontos-base para 14,75% a.a. de forma unânime, em linha com a expectativa de mercado. No entanto, na ata, o Copom indica que os próximos passos dependem de novos dados macroeconômicos.
O comitê ainda observou que a política significativamente contracionista já tem contribuído com o arrefecimento de alguns indicadores de atividade e tal fato deve contribuir com uma inflação mais branda à frente.
Por outro lado, reforçou que o mercado de trabalho segue contribuindo com a atividade, tanto no que se refere a renda, como em relação à taxa de ocupação, com este último inclusive atingindo 6,6% em abril, menor nível para o mês desde o início da série.
Nesse contexto, outro ponto de atenção presente no comunicado é a respeito da expansão do crédito, que segue um processo lento e gradativo a partir do patamar restritivo de taxa de juros, mas que pode ganhar novos estímulos oriundos do programa Consignado Privado, já que a troca de dívida traria maior poder de compra para a população.
No fim do mês, o fiscal, que estava um pouco esquecido por parte do mercado, voltou aos holofotes depois do decreto para aumento de IOF (imposto sobre operações financeiras) com objetivo de aumentar a arrecadação e equilibrar as contas públicas. A maioria dos agentes do mercado, de forma preliminar, avaliou como um encarecimento do crédito e, dessa forma, uma sinalização que o ciclo de alta de juros tenha chegado ao fim. Uma outra ala do mercado entende que a medida é insuficiente para o problema fiscal e traz mais incerteza dos próximos passos do governo, que vem perdendo popularidade ao longo dos últimos meses.
No mês, ainda tivemos o rebaixamento da perspectiva do Brasil pela Moody’s, citando a vulnerabilidade fiscal, além da autorização da CVM para que FIIs e Fiagros recomprem suas próprias cotas, movimento comum no mercado acionário quando a companhia entende que suas ações estão subvalorizadas.
Em relação ao mercado de FIIs, o segmento de recebíveis negocia com um desconto médio em torno de 5%, justificado, em nossa visão, pelo fechamento da curva de juros e valorização imediata os ativos via Marcação a Mercado, bem como a combinação de bom carrego com inflação e CDI elevados. Já os FIIs de tijolo tem sido liderados pelo segmento de Shoppings e Logísticos, que seguem apresentando indicadores operacionais robustos, principalmente em função da atividade aquecida. Por outro lado, Lajes Corporativas seguem um processo lento e gradual de recuperação, mesmo após uma retomada mais firme do trabalho presencial em diversas empresas.
Em nossa opinião, considerando que o ambiente global segue mais volátil e a política monetária contracionista brasileira devem trazer algum impacto nas teses dos FIIs, seguimos com uma visão mais cautelosa para o curto prazo. Assim, mantemos nossa recomendação de exposição em ativos com bom histórico de gestão, boa diversificação de inquilinos e contratos, bem como alavancagem controlada, ainda que acompanhem um potencial de valorização mais moderado.

O HCTR11 e DEVA11 voltam a aparecer nos destaques de rentabilidade do IFIX. Sem nenhum fato relevante ou novas informações em seus relatórios gerenciais, acreditamos que o a melhora desses fundos pode estar relacionada com o avanço do índice, combinado ao grande desconto que esses fundos negociam em função dos desafios de suas teses, em especial o aumento do dividendo reportado pelo DEVA11 no mês.
Em maio, o BLMG11, finalizou a 6º emissão de cotas realizada a valor patrimonial para pagamento de aquisição do ativo adquirido em Salvador, que está 100% locado e possui um caprate de 11,2%, acima da média de mercado. Ao mesmo tempo, segue em fase final de venda do galpão de Janiru (SP) e, por consequência, a liquidação do CRI atrelado ao ativo. Nesse sentido, o fundo teria uma distribuição mensal estimada em aproximadamente R$ 0,35/cota ou quase 10% de DY com base no preço atual, acima da média do segmento.
Fechando os destaques positivos, o BTHF11. O fundo foi originado do BCFF11 no fim de 2024 com objetivo de combinar bom receitamento recorrente derivado de investimentos em CRIs, além do potencial de valorização por meio do investimentos em cotas de FIIs e/ou imóveis diretos. O fundo negocia com algum desconto vs. o valor patrimonial e está presente em recomendações de algumas carteiras recomendadas do mercado, fatores que podem ter contribuído com a valorização do mês.
Do lado negativo, o URPR11, que não teve nenhuma de suas propostas de reorganização aprovadas em AGE, refletindo em um novo guidance de dividendos (entre R$ 0,50 e R$ 0,55) para os próximos seis meses. Por se tratar de um patamar inferior que vinha sendo praticado, trouxe grande pressão vendedora para o papel. Curiosamente, no dia 30/05, a gestora divulgou os dividendos: R$ 0,45/cota.

Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.
Quer dar uma nota para este conteúdo?