Vibra (VBBR3) | Revisão de preço: redução de alavancagem e aumento de margens dão força para a tese
Daniel Cobucci, analista de investimentos do BB-BI, divulga novas projeções e preço alvo 2027 para a Vibra Energia.
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
31/08/2026 às 11:12
Ao longo deste ano, a Vibra apresentou um combinação de recuperação nas vendas, não apenas em volumes, mas com margens mais elevadas, e um balanço muito mais favorável do que o esperado, entregando resultados excepcionais no primeiro semestre. O setor teve avanços regulatórios e de competitividade em ritmo acelerado nos último ano, com ações contra o crime organizado no setor favorecendo a migração de volumes de postos bandeira branca para grandes redes, movimento reforçado recentemente pela maior capacidade das grandes distribuidoras de assegurar produto em meio à volatilidade e restrições globais de oferta de derivados. A Vibra capturou plenamente esse cenário, algo que pode ser visto nas maiores margens e no aumento de sua base, que contou com 155 novos postos no 1T26 e um recorde de 230 no 2T26, além de mais de 100 novos contratos B2B no 2T26. Entendemos que parte desses ganhos são extraordinários devido à volatilidade, mas parte também é estrutural, já que novos contratos e conversões de bandeira tendem a permanecer mesmo após a normalização das condições excepcionais de mercado.
Diante disso, revisamos nossas estimativas e estabelecemos o novo preço alvo de R$ 35,00 para a Vibra para o final de 2027, mantendo a recomendação Neutra, diante de um olhar de que boa parte dos avanços já se encontram precificados. Vemos que a companhia conta com vantagens competitivas relevantes nesse mercado, como capilaridade logística, escala e forte presença nos segmentos de grandes consumidores (B2B) e aviação. Essas características permitiram à companhia garantir o abastecimento de clientes durante a recente volatilidade global dos derivados decorrente dos conflitos geopolíticos, com condições extraordinárias de precificação. Com isso, a margem EBITDA da rede de postos saiu de R$ 167/m³ no 4T25 para R$ 258/m³ no 1T26 e R$ 456/m³ no 2T26.
Nos últimos relatórios, vínhamos apontando que o aumento do endividamento, por conta da aquisição da Comerc, era um ponto relevante de atenção ao final de 2025, mas que agora foi absorvido pela forte geração operacional de caixa: o fluxo de caixa operacional saiu de R$ 1,4 bilhão no 4T25, avançou para R$ 1,9 bilhão no 1T26 e disparou para R$ 3,8 bilhões no 2T26, o que permitiu reduzir a dívida líquida em R$ 2,6 bilhões somente no 2T26. Assim, a alavancagem recuou de 2,4x no fim de 2025 para 1,3x no 2T26, eliminando a principal fragilidade financeira da tese e ampliando a flexibilidade para investimentos e remuneração aos acionistas.

Valuation
Atualizamos nossas estimativas e preço-alvo para VBBR3. O novo preço alvo para 2027 é de R$ 35,00 (antes em R$ 27,00), mantendo a recomendação Neutra. Nossa avaliação deriva de um método de Fluxo de Caixa Descontada (DCF) de dez anos, assumindo um WACC em 11,6% e um crescimento na perpetuidade de 3,5%.
Projetamos uma receita líquida de R$ 214,5 bilhões para 2026, incremento de 13,4% ante 2025, com um volume 3,8% superior a/a. As melhores margens de comercialização já observadas no primeiro semestre devem resultar em um EBITDA de R$ 12,5 bilhões (+112% a/a, devido às margens mais elevadas durante o período de maior volatilidade do setor), enquanto o lucro líquido deve atingir R$ 2,5 bilhões, com um dividend yield de 3,5% para 2025 e 4,1% para 2026, considerando a política de distribuição de 40% do lucro líquido.
Para o segundo semestre de 2026, esperamos que a integração da Comerc e a atuação conjunta no B2B ampliem gradualmente as oportunidades de vendas cruzadas e captura de sinergias, apoiadas por uma carteira de clientes que demanda combustíveis, lubrificantes e soluções energéticas. A redução do endividamento e do custo da dívida também deve aliviar as despesas financeiras, melhorando a última linha. Como contrapontos, a Comerc ainda enfrenta a persistência do curtailment e o desempenho mais fraco da comercializadora, enquanto a eventual normalização do mercado global de derivados pode reduzir as margens extraordinárias observadas recentemente. Assim, vemos como principal desafio de curto prazo a capacidade de sustentar parte dos ganhos comerciais e de rentabilidade quando as condições de suprimento e precificação voltarem às condições usuais.
Nossa tese de investimento é baseada em: (i) aumento no volume de vendas de combustíveis líquidos, o que pode produzir um efeito de diluição de custos fixos; (ii) elevada capilaridade logística, que permite competitividade comercial em regiões não abrangidas por outras companhias; (iii) avanço regulatório e do combate à concorrência desleal, que tendem a melhorar a rentabilidade das grandes companhias do setor, com maior nível de embandeiramento e aumento da confiança do consumidor nas grandes redes; e (iv) crescente capacidade de suprir demanda e monetizar oportunidades de mercado em momentos de volatilidade.
Os riscos de nossa tese de investimento incluem, entre outros: (i) menor ritmo de crescimento da frota de automóveis; (ii) riscos de execução e/ou crescimento menor do que o esperado nas novas linhas de negócio; (iii) concorrência mais intensa na distribuição de combustível no varejo, o que pode afetar as margens da empresa e/ou a capacidade de embandeirar novos postos de combustível; e (iv) persistência dos elevados níveis de curtailment em renováveis, afetando a rentabilidade.
Desempenho da ação.
O papel VBBR3 sobe 35% em 2026, acima do Ibovespa (+9%) e abaixo de seu principal par listado (Ultrapar; +63%) no mesmo período (Raízen cai 72%, mas por razões de seu endividamento e da performance no segmento agro). Em nossa opinião, tal performance advém da Vibra seguir demonstrando resiliência em um setor desafiado por altas taxas de juros e impactos de fraudes e concorrência desleal no setor, conseguindo entregar elevados retornos e redução da alavancagem, o que justifica a apreciação no período.
VBBR3 vs IBOV

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