A Vibra apresentou números ligeiramente abaixo do esperado no 4T24, como consequência de perda de volumes e também de menores margens. No entanto, os números fechados do ano de 2024 sinalizam importante evolução, já que mesmo com um volume total menor (em diesel e gasolina), houve avanço em margens. A perda de participação de mercado de diesel ocorreu para todas as companhias listadas, acompanhando o aumento do mandato de mistura de biodiesel e sugerindo a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa para combater práticas ilícitas. No segmento de rede de postos, a queda nos volumes de vendas teve maior impacto nas margens, com menor diluição dos custos fixos, apesar do bom controle das despesas operacionais. No segmento B2B, apesar da queda no lucro bruto trimestral, houve um aumento na visão anual, refletindo uma dinâmica favorável de margens e um EBITDA ajustado em 2024 superior ao do ano anterior. Houve importante avanço nas operações da Comerc, cujo EBITDA superou em 7,7% a projeção de R$ 1 bilhão para o ano. Na conferência de hoje, os executivos passaram três importantes mensagens: (i) devem seguir atuando para minimizar as práticas ilegais do setor, através do ICL; (ii) reforço na atuação da Comerc, com busca de sinergias e novos mercados; e (iii) pretendem promover uma desalavancagem agressiva da companhia até o final do ano, o que deve colaborar para uma melhor alocação de capital. Houve boa geração de caixa no trimestre (R$ 0,9 bilhão) e no ano (R$ 3,3 bilhões), ainda que abaixo do ano anterior, principalmente devido ao efeito da alavancagem (consequência da aquisição da Comerc) e da maior necessidade de capital de giro.
Destaques operacionais.
No 4T24, houve um volume de vendas -1,7% menor a/a, principalmente com menor volume de óleo combustível (-34,9%) e Coque (-100%), parcialmente compensados com aumento nas vendas de QAV (+7,3%) e diesel (+1,1%). Já na visão anual, o volume total diminuiu 3,0% em 2024, com menores vendas de diesel (-4,0%) e gasolina (-8,7%), com destaque para o volume de vendas de etanol (+25,9%). Tal cenário sinaliza uma maior perda de market share em diesel, dado que as vendas do produto cresceram 2,6% no mercado nacional, mas não foram as pares listadas que ganharam essa participação (Raízen teve redução de 7,3% a/a, enquanto Ipiranga reduziu 0,6%), reforçando a tese de que um avanço nos volumes e margens do setor passa por um papel mais ativo na fiscalização e diminuição de práticas ilícitas, no caso do diesel, envolvendo a adição de biodiesel, como comentamos em nosso último relatório setorial.
Destaques financeiros.
No segmento rede de postos, vimos os menores volumes de vendas prejudicando a diluição dos custos fixos, o que resultou em lucro bruto menor no trimestre (-20% a/a) e no ano (-6,8% a/a). O controle das despesas operacionais foi um dos destaques positivos (-4,5% a/a em 2024), colaborando para uma margem EBITDA 1,3% superior a/a em 2024, em R$ 184/m3. O EBITDA de 2023 foi beneficiado por R$ 435 milhões de recuperação tributárias, ou seja, excluído tal efeito, o EBITDA de 2024 teve um aumento de 8%, mesmo com os menores volumes. No segmento B2B, apesar da retração de 15% no lucro bruto do trimestre, vemos uma elevação de 6,2% no ano, sinalizando uma dinâmica favorável de margens. Com as despesas em linha com o ano anterior em 2024, vimos um EBITDA ajustado 3,5% superior a 2023, com margem em R$ 180/m3 (+4,4% a/a).
Desempenho da Ação.
O papel VBBR3 cai ~2,8% em 2025, e acumula uma baixa de ~28% nos últimos 12 meses, ante uma performance ainda mais negativa de seus pares: em 12 meses, Ultrapar cai 45% e Raízen -54%. Em nossa opinião, tal queda deriva do fato de este ser um setor bastante intensivo em capital, sofrendo com a elevação das curvas de juros domésticas, mas também pela maior competição no setor, situação agravada pelas práticas ilícitas que tem promovido maiores margens e ganhos de participação de mercado para a categoria outros (bandeira branca), dado ser um mercado bastante pulverizado e com difícil fiscalização, ainda que mudanças pareçam já estar em curso e efeitos de medidas estruturais como a reformulação do Renovabio e a antecipação da monofasia dos tributos federais para o etanol colaborem para um olhar mais otimista. Ainda assim, entendemos que para o setor ter um avanço mais consistente e duradouro, seria importante o avanço em uma ou mais das três seguintes frentes: (i) redução estrutural no custo de capital das companhias; (ii) fiscalização mais ativa das práticas ilícitas pela ANP; (iii) antecipação da monofasia dos tributos estaduais sobre o etanol (dado que é algo já previsto na reforma tributária, mas com efeitos somente a partir de 2032, e é algo que já vem impactando as margens do setor. Mantemos nossa recomendação compra e preço alvo de R$ 30,00 para 2025.
VBBR3 vs IBOV
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