Vibra (VBBR3) 2T26: elevação em margens e volumes traz forte geração de caixa e redução do endividamento
Daniel Cobucci, analista de investimentos do BB-BI, analisa os resultados da Vibra Energia no 2º trimestre de 2026.
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
17/08/2026 às 11:31
A Vibra reportou resultados memoráveis no 2T26, ao trazer crescimento de volumes, expansão de margens e forte desalavancagem, conseguindo tirar proveito de contexto de mercado, no qual a escassez de derivados no mercado global elevou preços e permitiu aumento de margens em meio à restrição de oferta ocasionada pelo conflito no Oriente Médio. A companhia apresentou novo recorde de embandeiramentos, com 230 novos postos no trimestre, além de reportar mais de 100 novos contratos B2B. O destaque do trimestre ficou por conta da rentabilidade, com a margem EBITDA ajustada recorrente do segmento de distribuição em R$ 436/m³, +40% t/t e +300% a/a. Como contrapontos, vale destacar: (i) a continuidade dos desafios no segmento de Renováveis, impactado por um curtailment ainda elevado (27,9%); (ii) crescimento das despesas operacionais consolidadas (+17% a/a); e (iii) resultado financeiro permanecendo negativo, embora seja um fator que deve responder melhor nos próximos trimestres, dada a forte redução no endividamento. Em suma, o desempenho do trimestre foi positivo, e a forte geração de caixa foi o motor que possibilitou a redução de R$ 2,6 bilhões na dívida líquida, trazendo a alavancagem para 1,3x dívida líquida/EBITDA, ante 2,0x no 1T26 e 2,4x no final de 2025.
Os avanços regulatórios observados desde o segundo semestre de 2025 seguem contribuindo para um ambiente competitivo mais favorável para companhias com maior escala e capacidade de suprimento. A Vibra continua sendo uma das principais beneficiárias desse processo, e tem reforçado sua estratégia comercial com ritmo mais forte de embandeiramento e crescimento da carteira B2B. Apesar disso, continuamos avaliando que as margens observadas no trimestre permanecem acima de níveis normalizados, influenciadas por condições excepcionais de mercado associadas ao desequilíbrio temporário entre oferta e demanda de combustíveis.
A Vibra informou a aprovação da distribuição de R$ 499,4 milhões em Juros sobre Capital Próprio (JCP), equivalentes a R$ 0,4174 por ação, alocados junto ao dividendo mínimo obrigatório do exercício de 2026. Com o anúncio, os proventos anunciados no primeiro semestre de 2026 chegam a R$ 952 milhões. Terão direito ao provento os acionistas posicionados na base acionária ao final do pregão de 21/09/26, enquanto as ações passarão a ser negociadas ex-direito a partir de 22/09/26.


Destaques financeiros.
A receita líquida ajustada atingiu R$ 57,4 bilhões (+26% a/a), impulsionada pela combinação de maiores preços dos combustíveis e crescimento dos volumes. O lucro bruto atingiu R$ 5,3 bilhões (+143% a/a), com expansão de 4,5 p.p. na margem bruta, para 9,3%. O EBITDA ajustado atingiu R$ 4,5 bilhões (+206% a/a), impulsionado pela forte rentabilidade dos segmentos de Distribuição, que teve um EBITDA 245% superior a/a, compensando a queda de 16% a/a observada na Comerc. O lucro líquido ajustado ficou em R$ 2,3 bilhões (+365% a/a), enquanto o fluxo de caixa operacional de R$ 3,8 bilhões (+367% a/a) e fluxo de caixa livre de R$ 3,7 bilhões (+565% a/a) foram os direcionadores para trazer a expressiva redução do endividamento.
Destaques operacionais.
Na Rede de Postos, os volumes cresceram 6% a/a, com destaque para gasolina (+8% a/a) e etanol (+8% a/a). A receita avançou 16% a/a, e o EBITDA recorrente alcançou R$ 2,5 bilhões (+326% a/a), com margem recorrente de R$ 436/m³ (+301% a/a), refletindo ganhos de precificação e expansão da rede. No B2B, os volumes permaneceram estáveis, mas o mix mais favorável (maior participação de produtos aditivados) permitiu também capturar maior rentabilidade. O EBITDA recorrente foi de R$ 1,7 bilhão (+231% a/a), com margem de R$ 523/m³ (+232% a/a), além da assinatura de mais de 100 novos contratos no trimestre. Em Renováveis, a Comerc apresentou receita líquida de R$ 1,6 bilhão (+19% a/a), mas o EBITDA @Stake1 recuou para R$ 228 milhões (-17% a/a), pressionado pelo curtailment, dada a menor geração renovável e pelo desempenho mais fraco da comercializadora.
De forma geral, a Vibra segue conseguindo aproveitar o momento de maior volatilidade e melhorias no ambiente competitivo do setor, conseguindo entregar crescimento operacional, expansão de margens e desalavancagem acelerada. Como pontos de atenção, seguimos acompanhando a sustentabilidade do atual patamar de margens, bem como a evolução do segmento de Renováveis diante da persistência do curtailment e a normalização do ambiente de suprimento de combustíveis. O resultado do 2T26 reforçou a capacidade de execução operacional e trouxe um balanço aprimorado, com alavancagem em um patamar mais condizente com o ciclo de juros, trazendo maior flexibilidade para atravessar eventuais ciclos menos favoráveis do mercado.
Desempenho da Ação.
O papel VBBR3 sobe 82% nos últimos 12 meses, bastante acima dos 22% do Ibovespa, e em linha com os avanços de seu principal par listado, a Ultrapar (+96%) no mesmo período. Em nossa opinião, tal performance deriva da Vibra seguir demonstrando resiliência aos ciclos e bons retornos. Com o término da temporada, vamos incorporar os resultados do 2T26 em nossa modelagem para revisar em breve os preços das companhias do setor para 2027.
VBBR3 vs IBOV

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