A Vibra entregou números neutros no 2T25, em nossa opinião. Apesar de um efeito pontual com perda contábil em estoques (efeito da queda nos preços de petróleo e derivados t/t), vimos como destaque positivo o aumento da contribuição da Comerc para o grupo, assim como um bem vindo aumento na participação de mercado. Por outro lado, o lucro líquido caiu para R$ 493 milhões (-43% a/a), pressionado por despesas financeiras mais elevadas (+159% a/a) e maiores despesas operacionais. A geração de caixa operacional ficou em R$ 808 milhões, uma queda de 15% t/t, como efeito das perdas com estoques e consumo de capital de giro. A elevação nas despesas financeiras contribuiu para o consumo de caixa, relevante no trimestre, em R$ 1,1 bilhão.
De modo geral, a Vibra demonstrou resiliência em um trimestre desafiador, com crescimento de market share e destaque no segmento de Renováveis. A margem EBITDA sem efeitos não recorrentes chegou a R$ 161/m3, dado que a variação com estoques foi de R$ 48/ m3, além de efeitos como vendas de imóveis e recuperações tributárias. A alavancagem elevada segue como ponto de atenção, mas vemos como positiva a estratégia de gestão do endividamento, que vem alongando prazos e reduzindo custos, além das esperadas sinergias com a Comerc que devem seguir colaborando com relevante geração de caixa.
Assim, vemos como pontuais os impacto no EBITDA e geração de caixa do trimestres pela oscilação com estoques, já que tais efeitos se diluem entre trimestres, daí a importância de olhar períodos mais longos. A empresa vem conseguindo manter margens recorrentes em níveis saudáveis, com o endividamento para a aquisição da Comerc pesando nas despesas financeiras, mas, como vimos neste trimestre, a atuação já tem sido relevante para compensar os efeitos dessa volatilidade, usual no setor. A captura de sinergias com a aquisição deve trazer melhorias a partir do 2S26, quando esperamos que os impactos negativos da maior alavancagem tenham sido absorvidos pela geração operacional de caixa, e os benefícios como redução no custo do endividamento (maior na Comerc e menor na Vibra) e sinergias com portfólio B2B deverão se materializar de modo mais consistente, ainda que o curtailment deva seguir afetando a rentabilidade das companhias do setor.
Resultados por segmento.
Na rede de postos, vimos os volumes do trimestre caindo 0,6% a/a, puxados pela queda no etanol (-12% a/a), com alta nas vendas de gasolina (+5% a/a). No semestre, houve queda de 1,2% a/a no 1S25, com margens pressionadas pelas perdas com estoques, resultando em uma margem EBITDA recorrente de R$ 139/m3 no 1S25, uma redução de 7,2% a/a. Após um período de revisão da base de postos, houve uma expansão de 43 postos no 1T25, totalizando um aumento de 92 unidades no ano. No segmento B2B, os volumes tiveram uma redução de 2% a/a, com forte queda no volume de óleo combustível (-37% a/a) e modesto crescimento no diesel (+1% a/a). Assim, vemos um EBITDA recorrente de R$ 513 milhões (-21,5% a/a), também impactado por variação nos estoques, efeito parcialmente compensado por margens melhores em lubrificantes. Por fim, em Renováveis, vimos os resultados mais expressivos do trimestre, com sinergias com a Comerc sido antecipadas e trazendo boa contribuição para ao EBITDA e geração de caixa do grupo, ainda que a operação venha sofrendo com os impactos dos curtailments do setor. A geração distribuída (GD) fechou o trimestre com capacidade instalada de 364 MWp (+11% a/a), representando um EBITDA @stake de R$ 274 milhões (+21% a/a). Em trading, destacamos o lucro bruto corrente de R$ 92,5 milhões (+61% a/a), impulsionado por margens mais altas (R$ 12,1/MWh), o que resultou em um EBITDA @stake 58% superior no segmento. O curtailment deve seguir como principal desafio, mitigado neste trimestre pelo bom ritmo de crescimento de capacidade de GD com fortes margens na comercializadora.
Em suma, este foi um trimestre com menor geração de caixa e redução de margens por efeitos não recorrentes, mas mantendo um patamar de margem EBITDA recorrente bastante rentável, com ganho de market share como destaque positivo e maior atenção à redução da alavancagem e ações setoriais de combate a informalidades e fraudes com derivados, maior questão para o setor nos últimos anos.
Desempenho da Ação.
O papel VBBR3 sobe 24,6% em 2025, acima de seu principal par listado, a Ultrapar (+5,9%) e do Ibovespa (+12,8%) no mesmo período. Em nossa opinião, tal performance advém da Vibra seguir demonstrando resiliência em um setor desafiado por altas taxas de juros e perda de competitividade devido a fraudes, e tem conseguido entregar bons retornos e mitigação de riscos com diversificação do portfólio, ainda que justamente essa aquisição esteja momentaneamente gerando efeitos adversos devido aos impactos das despesas financeiras na geração de caixa.
VBBR3 vs IBOV
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